03
Mar 20

Léxico: «otoneurologista»

No Dia Mundial da Audição

 

      «[Nuno Trigueiros] O presidente da Associação Portuguesa de Otoneurologia, um ramo que se dedica à relação entre ouvidos e o sistema nervoso central, explica que a perda de audição pode ter efeitos na personalidade do doente e é um fator importante para o aparecimento de demência» («Médicos defendem limite de som nos auscultadores para prevenir surdez entre jovens», Sara de Melo Rocha, TSF, 3.03.2020, 8h05).

      Se o dicionário da Porto Editora regista otoneurologia (já temos sorte não estar aferrolhado no Dicionário de Termos Médicos), não acolhe, contudo, o termo otoneurologista, o que é um erro muito comum neste dicionário. Enfim, alguém não fez, como devia, o seu trabalho.

 

[Texto 12 886]

Helder Guégués às 10:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «lançador»

Só isso!?

 

      «O Sporting confirma a morte de Teresa Machado. A melhor lançadora do atletismo português morreu aos 50 anos» («Atletismo. Morreu a antiga lançadora olímpica Teresa Machado», Rádio Renascença, 28.02.2020, 21h54). Porto Editora, diacho, não podes limitar-te a dizer que lançador é «aquele ou aquilo que lança».

 

[Texto 12 885]

Helder Guégués às 09:45 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «biossonar»

Vamos dar-lhe a mãozinha

 

      No domingo à tarde, na SIC, passou o filme Rampage – Fora de Controlo, com Dwayne Johnson e Jeffrey Dean Morgan, entre outros. A história centra-se em Davis Okoye, um primatólogo reconhecido que... Não interessa. Às tantas, apareceu a palavra «biosonar» — é a esta parte que se refere o «fora de controlo», foi o legendador português que se despistou. Os dicionários, mais uma vez, não ajudam nada, pois não acolhem a palavra — mas não se esqueceram de «ecolocalização».

 

[Texto 12 884]

Helder Guégués às 09:30 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «angioedema»

Não sofres disto, Porto Editora

 

      «Para combater a desinformação, a Direção-Geral da Saúde e a Ordem dos Médicos lançaram um documento com as novas normas de orientação clínica para a doença. Em Portugal, existem entre 250 a 300 pessoas com o angioedema hereditário. No mundo, estima-se que a doença afete cerca de 50 mil doentes» («Angioedema hereditário é uma doença rara, sem cura e praticamente desconhecida», SIC Notícias, 16.01.2020, 8h46).

 

[Texto 12 883]

Helder Guégués às 09:15 | comentar | favorito
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Léxico: «chafardel»

Pronuncia-te

 

      «Assessorados por um chafardel de departamentos de comunicação sem polegares oponíveis, são eles os primeiros a alimentar o ódio tribal, a instigar o desprezo pelo adversário, a cerrar fileiras com violência, transformando o mais belo dos desportos em guerra cega, como orangotangos que batem no peito para clamar vitória» («Planeta dos macacos», Pedro Marta Santos, Sábado, 20.02.2020, p. 85). Porto Editora, pronuncia-te, diz qualquer coisa.

 

[Texto 12 882]

Helder Guégués às 09:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «shisha | hookah | narguilé»

Porque estão ligados

 

      «Os cafés Hookah, onde ocorreram os ataques, são locais onde se fuma tabaco aromatizado em cachimbos de água, característicos do Médio Oriente» («Autoridades alemãs acreditam que tiroteio em Hanau teve motivos xenófobos», Rádio Renascença, 20.02.2020, 9h57).

      De madrugada, quando ouvi a notícia numa rádio espanhola, usaram o termo shisha. O dicionário da Porto Editora até regista o termo, mas com dois defeitos: não o grafa como estrangeirismo nem indica a etimologia. Mais: devia ter remissões mútuas em shisha/hookah/narguilé (narguilhé). Espera, mas nem sequer acolhe o termo hookah...

 

[Texto 12 881]

Helder Guégués às 08:45 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Léxico: «rebuçadeira»

Por dicionarizar

 

      «E não é por acaso que as rebuçadeiras de Peso da Régua vendem os rebuçados nas estações de comboio. A doçaria vai à procura dos sítios onde há gente [afirma Cristina Castro, autora da obra em três volumes Doçaria Portuguesa, publicada pela Ficta Editora]» («“Até em Freixo de Espada à Cinta há um segredo para o pastel de nata”», Catarina Moura, Sábado, 20.02.2020, p. 29).

 

[Texto 12 880]

Helder Guégués às 08:30 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «papeleira»

Com que então móvel...

 

      Já foram instaladas no final de 2018 no centro histórico de Cascais, mas, ainda assim, há pessoas que não repararam nelas: papeleiras inteligentes. Diferem das outras pela capacidade de compactação automática do lixo que é introduzido. This is a smart bin. Claro, tudo bilingue — mas já podia ser em português e em brasilês, tantos são os brasileiros que residem agora em Cascais. O curioso (ou anómalo?) é que nuns se lê que são papeleiras inteligentes, enquanto noutros anunciam tratar-se de caixotes inteligentes. Mais uma lição para a Porto Editora, que em papeleira diz apenas que é o «móvel onde se guardam papéis; secretária». Nada de surpreendente, pois até Abril do ano passado também de bebedouro dizia apenas que era o «vaso ou lugar onde os animais bebem água». Com o tempo, todas estas lacunas estarão preenchidas. Vamos devagar. Ah, também podia passar a registar a locução mobiliário urbano.

 

[Texto 12 879]

Helder Guégués às 08:15 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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03
Mar 20

Léxico: «covid-19 | MERS»

Não é preciso esperar mais

 

      «O escritor Luis Sepúlveda foi diagnosticado anteontem com a Covid-19, levantando preocupações na organização do festival Correntes d’Escritas, na Póvoa de Varzim, em que participou o autor chileno» («Funcionários de autarquia que contactaram com escritor Luis Sepúlveda ficam em casa», Aline Flor, Público, 2.03.2020, p. 15).

      E ainda aparece escrito de outra forma, que nem quero reproduzir. Felizmente, ainda há quem saiba pensar ou, pelo menos, seguir os conselhos de quem sabe: «Segundo informação recolhida entre a OMS, o comité de saúde da China, o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças, e a Universidade de Sevilha, ao nível da mortalidade, o covid-19 está bastante abaixo daquela registada pelo MERS e SARS, outros dois coronavírus, ainda que acima da gripe comum» («“Só mata idosos” ou “já há cura”. Mitos e verdades sobre o covid-19», Catarina Reis, Diário de Notícias, 1.03.2020, 18h20).

    É óbvio que, mais cedo ou mais tarde, a palavra tem de ser dicionarizada. E quanto mais depressa, melhor. Na Infopédia, só vamos encontrar a sigla SARS — ninguém se lembrou da sigla MERS.

 

[Texto 12 878]

Helder Guégués às 08:00 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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