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Linguagista

Léxico: «pitaia»

Ainda ninguém se lembrou...

 

      «Nem a geada nem as temperaturas negativas impediram João Gomes, agricultor de 70 anos, de começar a produzir frutas vindas do Brasil na Serra da Estrela. [...] É preciso ver para crer que, em Nabais, com vista para a Serra da Estrela, nasçam pitaias, anonas, goiabas, abacates e mais frutas tropicais. “É um vício isto”, assume à Renascença João Gomes» («Há fruta tropical a nascer na Serra da Estrela», Liliana Carona, Rádio Renascença, 15.01.2020, 9h52).

     É inacreditável como ainda não está em nenhum dos nossos dicionários. Os falantes é que não podem esperar.

 

[Texto 12 656]

Léxico: «sarcopenia»

Quem a quer?

 

      «Pedro Sousa-Victor [investigador principal do Instituto de Medicina Molecular (IMM) João Lobo Antunes] pretende testar a regeneração do tecido muscular, que se perde com o envelhecimento, causando nomeadamente dificuldades de mobilidade, recorrendo ao transplante de células estaminais e à manipulação de uma molécula natural, a MANF, cuja diminuição no organismo está associada à perda de massa e força muscular com a idade (sarcopenia)» («Cientista português recebe 150 mil euros para estudar rejuvenescimento muscular», TSF, 15.01.2020, 11h14).

 

[Texto 12 655]

Léxico: «pneumoencefalógrafo»

Dispersão e ausência

 

     Uns estão aqui, outros ali e alguns em lado nenhum. Assim, se o Dicionário de Termos Médicos da Porto Editora até regista pneumoencefalografia/pneumencefalografia, não acolhe o nome do aparelho, pneumoencefalógrafo. Se encefalógrafo está no dicionário geral, ecoencefalógrafo está no dicionário especializado. Porquê?

 

[Texto 12 654]

Definição: «frenologia | craniologia»

Como as sinapses

 

      Porto Editora, dizes que a frenologia/frenologismo é a «antiga e desacreditada teoria científica que considerava a conformação e as protuberâncias do crânio como indicativas das faculdades ou aptidões mentais do indivíduo; frenologismo». Esta pseudociência, porém, não pretendia conhecer, pela forma do crânio, apenas as aptidões ou faculdades dos indivíduos — mas também o próprio carácter. (Assim, a título de exemplo, a fidelidade conjugal era revelada pela forma do crânio atrás das orelhas...) Mais uma vez, não fazes as remissões necessárias, como, por exemplo, para craniologia, que defines como o «estudo dos crânios [sic], em correlação com a ocorrência de aptidões e instintos dos indivíduos». Faltam aqui umas palavrinhas: mais uma pseudociência. As remissões nos dicionários — toma nota — são como que as sinapses no nosso cérebro.

 

[Texto 12 653]

Léxico: «intervencionista»

Está a precisar de uma intervenção

 

      Ali estavam, mãe e filho, perante um eminente neurorradiologista intervencionista. A vida do filho estava nas mãos daquele homem ainda jovem e bem-falante. E agora? Bem, agora podemos ter aqui um problema, porque os primórdios da neurorradiologia intervencionista vamos encontrá-los lá no começo dos anos 60 (agradeçam ao Dr. Alfred Luessenhop, neurocirurgião norte-americano, 2009), e o dicionário da Porto Editora nos anos 20 de outro século nada diz sobre isto.

 

[Texto 12 652]

Línguas da Suíça

Babel suíça

 

      «Como se diz “reviravolta” em suíço?» (Carlos Calaveiras, Rádio Renascença, 14.01.2020, 20h10).

      E «parvoíce» em angolano, como se diz? Carlos Calaveiras fica agora a saber que não há nenhuma língua suíça. «As línguas oficiais são o francês, o alemão e o italiano. Existe ainda uma quarta língua oficial, o romanche, falada por 1% da população», lê-se na Infopédia. Não é bem, bem assim. Na Suíça há três línguas oficiais (alemão, francês e italiano) e quatro ou cinco línguas nacionais (romanche, ieniche, bávaro, franco-provençal, ou arpitano, e valser). O romanche, em acentuada regressão no número de falantes, é conhecido por vários nomes. Veja-se como são tratados no dicionário da Porto Editora: rético remete para ladino; ladino remete para rético e reto-romano; reto-romano remete para ladino; romanche remete para grisão; grisão remete para romanche. Bávaro nem sequer figura como dialecto ou língua naquele dicionário, e arpitano, ieniche e valser foram esquecidos de todos os nossos dicionários.

 

[Texto 12 650] 

Léxico: «desvernalização»

É o contrário

 

   É verdade que registas vernalização (embora não concorde inteiramente com os termos em que está redigida a definição), mas não acolhes o antónimo, desvernalização. Não concordo porque a vernalização, tal como praticada e defendida pelo estúpido Lysenko, que fora beber inspiração no já então desacreditadíssimo lamarckismo, não era exactamente isso que dizes. Estuda-me isso bem.

 

[Texto 12 649]