11
Mar 20

Léxico: «lay-off»

Uma das tendências

 

      Porto Editora, tem lá paciência, põe este estrangeirismo aí na tua montra: «O que é o lay-off e quando entra em vigor? Este mecanismo que visa a suspensão temporária do contrato de trabalho ou a redução de temporária do horário já está na lei, mas este regime simplificado – que na prática deverá significar uma aceleração na análise dos processos – vai ser aprovado no próximo conselho de ministro, de quinta-feira» («Coronavírus. Que empresas podem recorrer ao lay-off extraordinário?», Ana Carrilho, Rádio Renascença, 10.03.2020, 23h50, itálico meu).

 

[Texto 12 936]

Helder Guégués às 11:30 | comentar | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas: ,

Léxico: «baião de dois»

Ainda o Brasil

 

      «O restaurante está cheio, há uma banda a tocar bossa nova no rés-do-chão. Escolhe a varanda no primeiro andar. Dá para o Teatro Amazonas, para a banca do Joaquim. “As pessoas pensam que esta destruição é recente, mas começou faz tempo, nos anos setenta”. Pede tambaqui grelhado, farofa na manteiga, baião de dois, uma pimenta, caldo de peixe, e pastel, também de tambaqui» («Manaus, um relato do centro do mundo», Isabel Lucas, «Ípsilon»/Público, 21.02.2020, p. 15).

 

[Texto 12 935]

Helder Guégués às 10:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas: ,

Léxico: «cupuaçu»

Até em telenovelas

 

      Até aparecerá em telenovelas, mas não estavam lá os meus ouvidos atentos: «Vai contando tudo isto em frases curtas, sem esconder o orgulho, e trazendo à conversa expressões, uma ou outra informação sobre a cultura local que vão provocando a curiosidade do interlocutor. “Cê já ouviu falar do X caboquinho? Posso te apresentar um?” E a apresentação vem de imediato. “É um pão com tucumã, queijo e banana e se quiser ainda põe um ovo frito. E aí, com um suco de cupuaçu... dá sono.”» («Manaus, um relato do centro do mundo», Isabel Lucas, «Ípsilon»/Público, 21.02.2020, p. 13).

 

[Texto 12 934]

Helder Guégués às 09:45 | comentar | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas: ,

Léxico: «camelódromo»

Nem sempre se manifesta

 

      «Yakub e Omar são a metáfora da cidade, dois opostos que carregam existência inconciliável. Como o rosto de Yakub, que cicatrizes misteriosas guarda Manaus? Que paralelos podem existir entre essa ferida e as feridas abertas deste “grande camelódromo” em que a cidade se transformou — palavras de Milton —, onde se vende tudo para compor orçamentos escassos, paisagem de abundância sobrevoada por abutres e gente, muita gente, que compra e vende entre o caos de trânsito e pregões num quase mercado árabe a céu aberto junto ao maior porto flutuante do mundo num rio onde a imundície é um grito amazónico de socorro pelo ambiente» («Manaus, um relato do centro do mundo», Isabel Lucas, «Ípsilon»/Público, 21.02.2020, p. 12).

      Porto Editora, e essa tua vocação panlusófona, onde pára ela? É que agora é que mais falta faz.

 

[Texto 12 933]

Helder Guégués às 09:30 | comentar | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas: ,

Léxico: «farolim»

É claro que não

 

      «Montou a bicicleta, que não tinha farolim, e começou a pedalar vigorosamente em direcção à orla marítima — eram já 10 horas da noite» (A Prova Real, Júlio Conrado. Lisboa: Impresso nas Oficinas da Tipografia Leandro, 1963, p. 73).

      Exactamente. Por isso, Porto Editora, não, farolim não é (apenas) como o defines: «cada um dos quatro pequenos faróis, dois dianteiros e dois traseiros, destinados a assinalar, em lugar escuro, a presença de um veículo automóvel».

 

[Texto 12 932]

Helder Guégués às 09:15 | comentar | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas: ,

Léxico: «jubilatório»

Visto de quando em quando

 

   «Rejeitando uma visão jubilatória do presente, quase todos os aspectos da sociedade contemporânea são, para Marcelo, negativos» («Subsídios para o pensamento de Marcelo: Parte I», João Pedro George, Sábado, 4.07.2019, p. 93).

      Está em alguns dicionários e vocabulários, mas não foi, até hoje, registado pela Porto Editora.

 

[Texto 12 931]

Helder Guégués às 09:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas: ,

Léxico: «sobreextensão»

Não se esqueçam disso

 

      Esqueço-me sempre de que o Dicionário de Termos Médicos segue a grafia avariada do AO90. Sendo assim, está correcto «sobre-extensão». O que não está nada bem é não termos sobreextensão no dicionário geral, pois há também acepções sem relação com a medicina: «Paul Kennedy vem chamar a atenção para esta constante e pôr em destaque os seus efeitos perversos. É a sua teoria da sobreextensão estratégica, ou sobreextensão imperial, segundo o qual os impérios tendem a aumentar desmesuradamente o espaço que controlam, aumentando os respectivos encargos, de tal forma que estes acabam por exceder a capacidade das potências para os enfrentarem» (Manual de Geopolítica e Geoestratégia, vol. I, Pedro de Pezarat Correia. Coimbra: Almedina, 2015, p.  331).

 

[Texto 12 930]

Helder Guégués às 08:45 | comentar | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas: ,

Os primeiros computadores

Este mantém-se

 

      «Katherine Johnson, a mulher negra cujo génio matemático a levou de um trabalho na NASA, com muita discriminação à mistura, para um papel fundamental na missão de levar humanos à lua, morreu esta segunda-feira aos 101 anos, anunciou a NASA. [...] Katherine Johnson e a sua equipa de mulheres negras na NASA eram conhecidas como “computadores” quando o termo era usado para pessoas que trabalhavam em computação. A matemática teve uma carreira de 33 anos na agência especial norte-americana. Trabalhou no Projeto Mercúrio e no programa Apollo, que levou pela primeira vez humanos à lua. Johnson foi responsável pelos cálculos que sincronizavam a nave lunar e o módulo de comando em órbita» («Morreu Katherine Johnson, matemática da NASA que ajudou o Homem a chegar à Lua», Inês Rocha, Rádio Renascença, 24.02.2020, 15h57).

      Felizmente, ainda não saiu dos dicionários. A Porto Editora acolhe-o: «aquele que faz cômputos ou cálculos; calculador».

 

[Texto 12 929]

Helder Guégués às 08:30 | comentar | ver comentários (1) | favorito

Primor inexcedível, procura-se

Dos melhores, mas

 

      «Paulo Portas, ex-líder do CDS, recordou Vasco Pulido Valente, que hoje morreu aos 78 anos, como “brilhante colunista político”, a quem deve “uma amizade sem interrupção durante mais de 30 anos”. [...] Além do mais, acrescentou, “escrevia português com um primor inexcedível, o que não é coisa pouca nos tempos que correm”» («Portas recorda amigo e “brilhante colunista político”», TSF, 21.02.2020, 20h06).

      Não é bem assim, admitam: não poucas vezes o excedemos, quer dizer, o corrigimos aqui. Afirmar o contrário só porque morreu seria indigno de qualquer um de nós.

 

[Texto 12 928]

Helder Guégués às 08:15 | comentar | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas:
11
Mar 20

Léxico: «parainfluenza»

Só no VOLP...

 

      «Além dos vírus da gripe, o LNRVG [Laboratório Nacional de Referência para o Vírus da Gripe e outros Vírus Respiratórios] estuda outros vírus respiratórios, como o sincicial respiratório, que é muito frequente e está associado às bronquiolites das crianças, para o qual se está a trabalhar para criar uma vacina, que poderá chegar nos próximos anos, ou o rinovírus, o parainfluenza, o metapneumovírus, o adenovírus, alguns enterovírus de infeção respiratória» («Se o coronavírus chegar a Portugal é este laboratório que vai detetá-lo», Catarina Pires, Diário de Notícias, 8.02.2020, p. 18).

 

[Texto 12 927]

Helder Guégués às 08:00 | comentar | ver comentários (2) | favorito
Etiquetas: ,