Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Linguagista

Léxico: «omanita»

E regista bem

 

      «O sucessor, Haitham bin Tariq al Said, vai, porém enfrentar desafios ao assumir o lugar de Qaboos, que governou Omã como senhor absoluto nos últimos 50 anos e era considerado o fundador da nação omanita moderna. [...] Depois de fazer o juramento, Haitham comprometeu-se em seguir as políticas do seu antecessor, que era muito respeitado entre os omanitas por ter criado estabilidade no outrora fracturado país e por ter levado a modernidade a esta sociedade conservadora e tribal» («Omã tem um novo sultão num momento crítico para o Médio Oriente», Liz Sly, Público, 13.01.2020, p. 21).

      Também Adalberto Alves, no seu Dicionário de Arabismos da Língua Portuguesa (Lisboa: INCM, 2013), regista a forma omanita.

 

[Texto 12 640]

Léxico: «trá-lá-lá»

O novo vizinho

 

      Lá está o novo vizinho, cantor lírico, na sua meia hora — trá-lá-lá de enérgicos vocalizos. O que antes cá morava incomodava mais: frágil, por vezes deixava cair um haltere no chão da sala. Começava assim o dia, e ao fim da jornada de trabalho, pelas sete ou sete e meia da tarde, via-o regressar a casa com o equipamento do ginásio. Vidas tristes. Como também é triste o dicionário da Porto Editora não registar trá-lá-lá e ver que o VOLP da Academia Brasileira de Letras o acolhe.

 

[Texto 12 638]

O explosivo verbo «implodir»

Fica para a próxima

 

      «O médico lamenta a saída de profissionais para o sector privado e a dificuldade de contratação por parte do SNS. “Tenho algum receio de que se não forem contratados mais recursos humanos o SNS imploda» («Radiologia: “Tenho algum receio de que se não forem contratados mais recursos humanos o SNS imploda”», Ana Maia, Público, 13.01.2020, p. 13).

      Ai que vergonha, Ana Maia, que vergonha... Mas talvez tudo se explique pela numerologia: na página 13 da edição do dia 13 (mas felizmente não era sexta-feira), alguém se ia espalhar, e tinha de ser Ana Maia porque o resto da página é publicidade. Confunde — sempre as confusões — com o verbo explodir, que, segundo alguns (pouquíssimos, não é consensual), admite, no presente do conjuntivo, as formas expluda/exploda. Até sentimos o coração aos trancos.

 

[Texto 12 637]

Léxico: «iéti»

Nós é que não vemos

 

      «Ele pega no nosso dicionário, aponta uma palavra e diz: esta. Por exemplo: o iéti. E eu digo: o iéti vive no Tibete» (A Despedida de José Alemparte, Paulo Bandeira Faria. Alfragide: Teorema, 2012, p. 24).

      Quase verdade, menos a parte do dicionário — é que os nossos lexicógrafos acham muito mais natural que os dicionários acolham a grafia yeti, pois claro. Vê-se logo que é mais conforme à nossa língua.

 

[Texto 12 636]

Léxico: «folha de sala»

Porque a desigualdade persiste

 

      «De facto, a imagem da CNB, expressa em cartazes, múpis, teasers, programas e folhas de sala, além da disseminação gerada pelas redes sociais, tem sido objeto do maior cuidado, exprimindo os ideais associados à companhia — elegância, virtuosismo, estabilidade — mas também desenvolvendo uma identidade multifacetada, que subscreve outros valores, como o cosmopolitismo, a irreverência e a sensualidade» (O Essencial sobre a Companhia Nacional de Bailado, Mónica Guerreiro. Lisboa: INCM, 2018, p. 65).

      Exactamente, esperava encontrar a locução folha de sala nos nossos dicionários. É que, em pleno século XXI, nem toda a gente tem acesso, em todo o País, à cultura. Se também lhe negarmos o conhecimento do conceito, por meio de uma definição, que lhes resta?

 

[Texto 12 634]

Léxico: «regeneração»

Agora ficamos a saber

 

      «De uma forma geral, as partículas inaláveis podem aumentar significativamente o risco de doenças cardiorrespiratórias. Mais de 45 milhões de veículos contêm estes filtros de partículas na Europa, o que representa um total de 1,3 mil milhões de limpezas (“regenerações”) por ano. Em Portugal, os cerca de 775 mil veículos a gasóleo equipados com filtros de partículas efetuarão, por estimativa, “23 milhões de limpezas por ano”, refere a associação ambientalista» («Poluição de novos veículos a gasóleo atinge níveis mil vezes acima dos normais», Rádio Renascença, 13.01.2020, 7h51).

      Como vamos viver com isto mais umas décadas, talvez fosse útil ir para os dicionários: «Este filtro de partículas retém as partículas de fuligem numa espécie de rede no interior do dispositivo. No entanto, tal como acontece com qualquer outro tipo de filtros, é preciso esvaziar com regularidade o filtro de partículas para manter o seu desempenho. A este processo de limpeza do filtro de partículas chama-se regeneração» («Como fazer a regeneração do filtro de partículas do carro», Sara Piteira Mota, Ekonomista, 31.08.2019, 11h36).

 

[Texto 12 633]