04
Fev 20

«Digite os caracteres»

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      Houve outras coisas que pioraram, mas já falaremos delas amanhã. Para já, só queria chamar a atenção para isto: embora o comentasse ontem aqui, queria dizer à Porto Editora que o símbolo de centimorgan não se grafa em itálico, mas, ao tentar mandar alguma sugestão ou comentário, ficamos bloqueados no ponto em que nos mandam digitar os caracteres — porque estes não aparecem. Ai os informáticos...

 

[Texto 12 766]

Helder Guégués às 11:45 | comentar | favorito

Léxico: «vascaíno»

No Brasil, sim, mas...

 

      «Curiosamente, também o jogo do pedra-papel-tesoura cumpre a função de separar algo – neste caso, duas ou mais pessoas de eventuais conflitos, resolvendo-os a brincar como fariam as crianças. De origem tão japonesa como as tesouras de Hirakawa ou Sakamoto, o jankenpon (nome oficial da brincadeira) assenta na regra de que o papel (mão aberta) ganha sempre à pedra porque a embrulha; a tesoura (dedos indicador e médio esticados em V) ganha ao papel porque o corta; e a pedra (o punho fechado) ganha à tesoura porque a parte. E foi assim que no duelo da última jornada entre os clubes Vasco da Gama e Chapecoense, em dezembro de 2019 no Brasil, três jogadores vascaínos decidiram com o pedra-papel-tesoura quem marcava um livre direto» («Tesouras. Uma história com 3500 anos», Ana Pago, Diário de Notícias, 3.02.2020).

      Bem sei que diz respeito ao Brasil, mas se aparece na imprensa portuguesa, tem de ir para os dicionários.

 

[Texto 12 765]

Helder Guégués às 09:45 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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Léxico: «fintech»

Atrasados também nisto

 

      «Isto, numa altura em os chamados bancos incumbentes enfrentam a concorrência crescente das fintech e das bigtech (grandes empresas tecnológicas, como Amazon, Facebook, Google ou Apple que também prestam serviços financeiros)» («CGD e BCP encarecem carregamentos no Revolut com cartão de crédito», Rosa Soares, Público, 3.02.2020, p. 26).

      Claro que são as fintechs e as bigtechs, mas a generalidade dos jornalistas portugueses faltaram às aulas em que se ensinou o plural. Entretanto, fintech, usada quase diariamente na imprensa, ainda não está nos nossos dicionários. Incumbente, neste sentido, está no dicionário da Porto Editora: «ECONOMIA gíria que ou empresa que detém uma quota de mercado maioritária ou dominante». Quanto a bigtech, é tão pouco usada entre nós, que nada devemos fazer, por enquanto.

 

[Texto 12 764]

Helder Guégués às 09:30 | comentar | favorito
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Léxico: «pressão negativa»

Todos os dias se fala nela

 

      «Nos serviços de doenças infecciosas do Curry Cabral e do S. João, há quartos de pressão negativa (com sistemas de ventilação que não permitem que o ar escape), onde os doentes ficarão internados até chegarem os resultados das análises do Insa [na verdade, INSA, Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge]» («Vinte repatriados ficam em quarentena e sem visitas», Alexandra Campos, Público, 3.02.2020, p. 17).

      No dicionário da Porto Editora, há várias pressões, mas não esta, de que estamos a ouvir falar há já vários dias.

 

[Texto 12 763]

Helder Guégués às 09:15 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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Léxico: «detenção civil»

Sempre atrasados

 

    «Conceição Valdágua, que falava nas jornadas de Direito dos Animais que terminaram na sexta-feira na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, defende ainda que quando não for possível recorrerem a agentes da autoridade os próprios civis têm o direito de agir, detendo quem está a praticar maus tratos a animais. É a chamada “detenção civil”, que está de resto prevista na lei para as situações de flagrante delito em que estejam a ser cometidos crimes puníveis com prisão» («Polícias devem responder em tribunal quando se recusam a socorrer animais, diz jurista», Ana Henriques, Público, 3.02.2020, p. 20).

      Estamos sempre atrás: em dicionários de língua inglesa, vamos encontrar a locução citizen’s arrest: «an arrest made by an ordinary member of the public, not a police officer» (in Cambridge Dictionary).

 

 [Texto 12 762]

Helder Guégués às 09:00 | comentar | favorito
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Plural: «guardião»

Será útil

 

      «Mas havia expressões ridículas, desactualizadas, que atravessavam séculos, como guardiães de princípios que não significavam nada. Primum non Nocere» (O Vento Assobiando nas Gruas, Lídia Jorge. Alfragide: Publicações Dom Quixote, 2.ª ed., 2012, p. 359).

      Vá lá, Porto Editora, sê boazinha e indica os plurais de guardiãoguardiães e guardiões. Eu não recomendo este último, mas Vasco Botelho de Amaral não o rejeita.

 

[Texto 12 761]

Helder Guégués às 08:45 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «capista»

Aqui não há clérigos

 

      Escreveu-me ontem à tarde a ***: «Ui, só agora vi que o capista não compôs na badana da capa o texto que já existe. Depois enviarei novamente a capa.» Porto Editora, pensava que também percebias alguma coisa de artes gráficas, ou estarei enganado? É que, para ti, capista é somente o «clérigo que assiste, revestido de capa, ao capitulante, quando este recita o ofício».

 

[Texto 12 760]

Helder Guégués às 08:30 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «amarelar»

Mais atenção

 

      «“Foi um jogo muito equilibrado e disputado, mais do que da Taça da Liga. Qualquer uma das equipas podia ter ganho e acabámos por ser nós a sofrer o golo quando podíamos ter marcado também. Ao minuto 51, tive de trocar o Acuña porque tínhamos quatro dos cinco defesas amarelados e qualquer toque podia levar um dos nossos jogadores para a rua”, começou por dizer Silas, abordando ainda as palavras de Luís Neto, que considerou a arbitragem “uma vergonha”» («Silas: “O árbitro estava com um ímpeto diferente para o Sporting”», Sofia Esteves Teixeira, Jornal de Notícias, 2.02.2020, 20h53).

      Quantas vezes não ouvimos já que o jogador tal foi amarelado? É do futebolês, decerto, mas se é usado com frequência nos meios de comunicação — ontem de manhã ouvi-o num noticiário da Antena 1 —, temos de o dicionarizar, ou estaremos a prestar um mau serviço aos falantes.

 

[Texto 12 759]

Helder Guégués às 08:15 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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04
Fev 20

O calendário chinês

E os erros dos jornalistas portugueses

 

      «O banco central chinês anunciou a injecção de cerca de 156 mil milhões de euros na economia do país para garantir a liquidez dos mercados, que vão reabrir amanhã, depois da pausa do ano lunar, que foi estendida por causa da crise do coronavírus» (Eduarda Maio, noticiário das 10h00, Antena 1, 2.02.2020).

      Se quisermos rigor, não é com um jornalista que devemos falar. Este ano, a pancada deu-lhes para falar no «Ano Novo Lunar». Decerto, a versão de Eduarda Maio ainda é pior — devia dizer simplesmente «depois da pausa do Ano Novo». Acrescentar que é lunar (que não é, o calendário chinês é lunissolar) é misturar o que se não deve misturar.

 

[Texto 12 758]

Helder Guégués às 08:00 | comentar | favorito
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