21
Fev 20

Como se fala por aí

A precisar de ser curada

 

      «“Ao longo de 20 anos muitos doentes já me pediram para morrer”, confessa à Renascença a enfermeira Filipa Pires de Lima, que também já lidou com uma doença que a colocou à prova. “Se as pessoas fossem mais literadas em saúde tinham outra ideia da partida.”» («Eutanásia. “As pessoas não sabem do que se está a falar”», Liliana Monteiro, Rádio Renascença, 17.02.2020).

      À partida, como se pode comprovar, é má ideia, porque depois ficam a falar assim dessa forma completamente esquisita — também a precisar de ser curada.

 

[Texto 12 860]

Helder Guégués às 09:45 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «água-viva-de-cabeça-para-baixo»

Ainda não temos estas

 

      «Por fim, havia uma terceira prova: no laboratório do Museu Nacional de História Natural da Instituição Smithsonian, havia medusas da espécie Cassiopea xamachana, conhecidas como águas-vivas-de-cabeça-para-baixo [upside-down jellyfish] devido ao seu aspecto, que libertavam “nuvens de muco” quando estavam mais agitadas ou durante as suas refeições» («Como as medusas conseguem deixar a “água dormente”», Teresa Sofia Serafim, Público, 17.02.2020, p. 34).

 

[Texto 12 859]

Helder Guégués às 09:30 | comentar | favorito
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Léxico: «cassiossoma»

O básico

 

      «A verdadeira descoberta chegou graças a métodos de imagem mais sofisticados: no muco havia estruturas compostas por milhares de células urticantes que, dentro de si, tinham nematocistos — isto é, armas em miniatura, que contêm cocktails de toxinas presentes sobretudo nos tentáculos. Em forma de concha, essas estruturas, as tais massas celulares chamam-se “cassiosomas”. Podiam ser elas que causavam a “água dormente”. [...] “Cassiosomas são massas celulares altamente organizadas e auto-sustentadas que se libertam no muco das águas-vivas-de-cabeça-para-baixo e de muitas outras espécies de medusas”, descreve [Cheryl Ames, investigadora na Universidade de Tohoku (no Japão)] ao PÚBLICO. Agora, viu-se melhor que essas estruturas contêm células urticantes com veneno» («Como as medusas conseguem deixar a “água dormente”», Teresa Sofia Serafim, Público, 17.02.2020, p. 34).

      Só é pena a jornalista não dominar o básico de ortografia. Veja: karyosomecariossoma. Logo, cassiosomecassiossoma. Mas que digo eu? Dito assim, até parece que é necessário saber inglês. Nada disso: qualquer criança no 1.º ciclo conhece a regra e sabe aplicá-la.

 

[Texto 12 858]

Helder Guégués às 09:15 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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«De candeias às avessas»

Será boa ideia?

 

      «Os investimentos da empresária angolana em Portugal, agora às avessas com a justiça e com contas congeladas, deram um retorno avultado em dividendos e mais-valias» («Portugal já rendeu perto de 500 milhões a Isabel dos Santos», Ana Brito e Luís Villalobos, Público, 17.02.2020, p. 2).

      Primeiro, confesso, não estranhei; depois, porém, reflecti que amputar desta maneira expressões consagradas pode dar mau resultado. Ou não, pois claro: podem surgir variantes. Dentro de vinte anos falaremos de novo sobre isto.

 

[Texto 12 857]

Helder Guégués às 09:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «paineleiro»

Ninguém ajuda esta gente?

 

      «“Dou os parabéns aos jogadores, ao treinador, aos nossos sócios e adeptos, que, infelizmente, ao longo dos últimos anos, sempre que não temos ganho ao Benfica, temos sofrido com críticas”, começou por afirmar o presidente do Braga. “Os nossos sócios dedicam esta grande vitória a esse grupo elitista, sulista e ‘paineleiro’ de comentadores das televisões e colunistas dos jornais”, atirou António Salvador» («António ​Salvador dedica vitória na Luz aos “elitistas, sulistas e paineleiros”», Rádio Renascença, 15.02.2020, 22h13).

      Para nós está tudo bem (bem, pelo menos na generalidade dos casos, já sabemos), mas e os outros, as crianças, os estrangeiros que estão a aprender a nossa língua? Yeo, o coreano meu conhecido, vai ficar perplexo. Como se faltassem termos jocosos nos nossos dicionários...

 

[Texto 12 856]

Helder Guégués às 08:45 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «mirtileiro»

Só marteleiros

 

      «Daniel herdou todas essas terras dos avós, em 2013, e, ao decidir rentabilizar a propriedade até então sem cultivo, apostou em castanheiro e mirtileiros» («Arouca. Há uma Feira das Colheitas, das memórias e da identidade», Alexandra Couto, «Fugas»/Público, 29.09.2019, p. 18).

      Felizmente, não se aconselhou com a Porto Editora, que não conhece os mirtileiros. Só os nada recomendáveis marteleiros.

 

[Texto 12 855]

Helder Guégués às 08:30 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «azulino»

Coisas de Cascais

 

      «Nos interiores, o antigo dono destaca as seis suítes (duas delas no piso inferior para os empregados); as obras de marcenaria especializada; o chão da sala em azulino de Cascais (pedra acinzentada); assim como a boiserie (moldura de parede em madeira) e o pé direito [sic] de quatro metros na mesma área social (adequada para colecionadores de arte, de grandes telas)» («Entrámos no condomínio mais fechado do país», Raquel Lito, Sábado, 14.02.2020, p. 43). Porto Editora, faltam-te duas acepções em azulino.

 

[Texto 12 854]

Helder Guégués às 08:15 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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21
Fev 20

Ortografia: «fluido»

Convicções erradas

 

      «A ausência de gravidade faz com que os corpos dos astronautas percam massa muscular e densidade óssea, os olhos também ficam afetados e fluídos deslocam-se até ao cérebro» («“Banhos a seco” para estudar o corpo humano? A Agência Espacial Europeia procura participantes», Sofia Freitas Moreira, Rádio Renascença, 19.02.2020, 7h49).

      Não sabem escrever nem, naturalmente, pronunciar correctamente a palavra. Nada que uma boa reencarnação não resolva.

 

[Texto 12 853]

Helder Guégués às 08:00 | comentar | favorito
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