25
Mar 20

Léxico: «infixo | interfixo | circunfixo»

Concordo, não se percebe

 

      Uma pessoa, vamos chamar-lhe J. B., mandou-me uma mensagem de correio electrónico: «Estou aqui com uma dúvida e pensei que me podia ajudar. O z, por exemplo, em “avozinho”, é um infixo ou um interfixo? As definições na Infopédia não me ajudam.» Tem razão, não ajudam. Infixo, para a Porto Editora, é o «elemento que se intercala entre a palavra primitiva e o sufixo numa palavra derivada». Já interfixo é o «afixo que se localiza entre duas formas de base ou entre uma forma de base e um sufixo, como é o caso da vogal de ligação i em agricultor». Não se percebe a distinção, e quanto a interfixo tinham de se referir dois exemplos, porque se indicam, e bem, dois casos diferentes em que ocorre. A distinção nuclear é esta: o interfixo é uma vogal/consoante de ligação ou epentética sem carga semântica, um morfema vazio. Já o infixo (como também os prefixos, os sufixos e os circunfixos, sendo que estes até são olimpicamente ignorados por aquele dicionário) corresponde a morfemas com carga semântica. Em «facalhão», por exemplo, é de um infixo que se trata, porque contribui com carga semântica para o resultado. No caso da dúvida, «avozinho», temos um interfixo, porque o z, que se situa entre a base e o sufixo derivacional, é destituído de carga semântica.

 

[Texto 13 023]

Helder Guégués às 09:45 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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Léxico: «primitiva | antiderivada»

De costas voltadas

 

      Mas primitiva e antiderivada não são sinónimos? No dicionário da Porto Editora: «Primitiva MATEMÁTICA função de cuja derivação resulta a função que é dada». «Antiderivada MATEMÁTICA função cuja derivada reproduz uma dada função».

 

[Texto 13 022]

Helder Guégués às 09:30 | comentar | ver comentários (1) | favorito

Léxico: «caraminguá(s) | atendente»

Mais duas

 

      «E há também o cidadão belo-horizontino de outros tempos, de quem me dá notícia o Frei Betto. Lá pelos anos 1920, 30, contava o avô do Betto, a figura em questão, toda semana, entrava no Banco da Lavoura de Minas Gerais, ia ao caixa, identificava-se como correntista e pedia para ver se o seu dinheiro estava em ordem. Contava nota por nota, e só então, tranquilizado, autorizava o atendente a recolher ao cofre seus caraminguás» («Epidemia de malucos», Humberto Werneck, O Estado de S. Paulo, 24.032020, p. H12).

      Porto Editora, não registas caraminguá(s) nem tão-pouco atendente nesta acepção. (E até ontem também não acolhias correntista.)

 

[Texto 13 021]

Helder Guégués às 09:15 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Léxico: «câmara expansora»

Agora é esta que interessa

 

      «O superagente Jorge Mendes está retido em casa e em stand-by na sua atividade profissional, cumprindo as determinações da Direção-Geral de Saúde, mas continua ativo ao nível da solidariedade. Ontem ofereceu ao Hospital de S. João, no Porto, onde está internado o maior número de infetados da Covid-19, mil câmaras expansoras e 200 mil batas de proteção individual (600 mil euros)» («Mendes oferece batas e câmaras expansoras», Secundino Cunha, Correio da Manhã, 22.03.2020, p. 23).

 

[Texto 13 020]

Helder Guégués às 09:00 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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Léxico: «peracético»

É do que se fala

 

      «Diz a sabedoria popular que a necessidade aguça o engenho. E foi a pensar nesta máxima que os cervejeiros artesanais se juntaram para oferecer ácido peracético (um desinfetante utilizado na indústria cervejeira) às entidades públicas ou privadas, para fazer face à pandemia de Covid-19» («Cervejeiros artesanais doam desinfetante a profissionais no terreno contra Covid-19», Helena Vieira e Sara Beatriz Monteiro, TSF, 20.03.2020, 11h26).

      Mais uma em falta nos nossos dicionários: ácido peracético, um agente químico bactericida, fungicida, esporicida e virucida (mas também devias acolher a variante viruscida, Porto Editora, como acolhes também viricida, porque é evidente que está correcta e até é mais clara).

 

[Texto 13 019]

Helder Guégués às 08:45 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «ponte-açude»

Sempre a tempo

 

      Ponte-cais sabe a Porto Editora o que é, mas não ponte-açude: «A Câmara Municipal de Coimbra voltou a aprovar a adjudicação de uma empreitada para requalificar a margem direita do rio Mondego, entre a Estação Nova e a ponte-açude» («Câmara de Coimbra paga dez milhões para retomar obra da margem do Mondego», Camilo Soldado, Público, 24.032020, p. 33).

 

[Texto 13 018]

Helder Guégués às 08:30 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «lacagem»

Porto Editora, apanha-o

 

      «A fábrica de Luís Castelo Branco fica situada em Gouveia. Dedica-se ao tratamento de superfícies metálicas, deposição de tinta, lacagem de metais para o setor automóvel e dá emprego a 14 trabalhadores, quatro são indianos. Fazem parte de uma comunidade imigrante de 11 pessoas, que trabalha na agricultura para os mesmos proprietários da Alferal, a empresa Tavfer» («Indianos na Serra da Estrela temem que o coronavírus lhes tire o “sonho português”», Liliana Carona, Rádio Renascença, 23.03.2020, 23h08).

 

[Texto 13 017]

Helder Guégués às 08:15 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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25
Mar 20

Léxico: «microdado»

Semelhante, mas diferente

 

      Enquanto a Porto Editora não se digna dicionarizar telelixo (que, ó suprema incoerência!, usa num texto de apoio da Infopédia), vamos ocuparmos de algo semelhante a «metadado», mas que ainda não está nos dicionários: «O pedido foi divulgado oficialmente no dia 16 de março às 11h. Uma petição assinada por médicos, professores e investigadores apela à “disponibilização imediata à comunidade científica de todos os microdados pseudo-anonimizados existentes sobre doentes suspeitos (confirmados ou não) de COVID-19 em Portugal”» («Coronavírus. Comunidade científica está a ser “marginalizada pela opacidade no acesso aos dados”», Joana Gonçalves, Rádio Renascença, 23.03.2020, 21h40).

 

[Texto 13 016]

Helder Guégués às 08:00 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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