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Linguagista

Léxico: «cloroquina»

Onde faz falta

 

      «A busca da cura para novas doenças começa muitas vezes pelo reaproveitamento de medicamentos existentes. Já ouviu falar em cloroquina? Até há uns dias, poderia ser só um nome esquisito para a maioria das pessoas, mas hoje significa, para muitos, uma esperança. [...] O processo está ainda a ser investigado. Na opinião de Robin May, professor de doenças infecciosas da Universidade de Birmingham, a ação pode estar relacionada com um processo chamado “endocitose”, em que o vírus entra no hospedeiro» («Coronavírus. Médicos testam a cura em medicamentos já existentes», Marta Grosso, Rádio Renascença, 20.03.2020, 9h55).

      Porto Editora, não sejas egoísta e põe cloroquina no dicionário geral — sem os erros que vejo agora no verbete do Dicionário de Termos Médicos.

 

[Texto 12 995]

Léxico: «semipresidencialismo» e outros

Nunca pensei

 

      «Marcelo Rebelo de Sousa, constituinte e constitucionalista, tem agora, como Presidente da República, a oportunidade de testar na prática um dos poderes presidenciais mais próximos do presidencialismo no nosso sistema semipresidencialista de acentuado pendor parlamentar/governativo (ou semiparlamentarista, como preferem alguns)» («Marcelo volta a Belém para assumir responsabilidades com o Governo», Leonete Botelho, Público, 18.03.2020, p. 8).

      Eis quatro vocábulos que, para meu máximo espanto, não registas, querida Porto Editora: semipresidencialismo, semipresidencialista, semiparlamentarismo, semiparlamentarista.

 

[Texto 12 993]

Definição: «maxila»

Não o despeçam já

 

      «O grupo alemão Continental vai fechar uma das fábricas que tem em Portugal. Trata-se de uma unidade situada no concelho de Palmela, que produz há 25 anos maxilas para travões dianteiros» («Continental fecha fábrica em Palmela e despede 370 trabalhadores», Victor Ferreira, Público, 18.03.2020, p. 33). Maxilas para travões dianteiros... Hum... Maxila no dicionário da Porto Editora: «MECÂNICA peça existente em certos sistemas de travagem de veículos motorizados, localizada no eixo traseiro do veículo, no interior do tambor do travão».

 

[Texto 12 992]

Léxico: «cremonês»

De Cremona

 

      «Estaria trabalhando ainda nessas ou noutras obras o artista cremonês quando, em 19 de Fevereiro de 1539, a Câmara do Porto colheu a sua opinião? Impossível nos é, por enquanto, responder» (Estudos Portuenses, Vol. 2, Artur de Magalhães Basto. Porto: Biblioteca Pública Municipal, 1, 1963, p. 74). Pois, não é apenas cremonense.

 

[Texto 12 990]

Léxico: «pinheiro-larício»

É outro

 

      «O viajante comum, apegado ao volante, volta à esquerda, volta à direita, entre cortinas cerradas e macias de cedros do Buçaco, de abetos, de pinheiro larício, de um ou outro tufo de carvalho pirenaico, e julga que a montanha é só isto: isto é, uma espécie de amável contrafacção do parque de Versalhes, sem palácio nem estátuas» (Ares de Trás-os-Montes, Sant’Anna Dionísio. Porto: Lello & Irmão, 1977, p. 78).

      O pinheiro-larício (Pinus nigra) não está no dicionário da Porto Editora, que, contudo, regista larício (que é, ao mesmo tempo, a designação comum extensiva às árvores do género Larix e o nome comum da árvore caducifólia Larix decidua).

 

[Texto 12 989]

Léxico: «pálio»

Não parede, mas estrutura

 

      «Até há cem anos, não se sabia que as aves possuíam algum tipo de inteligência complexa porque se pensava que não tinham córtex. Entretanto, descobriu-se que têm uma zona equivalente ao córtex chamada “pálio”» («Os papagaios também conseguem compreender probabilidades», Teresa Sofia Serafim, Público, 9.03.2020, p. 32-33).

      Pálio, numa acepção aproximada, está no dicionário da Porto Editora: «ANATOMIA parede dos ventrículos laterais do cérebro dos mamíferos». Aproximada apenas, porque, de facto, essa região do cérebro das aves chamada pálio corresponde ao córtex.

 

[Texto 12 988]

Léxico: «papagaio-da-nova-zelândia»

E agora um papagaio

 

    «O papagaio-da-nova-zelândia (Nestor notabilis) até é mais conhecido como kea, um nome de origem maori (povo indígena da Nova Zelândia) que descende do som mais comum que esta espécie faz — “kiiii-a”. Em cativeiro pode viver entre 40 e 50 anos e na natureza até 30 anos. Neste momento, está classificado como “em perigo” pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), existindo cerca de 4000 indivíduos adultos» («Os papagaios também conseguem compreender probabilidades», Teresa Sofia Serafim, Público, 9.03.2020, p. 32).

 

[Texto 12 987]