05
Fev 20

Léxico: «físico-matemático»

Oh, diacho

 

   «O físico-matemático Roger Penrose [n. 1931] caracteriza a teoria da complexidade como...» Pára, pára: o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora nem sequer como adjectivo acolhe físico-matemático. «Podem distinguir-se, em primeiro lugar, “saltos lógicos para cima”, cujo paradigma é a construção de modelos físico-matemáticos de fenómenos» (Ensinar e Estudar Matemática em Engenharia, Jorge André. Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra, 2008, p. 68).

 

[Texto 12 774]

Helder Guégués às 09:45 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «azoto | nitrogénio»

Assim não

 

      Isto de em nitrogénio não se remeter para azoto, no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, pode não ser muito boa ideia. Em azoto, porém, já se indica nitrogénio como sinónimo. A imposição da IUPAC (União Internacional de Química Pura e Aplicada) da escolha de um único nome no mesmo país não chega evidentemente para resolver a questão. Quem escolhe? Os de Coimbra querem A e os de Lisboa querem B — e o falante comum fica entalado?

 

[Texto 12 773]

Helder Guégués às 09:30 | comentar | ver comentários (1) | favorito

Léxico: «contenção | mitigação»

Um tudo-nada obscuro

 

      Sobre o verbete contenção, no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, duas notas: a acepção 5 deixará muita gente com a cabeça à roda: «variante de contensão, por flutuação ortográfica entre homónimos; grande esforço do espírito para adquirir um conhecimento ou remover uma dificuldade». Não é o único problema, mas nem sequer se perceber de imediato que se trata de uma observação metalinguística não o recomenda. Está também dicionarizada uma acepção da medicina: «conjunto dos meios usados para manter na devida posição ossos fracturados, órgãos deslocados, etc.». E a epidemiologia? «“Neste momento, estamos numa fase que em epidemiologia se diz que é a fase de contenção e nesta fase não está de todo indicado os cidadãos usarem de forma alargada este tipo de máscara”, reiterou [a enfermeira Goreti da Silva, do Programa Nacional de Prevenção e Controlo de Infeções e das Resistências aos Antimicrobianos (PPCIRA), da DGS]. No caso de se passar da fase de contenção para a fase de mitigação “as regras serão outras”, adiantou a enfermeira» («DGS esclarece que não é necessário uso de máscaras em Portugal», Lusa/TSF, 4.02.2020, 18h00).

 

[Texto 12 772]

Helder Guégués às 09:15 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Gíria prisional

Para nos entendermos

 

      Ramona, por sugestão minha, foi registado no dicionário da Porto Editora em Janeiro de 2019. Pois, mas faltam muitos termos e expressões da gíria prisional como arrego, cadastrola, cair a chapa, chicha, cobaia, conto, espeto, manco, micha, papagaio, piranha, entre outras. É mais fácil encontrarmos na internet listas com gíria prisional brasileira do que portuguesa. Alguma coisa está mal.

 

[Texto 12 771]

Helder Guégués às 09:00 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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«Neuropatologista», blá-blá-blá

A isto me referia ontem

 

      António Lobo Antunes diz a George Steiner que o seu pai era «neuropathologue», blá-blá-blá; vamos ao dicionário da Porto Editora e encontramos «neuropatologista» — mas podia não estar lá, como sucede com outros termos muito mais comuns. Fazer isto, porém, serviu para me certificar do que já sabia: antes, clicávamos na palavra nuclear da definição, no caso, «neuropatologia», e íamos para o verbete. Deixou de ser assim. Se queremos consultar outro verbete, temos de escrever a palavra. Nada de facilidades. Fica mais uma vez provado que nem todas as mudanças são para melhor.

 

[Texto 12 770]

Helder Guégués às 08:45 | comentar | favorito

Ortografia: «cerebrocardiovascular»

Ainda acertam

 

      «“Não obstante o decréscimo verificado nos últimos anos, as doenças cérebro-cardiovasculares continuam a ser a principal causa de morte em Portugal e a esperança de vida saudável aos 65 anos de idade é inferior à média europeia” sublinham os investigadores» («68% da população apresenta dois ou mais fatores de risco para doenças cardiovasculares», Rádio Renascença, 4.02.2020, 6h47).

      Eu também o sublinho, mas com a esferográfica vermelha: a grafia é cerebrocardiovascular.

 

[Texto 12 769]

Helder Guégués às 08:30 | comentar | favorito
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Léxico: «pré-obeso | pré-obesidade»

São conceitos

 

      «Mais de metade dos portugueses são obesos ou pré-obesos e 43% têm hipertensão arterial, conclui um estudo divulgado esta terça-feira que mostra que a população portuguesa controla mal os seus fatores de risco para doenças cérebro e cardiovasculares» («68% da população apresenta dois ou mais fatores de risco para doenças cardiovasculares», Rádio Renascença, 4.02.2020, 6h47).

      Saímos de casa (mas há quem não precise) e temos esse triste espectáculo que não queríamos ver, a insultuosa desarmonia corporal. Há, decerto, vários factores e casos patológicos, mas não quererem mexer o cu ajuda sobremaneira. Ora, e nos dicionários? Nada. Trata-se de conceitos, mas foram esquecidos. Na pré-obesidade, lembre-se, os valores de IMC situam-se entre os 25,0 e 29,9 kg/m2.

 

[Texto 12 768]

Helder Guégués às 08:15 | comentar | favorito
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05
Fev 20

Léxico: «braco»

Quase braço

 

      «O vencedor da edição de 2014 não foi um cão mas um sapo que, provavelmente revoltado por o terem engaiolado, comeu as pedrinhas que ali tinham posto para lhe amenizar o cárcere. O segundo colocado foi um braco alemão de pêlo curto que surripiou duas espetadas de um churrasco e acabou com um dos espetos no estômago» («O cão que comeu a Internet», Ricardo Garcia, Público, 31.05.2015, p. 17).

 

[Texto 12 767]

Helder Guégués às 08:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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