Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Linguagista

Léxico: «recessivo»

O monge Gregor não ia gostar

 

      Mendel, ervilhas... É aqui: a Porto Editora diz-nos que recessivo significa, em biologia, o «(carácter) que fica oculto, não se manifestando em presença do outro que prevalece (o dominante)». Até parece que os nossos irmãos da Real Academia Galega copiaram a estrutura, mas a definição é muito melhor, mais correcta: «Bioloxía [Carácter] que non se manifesta no híbrido ou heterocigoto da primeira xeración, pero que permanece latente e pode aparecer nas seguintes xeracións.»

 

[Texto 12 648]

Léxico: «peridoto | olivina»

Não é o que diz quem sabe

 

      De peridoto, o dicionário da Porto Editora remete para olivina (mas não, como já é pecha antiga, vice-versa) e já está: «MINERALOGIA mineral (um nesossilicato) que é, quimicamente, um silicato de magnésio e ferro, cristaliza no sistema ortorrômbico e tem cor esverdeada ou castanha». Não é, todavia, bem assim: olivina é o mineral, que, quando polido e engastado numa peça, se chama peridoto. É diferente. Mais: as cores variam, mais precisamente, entre verde-oliva, amarelo-claro e avermelhada, por causa da oxidação do ferro.

 

 [Texto 12 647]

Léxico: «géiser»

Nada clara

 

      Outro vocábulo que me parece muito mal definido é géiser/gêiser: «GEOLOGIA fonte quente cuja actividade se caracteriza pela projecção no espaço, com intervalos regulares, de jactos de água e vapor». Muito pouco informativo, e até ambíguo. «Tipo di sorgente termale caratteristica di regioni vulcaniche quiescenti, da cui a intermittenza fuoriesce, in forma di getti violenti e, talora, altissimi, acqua (di origine per lo più freatica e surriscaldata da gas iuvenili) contenente in genere sostanze varie (come silice, idrogeno solforato), che, ricadendo al suolo, lascia spesso un deposito opalino biancastro di geyserite» (in Treccani).

 

 [Texto 12 646]

De Macintosh a Mac

Não é assim

 

      MacOS, pode ler-se num texto de apoio da Infopédia, é o «nome oficial do sistema operativo da Macintosh». Será mesmo? A empresa chama-se Apple (fundada como Apple Computer Inc. a 1 de Abril de 1976), e não Macintosh. Tudo ligado às maçãs, isso sim. O nome Macintosh, que Steve Jobs quis usar para o seu primeiro computador, pertencia a uma empresa de som profissional. Jobs, audiófilo, con$eguiu convencer a empresa a ceder-lhe o nome, e o resto já conhecemos. Pelo menos alguns de nós. Entretanto, porém, perto da passagem do milénio, a empresa abandonou quase totalmente o nome, passando a designar o seu computador pela redução vocabular (já usada também para a variedade de maçãs que esteve na sua origem) Mac, a ponto de actualmente só haver um vestígio quase oculto do nome anterior: os discos rígidos são designados Macintosh HD.

 

 [Texto 12 645]

Léxico: «sextilião»

É muito mais

 

     «Segundo os cientistas, a temperatura média dos oceanos aumentou no ano passado em cerca de 0,075 graus centígrados [sic] face à média de 1981-2010. Para atingir essa temperatura o oceano terá absorvido 228 sextiliões (228 seguido de 21 zeros) de joules de calor» («Oceanos atingem temperaturas mais altas na história da Humanidade», Rádio Renascença, 13.01.2020, 21h52).

      Isso é no Brasil, que usa a escala curta na nomenclatura de números grandes. Em Portugal, um sextilião é um milhão de quintiliões, ou seja, a unidade seguida de trinta e seis zeros. Sim, leram bem, trinta e seis zeros: 1 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000.

 

[Texto 12 644]

Léxico: «espalho»

Azar o nosso

 

      «Nada que demovesse uma vontade férrea em competir na maior prova de todo-o-terreno do mundo. Após muitos “espalhos” e recuperações fantásticas, “Speedy” Gonçalves, campeão mundial de ralis de cross-country em 2013, não sobreviveu ao último acidente da sua carreira. Foi ontem nas areias da Arábia Saudita. Completaria 41 anos no dia 5 de Fevereiro» («“Dava espalhos enormes e acabava por continuar”», Paulo Curado, Público, 13.01.2020, p. 34).

      Logo por azar, o dicionário da Porto Editora, que regista este termo popular, não acolhe esta acepção.

 

[Texto 12 643]

Léxico: «zoroastrismo»

Uns pequenos acertos

 

      Sobre o zoroastrismo, lê-se no dicionário da Porto Editora que é a «religião fundada no século VII a.C. por Zoroastro (ou Zaratustra), que se caracteriza pelo culto a Ahura-Mazda (considerado o deus supremo), pela divinização das forças naturais e pela crença em dois princípios antagónicos – o Bem (Ormuzd) e o Mal (Ariman) – que se combaterão até ao fim dos tempos; mazdeísmo». Já por aqui andámos. Começava por separar o nome: Ahura Mazda. Não pretendo que num dicionário se diga que gostava de cães, mas não de gatos, isso não, mas não era pedir muito que se situasse o espaço em que tudo decorreu: apesar de se ter estendido da Grécia à Índia, o zoroastrismo nasceu na Pérsia, e creio que no século VI a. C., e não século VII. Também seria útil e adequado dizer-se que era uma religião monoteísta (que muito influenciou as três grandes religiões do Ocidente, cristianismo, judaísmo e islamismo) e que ainda sobrevive actualmente na Índia — e aqui remetia-se para os Parses.

 

[Texto 12 641]