19
Fev 20

Como se escreve por aí

De qualquer maneira

 

      E desta vez foi assim: «A China decidiu mudar a maneira como estava a contabilizar o número de infectados com Coronavírus (aka Covid-19) e assim somou de um momento para o outro mais de 15 mil novos casos aos quase 50 mil já identificados. Começa a entrar-se em território perigoso a nível político, com os EUA a acusarem Pequim de “falta de transparência” e a porem em causa a “honestidade” das autoridades chinesas» («Tão amigos que nós éramos», Cristina Figueiredo, editora de Política da SIC, Expresso Curto, 14.02.2020).

 

[Texto 12 844]

Helder Guégués às 09:45 | comentar | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas: ,

Léxico: «laringofaringite»

Espanto-me sempre

 

      Ouvi já esta semana que um futebolista estava com laringofaringite. (As melhoras.) A Porto Editora não tem esse problema: tem laringofaringe, mas não laringofaringite. Nunca compreenderei estas lógicas.

 

[Texto 12 843]

Helder Guégués às 09:30 | comentar | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas: ,

Léxico: «rusga»

Aqui não há polícia

 

      «Com a presença de dezenas de produtores nacionais e expositores de produtos regionais e artesanato, durante os dias em que decorre a feira o Pavilhão de Feiras e Exposições será invadido por sabores fortes e aromas condimentados, aos quais se somam rusgas, arruadas, workshops, showcookings, provas de vinho e muita animação» («Delícias do sarrabulho. Ponte de Lima», Rogério Chambel, «Sexta»/Correio da Manhã, 31.01-6.02.2020, p. 40).

      Parece que todos os nossos lexicógrafos têm de consultar a página 85 do 1.º volume da obra Artesanato Tradicional Português: Costa Verde, de Eglantine Morais de Lima e Rui de Abreu de Lima (Lisboa: Secretariado de Lisboa Capital do Artesanato, 1995) para saberem o que são rusgas populares. Vá mais um exemplo, para solidificar: «Madalena Valente tinha seis anos quando surgiu a Feira das Colheitas e lembra-se de ficar deslumbrada com o viço das hortaliças, com o tamanho dos melões e melancias que só nessa data via à venda, com os aplicadores de agrafos em cerâmica partida, os panos de Esmoriz, o despique entre rusgas e bandas, os carrosséis de cadeiras no ar e as donzelas aprumadas junto aos carrinhos de choque» («Arouca. Há uma Feira das Colheitas, das memórias e da identidade», Alexandra Couto, «Fugas»/Público, 29.09.2019, p. 15).

 

[Texto 12 842]

Helder Guégués às 09:15 | comentar | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas: ,

Léxico: «paliativista»

Vem mesmo a calhar

 

      Vá, Porto Editora, mostra que estás mesmo atenta. «O presidente da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos (APCP) disse esta terça-feira que o Presidente da República partilha a opinião de que o investimento no setor “será sinónimo de uma sociedade moderna”, considerando Marcelo o “paliativista número um”» («Associação de Cuidados Paliativos chama a Marcelo “paliativista número um”», TSF, 18.02.2020, 18h55).

 

[Texto 12 841

Helder Guégués às 09:00 | comentar | favorito
Etiquetas: ,

Léxico: «crampão»

E quem sabe, afinal?

 

      «Foi num dia de Inverno bem ensolarado. Magnífico. Levava tudo comigo. Mochila com muita comida. Botas duras de montanha com crampões, cordas, um pico, roupa de abrigo e impermeável, luvas, óculos e esquis de travessia» (Três Vidas ao Espelho, Manuel da Silva Ramos. Alfragide: Publicações Dom Quixote, 2011, p. 82).

      Ah, não sei de nada, não sou montanhista. Vendo bem, sei alguma coisa: até em algumas lojas portuguesas de material para montanhismo vejo que se usa crampão e não crampon. Aportuguesaram, e bem, a palavra. Não é o mais natural? Os lexicógrafos que pensem nisto.

 

[Texto 12 840]

Helder Guégués às 08:45 | comentar | ver comentários (2) | favorito
Etiquetas: ,

Léxico: «bucim»

Acham que é só isso?

 

      Um electricista está ali na garagem a instalar uma tomada Green Up da Legrand para carregamento de um carro eléctrico. (Não, não é para mim: o meu vai ter uma wallbox oferecida pelo concessionário. Mas estas tomadas são uma boa solução.) Diz ele que não precisa de um disjuntor. Observemos mais de perto. «Esta parte aqui da tomada chama-se bucim.» Ou seja, um bucim (vejam aqui bucins de vários materiais na Robert Mauser) não é apenas o que lemos nos nossos dicionários. Na verdade, sobretudo nas instalações eléctricas das garagens não faltam bucins.

 

[Texto 12 839]

Helder Guégués às 08:30 | comentar | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas: ,

Léxico: «fluxão»

Contra a matemática?

 

      Então a tradutora fingiu esquecer-se de pôr fluxion em português. Acontece. Não terá sido pela dificuldade. Até o encontramos no Dicionário de Inglês-Português da Porto Editora: «MATEMÁTICA fluxão». O problema — há sempre problemas, esquecimentos, incongruências — é que esta concreta fluxão não a vamos encontrar no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora. Ora bolas.

 

[Texto 12 838]

Helder Guégués às 08:15 | comentar | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas: ,
19
Fev 20

Léxico: «paleogeneticista»

Não devia parar

 

   «O paleogeneticista sueco Svante Pääbo dirigiu o projeto de sequenciação do genoma do Neandertal e conta a história desta descoberta num livro acessível a que não falta uma dimensão pessoal» («Médicos Católicos alertam que eutanásia e suicídio assistido “não são tratamentos médicos”», Luís M. Faria, «Revista E»/Expresso, 1.02.2020, p. 64).

      O dicionário da Porto Editora não reconhece estes profissionais: pára (ou «para», como escrevem os outros) em paleogenética.

 

[Texto 12 837]

Helder Guégués às 08:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas: ,