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Linguagista

Léxico: «analgia»

Use-o à vontade

 

      «Não. Não admito. A palavra “eutanásia” já por natureza é um eufemismo perigoso. Quer dizer uma boa morte. A morte nunca é boa. Nunca ninguém quer a morte. Mesmo aqueles que se suicidam o que querem é fugir aos seus problemas, não querem a morte de forma directa. E, portanto, esta ideia de dizer que a pessoa está num sofrimento psicológico e físico tão grande que quer a morte... Do sofrimento psicológico já falei, quanto ao físico, temos hoje técnicas de analgia que retiram a dor, ainda que — é a chamada “acção de duplo efeito” — encurtem a vida [afirma D. Manuel Linda, bispo do Porto]» («“A eutanásia não é solução”», Natália Faria, Público, 24.12.2019, p. 5).

      É sinónimo de analgesia, e o dicionário da Porto Editora diz que é «pouco usado», mas, nesta curta entrevista, o bispo do Porto usa-o duas vezes. Interessa, isso sim, é que se saiba que existe. E há dicionários que não dizem que é pouco usado — informação que o falante mais obtuso até interpretará como recomendação para não o usar.

 

[Texto 12 561]

Tudo na mesma no «Expresso»

A decência e a normalidade

 

      Entre as resoluções para 2020 do Expresso não parece estar a de entrar nos carris da decência e da normalidade ortográfica e sintáctica: «Os elogios às palavras do Presidente vieram de quadrantes diversos. Como do Bloco de Esquerda e do PAN. Isto pelo fato de Marcelo ter realçado a necessidade do Governo dialogar com a esquerda. O PS não se ficou e de pronto garantiu que sim senhora, vai mesmo falar com a esquerda (é bom não esquecer que é já para a semana que o Orçamento é votado no Parlamento). O PCP foi mais cauteloso» («Marcelo, o anti-ciclone do Corvo», Martim Silva, director-adjunto, Expresso Curto, 2.01.2020).

 

[Texto 12 559]

Léxico: «tâmia»

Em dois bilingues

 

      «Mais preocupante era o facto de a Scout investir invariavelmente quando um esquilo ou uma tâmia cruzavam a rua perto de nós. Fiquei apreensiva sobre como atravessaria ela as ruas buliçosas e repletas de trânsito em Tribeca» (O Diário da Minha Melhor Amiga, Jill Abramson. Tradução de José Vala Roberto. Alfragide: Edições ASA II, 2012, p. 32).

 

[Texto 12 558]

Léxico: «esticador»

Numa ida à rua

 

      Atravesso a rua e olho para um cabo de electricidade que está preso, de cada um dos lados da rua, a postes de madeira. Usaram, é claro, esticadores — e planeio logo verificar se o dicionário da Porto Editora regista este sentido. Não. Tem um que se lhe adaptaria, se fosse (como tem de ser) registado um sentido mais genérico: «utensílio com que se esticam os arames das ramadas».

 

[Texto 12 557]

Léxico: «savânico | noáquida»

E quanto a Noé...

 

      Quanto ao adjectivo relativo a Noé (para responder a uma consulta), não existe, tanto quanto sei. Pois, não é «noético», embora pudesse ser. Temos é (mas desconhecido dos nossos dicionários) noáquida, a designação atribuída aos descendentes daquele patriarca bíblico. Já não é assim quanto ao adjectivo relativo a savana, que é savânico, mas que só alguns dicionários acolhem. Ainda há muito trabalho para fazer — felizmente temos aí um ano novinho em folha para usar. «De um modo geral pode dizer-se que a Guiné apresenta uma cobertura do tipo savânico ou savânico arbóreo, com manchas florestais mais ou menos densas, do tipo floresta seca aberta, e de dimensões variáveis, não esquecendo as típicas lalas e bolanhas» («Primeiros elementos para o estudo do comportamento em viveiro das principais espécies florestais da Guiné Portuguesa», José A. L. Martins Santareno, in Boletim Cultural da Guiné Portuguesa, Vol. 16, 1961, p. 543).

 

[Texto 12 555]

Léxico: «artificialização»

Como prometido

 

      «A análise feita pela Ordem dos Engenheiros (OE) ao que ocorreu na bacia do rio Mondego deixa pouca margem para dúvidas: “Recordamos que nos últimos dez anos o desinvestimento na manutenção das infra-estruturas do país só podia conduzir a situações desta natureza e que a redução e desvalorização do papel dos engenheiros e da engenharia na administração só enfraquece o próprio Estado.” [...]  Neste contexto, um dos afluentes que, com a artificialização, passaram a afluir ao novo leito do rio Mondego abaixo da respectiva cota, teve de passar a ser bombeado através de uma central onde estavam previstas seis bombas de grande potência e débito, que nunca foram instaladas na totalidade e onde hoje apenas uma está em funcionamento» («Ordem dos Engenheiros diz que não há investimento na manutenção», Filipa Mendes e Miguel Dantas, Público, 24.12.2019, p. 16).

 

[Texto 12 554]

Léxico: «artificializar»

E vamos ver «artificialização»

 

      «Mas o argumento não convenceu o responsável pela pasta do Ambiente. Matos Fernandes defendeu que não se pode “artificializar” o leito dos rios para travar cheias, respondendo assim às críticas e à tese de que a construção da barragem teria evitado o cenário das cheias no Mondego» («Marcelo diz que Governo “percebeu a importância do que se passou” no Mondego», Liliana Borges, Público, 29.12.2019, p. 10).

 

[Texto 12 553]