14
Fev 20

Léxico: «taxa de ataque»

Merecemos saber

 

      «De acordo com Leung [epidemiologista], nesta entrevista ao Guardian, a maior parte dos especialistas acredita que cada pessoa infetada pode transmitir o coronavírus a cerca de 2,5 pessoas. O que resulta numa taxa de ataque de 60 a 80 por cento» («Cenário extremo. Coronavírus pode infetar 60% da população mundial se não for controlado», Alexandre Brito, RTP, 11.02.2020).

 

[Texto 12 819]

Helder Guégués às 10:00 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Pimenta no c***

Nada cristão, mas humano

 

      Pergunta a jornalista Clara Soares a Tiffany Watt Smith, historiadora cultural na área das emoções: «O que a levou a estudar a emoção de comprazer-se com o mal dos outros? Algo que em Portugal se aproxima da expressão “pimenta no cu dos outros para mim é refresco”?» («“Sentir prazer com a desgraça dos outros é uma emoção humana bastante comum”», Clara Soares, Visão, 3.11.2019, 19h20). A historiadora ficou toda divertida e quis anotar a expressão. Exactamente com esta formulação — mas há sempre, dado transmitir-se por tradição oral, variantes — não a conhecia, mas aproximada. José Pedro Machado, no Grande Livro dos Provérbios (Lisboa: Editorial Notícias, 1996), regista algumas: Pimenta no cu da gente é refresco no cu dos outros. Pimenta no cu dos outros não arde. Pimenta no olho dos outros é refresco. Pimenta no rabo (cu) dos outros não arde. Pimenta nos olhos dos outros não arde.

 

[Texto 12 818]

Helder Guégués às 09:45 | comentar | favorito
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Imperfeito de cortesia

Pelo menos isso

 

      Na terça-feira, ouvi a emissão do programa Jogo da Língua. Há uma novidade, e boa: a Antena 1 já não disponibiliza, ou pelo menos eu não encontro, os podcasts das emissões. Sempre são menos uns erros no éter. E por erros, já conhecem a minha teoria: quando eu ouço o programa, há lá erros. Uma espécie de erros quânticos, mas ao contrário: se eu espreito, há erro. Desta vez, era uma professora do ensino básico a participante. Em plena aula?! Não é preciso sujeitá-la a um processo disciplinar, bastou o castigo (se o foi para ela) de errar algo absolutamente básico: numa frase como «Queria um maço de tabaco, se faz favor» (não era esta a frase, mas apenas a estrutura), respondeu erradamente à pergunta sobre qual era o tempo e o modo da forma verbal «queria». Filomena Crespo, que, quando lhe apetece, quando simpatiza ou quando está bem-disposta, ajuda, apiedou-se e obrigou-a a mudar a resposta. E a «especialista», que disse? Devia começar por ensinar que se trata do chamado imperfeito de cortesia, mas só nos últimos segundos lhe saiu uma forma trapalhona, desvirtuada, de o dizer: trata-se, afirmou, de «cortesia linguística». E ainda falou, só para atrapalhar, no condicional, mas mais vale esquecer essa parte. É o que temos.

 

[Texto 12 817]

Helder Guégués às 09:30 | comentar | favorito
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Léxico: «psicogeriátrico»

Então, a meio caminho?

 

      «Perante os muitos pedidos de ajuda para cuidar de pessoas com problemas mentais a partir dos 65 anos, a Clínica Psiquiátrica de São José, das Irmãs Hospitaleiras, em Telheiras, decidiu abrir a 6 de fevereiro a Unidade de São Rafael de Cuidados Psicogeriátricos» («Lisboa tem nova Unidade de Cuidados Psicogeriátricos», Liliana Monteiro, Rádio Renascença, 11.02.2020, 12h11).

      Força, Porto Editora: psicogeriatria já tu tens, agora é só mais um esforçozinho e terás também psicogeriátrico.

 

[Texto 12 816]

Helder Guégués às 09:15 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «calcanheira»

Não é apenas isso

 

      A D. *** comprou calcanheiras de pele de borrego (olá, PAN) e látex. Na base, têm um autocolante que as fixa firmemente nos sapatos. Na embalagem, pode ler-se que absorvem até 98 % do impacto e que servem, por exemplo, para prevenir o esporão no calcanhar, entre outros problemas. Também há, por exemplo, calcanheiras antiescaras. Para o dicionário da Porto Editora, calcanheira é somente a «parte do calçado ou meia que se adapta ao calcanhar». Ora, temos de considerar aquelas calcanheiras verdadeiras ortóteses; não são parte do calçado — acrescentam-se ao calçado.

 

[Texto 12 815]

Helder Guégués às 09:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Como se escreve por aí

É assim

 

      «O Fine Gael (FG, Família Irlandesa, liberal) de Varadkar ficou em terceiro (22%, 35 lugares), o que deve ditar a queda daquele que foi o primeiro chefe de Governo irlandês de origem imigrante (o pai é indiano) e homossexual, num país tendencialmente conservador e católico. “Parece que agora temos um sistema de três partidos... e isso vi dificultar bastante a formação do Governo”, admitiu Varadkar, no poder desde 2017. Vale a pena ler este artigo de Fintan O’Toole, um dos melhores colunistas irlandeses, no “Irish Times”» («Eles próprios, mas quem são eles?», Pedro Cordeiro, editor da Secção Internacional, Expresso Curto, 11.02.2020).

 

[Texto 12 814]

Helder Guégués às 08:45 | comentar | favorito
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Léxico: «água lisa»

Vá a outro balcão

 

      «No final dessa tarde, Virgílio pediu uma água lisa» (Os Dez Livros de Santiago Boccanegra, Pedro Marta Santos. Alfragide: Teorema, 2016, p. 41).

      Se estivesse ao balcão da Porto Editora, não valia a pena pedir uma água lisa — não sabem o que é. Já uma vez me perguntaram o que significava a expressão. E já repararam em como para o vinho sem gás se diz tranquilo? Não foi fácil, mas também já está dicionarizado.

 

[Texto 12 813]

Helder Guégués às 08:30 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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«Molho de brócolos»

Esta tem-me escapado

 

      «Preferindo não comentar se é boa ou má a decisão do Parlamento, apesar de admitir que é um absurdo parar tudo nesta altura do processo, o bastonário dos engenheiros lamenta que nunca tenha estado em discussão pública o plano estratégico de desenvolvimento do metro. Agora, “como diz o povo, temos aqui um molho de brócolos” com a decisão dos deputados, refere» («Ordem dos Engenheiros avisou há dois anos que obra do Metro de Lisboa era um erro», Nuno Guedes, TSF, 11.02.2020, 7h35).

 

[Texto 12 812]

Helder Guégués às 08:15 | comentar | favorito
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14
Fev 20

Léxico: «provador»

Ah, é só de vinhos?...

 

      «Estas mulheres são as provadoras do Führer e estão ali para se certificarem de que este não é envenenado» («Dez mulheres à mesa com o ‘Lobo’», Sónia Dias, «Sexta»/Correio da Manhã, 7-13.02.2020, p. 32). É acepção que falta em muitos dicionários. Para não ir mais longe, no dicionário da Porto Editora.

 

[Texto 12 811]

Helder Guégués às 08:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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