24
Mar 20

Definição: «respirador»

É claro que não

 

      «Além das máscaras cirúrgicas, de proteção unidirecional, existem também as FFP2 e FFP3 — no padrão europeu ­— que oferecem proteção bidirecional. Este tipo de máscara é, na verdade, um respirador, capaz de filtrar partículas minúsculas, ajustar-se à cara de cada utilizador e bastante mais caras que as cirúrgicas» («Novo coronavírus: afinal, devemos ou não usar máscaras?», Cátia Carmo, TSF, 20.03.2020, 19h18).

      Então, Porto Editora, respirador é o «aparelho que assegura a respiração artificialmente»? Francamente, então agora apenas porque tem um filtro acoplado a respiração torna-se logo artificial?

 

[Texto 13 015]

Helder Guégués às 10:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito

Cidade Flutuante

Mas sem as malditas aspas

 

      «Devido à quarentena obrigatória, a poluição tem reduzido [sic] drasticamente em Itália, um inesperado efeito positivo do surto da Covid-19. Em Veneza, a água está tão limpa que já há cisnes e peixes a visitar os canais da “Cidade Flutuante”» («Coronavírus. Quarentena reduz poluição em Itália e canais de Veneza ficam translúcidos», Sofia Freitas Moreira, Rádio Renascença, 19.03.2020, 12h35).

      Está quente, muito quente: não precisa de aspas para nada, Sofia Freitas Moreira, é Cidade Flutuante.

 

[Texto 13 015]

Helder Guégués às 09:45 | comentar | favorito
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Léxico: «lutuoso»

E depois há esta acepção

 

      E depois há esta acepção, Porto Editora, para o que eu já chamei a atenção há muito: «Por seu turno, a Associação Nacional de Empresas Lutuosas defende que as referidas restrições “devem ser seguidas em todos os funerais, independentemente da causa da morte ou da região em que ocorreu o óbito”» («Restrições nos funerais afetam luto», José Carlos Eusébio, Correio da Manhã, 22.03.2020, p. 22).

 

[Texto 13 013]

Helder Guégués às 09:30 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Outro erro persistente

Parece mentira

 

      «“Precisamos de triplicar ou quadriplicar os investimentos em abastecimento de água” [afirma Lucrécio Costa, secretário de Estado para as Águas angolano]» (José Meireles, Jornal de Angola, 22.03.2020, p. 14). O erro — anotem bem — é de ambos, do secretário de Estado e do jornalista. O governante dizia-o, mas a estrita obrigação do jornalista era corrigi-lo na transcrição da entrevista. Não o fez porque também não sabe ou porque temia ser mandado decapitar? Pior do que tudo isto é encontrarmos o erro num dicionário da Porto Editora. Vervierfachen. Pois é, parece mentira.

 

 

[Texto 13 012]

Helder Guégués às 09:15 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «kardex | cardex»

Só que está por aí

 

      De nome comercial passou a nome comum, agora menos usado, mas ei-lo aqui, no ano da desgraça de 2020: «Ainda assim, a diretora-geral, Dina Duarte, sublinha que “estão a ser tomadas várias medidas pela distribuição para reduzir o ‘kardex’ dos produtos e, com isso, simplificar a produção das linhas de produtos que [podem] trabalhar, nas quantidades, e simplificar o número de referências”» («Calamidade em Ovar “rouba” tabuleiros à Montiqueijo», António Larguesa, Negócios, 20.03.2020, 13h15).

 

[Texto 13 011]

Helder Guégués às 09:00 | comentar | favorito
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Léxico: «arte-finalista | revisor»

Não é caso único

 

      De quando em quando, lá surge o nome de uma profissão que não está dicionarizada: «Hugo Martins, arte-finalista, esteve em contacto com uma colega de trabalho que está infetada com o novo coronavírus» («“O INEM fez-me o teste em casa”», Correio da Manhã, 22.03.2020, p. 22). (Se até a definição de revisor, por exemplo, deixa a desejar nos nossos dicionários... «TIPOGRAFIA aquele que corrige provas tipográficas», lê-se no dicionário da Porto Editora. Ai é isso? Para o Oxford Learner’s Dictionaries, proofreader é «a person whose job is to read and correct pieces of written or printed work». Está bem melhor.)

 

[Texto 13 010]

Helder Guégués às 08:45 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Léxico: «dicloroisocianurato»

Para perceber agora

 

      Nas orientações da DGS sobre limpeza e desinfecção de superfícies em estabelecimentos de atendimento ao público ou similares, aconselham-se pastilhas de dicloroisocianurato de sódio, com efeito semelhante à lixívia e com um espectro biocida completo, mas, se as há em certas lojas, não as vemos nos dicionários.

 

[Texto 13 009]

Helder Guégués às 08:30 | comentar | favorito
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Léxico: «imunodepressivo»

Variantes negadas

 

      «De acordo com o site do ministério da Saúde, o uso de máscara só é indicado para os suspeitos de infeção pelo novo coronavírus e pessoas que prestem cuidados a suspeitos de infeção. No entanto, na conferência de imprensa desta sexta-feira, a diretora-geral de Saúde, Graça Freitas, referiu um novo grupo de pessoas que também deve usá-las: os doentes imunodepremidos. [...] “Quero referir aqui um grupo de que não temos falado, mas que é muito importante: as máscaras devem ser usadas pelos doentes imunodepressivos. Se virem uma pessoa com máscara na rua, não se afastem dele como potencial foco de infeção. Provavelmente é alguém imunodepressivo”, aconselhou Graça Freitas» («Novo coronavírus: afinal, devemos ou não usar máscaras?», Cátia Carmo, TSF, 20.03.2020, 19h18).

    Efectivamente, agora que penso nisso, de imunodepressão (ou imunossupressão), é imunodepressivo que esperamos, mas o dicionário da Porto Editora — ao contrário de outros — não está pelos ajustes e apenas acolhe imunodeprimido (felizmente não, valha-nos ao menos isso, com a grafia empregada pela jornalista Cátia Carmo).

 

[Texto 13 008]

Helder Guégués às 08:15 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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24
Mar 20

Como se traduz por aí

Em milhões, não admira

 

      Com mais de 10 milhões de tradutores de castelhano, há sempre uns milhões menos competentes, não? «No “nono dia de luta”, como lhe chama, Alfonso Reyes confessa o seu cansaço. “38 graus. Apenas dormi, estou exausto. Isto é duríssimo. Tive toda a noite o ‘cão negro’ a vaguear na minha cabeça”, disse, numa publicação escrita durante a madrugada» («Tive toda a noite o ‘cão negro’ na minha cabeça»: o diário de ex-jogador infetado com coronavírus», Mariana Béu, Record, 21.03.2020, 15h46). A incompetência não pára, como também não pára, em vésperas do desmoronamento da economia, o rolo compressor do Fisco. Curioso, o sentido das prioridades desta gente.

 

[Texto 13 007]

Helder Guégués às 08:00 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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