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Linguagista

Léxico: «panelaço»

Mais uma do Brasil

 

      «O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse nesta sexta-feira (20) que não está preocupado com os seguidos panelaços promovidos contra ele nos últimos dias em diferentes regiões do país» («Não estou preocupado com panelaço, afirma presidente», G. U. e J. C., Folha de S. Paulo, 21.03.2020, p. A8). E em castelhano, com a mesma personagem ridícula e ignorante: «Cacerolazo contra Bolsonaro para pedir su dimisión por su gestión contra el coronavirus» (La Vanguardia).

 

[Texto 13 049]

Léxico: «bomba de perfusão»

Fazem falta agora

 

      «As alas de cuidados intensivos estão preparadas para receber os pacientes que apresentem sintomas mais agudos e, desta forma, necessitem de material específico. Além das amas articuladas que facilitam o trabalho ao pessoal médico e aumentam o conforto do doente, estas alas também foram equipadas com ventiladores, monitores e bombas de infusão. Convém assinalar que, apesar de as alas já estarem prontas no Hospital de Santa Maria, só devem começar a ser utilizadas no final de abril ou talvez em maio» («Ronaldo e Mendes dão ajuda de milhões», Alexandre Moita e João Soares Ribeiro, Record, 25.03.2020, p. 3).

      Correcto, porém, é bomba de perfusão. Não estaria mal que os nossos dicionários passassem a acolher a locução.

 

[Texto 13 048]

As clássicas confusões II

Ia até parecer mal

 

      «Faço batota. E remeto para esta ideia do El Pais que coligiu 20 frases de figuras célebres (de Winston Churchill a Nelson Mandela, de Dolly Parton a Madonna) que nos levantaram a moral em (noutros) tempos difíceis» («O bicho que nos mordeu», Cristina Figueiredo, editora de Política da SIC, Expresso Curto, 20.03.2020). Até ia parecer mal que nestes tempos terríveis que atravessamos os jornalistas se preocupassem com estas minudências, não é?

 

[Texto 13 047]

Léxico: «família militar»

A maior família

 

      Só na precisa da maiúscula inicial (menos respeitinho), mas interessa saber quem faz parte dessa família feliz: «No post, o EMGFA refere que, “face à realidade que o país está a viver, associada à propagação do vírus COVID-19, aceita inscrições de voluntários da Família Militar (militares na reserva e na reforma e respetivos familiares, bem como civis e ex-militares que se identifiquem com a instituição e/ou respetivos familiares)”» («Forças Armadas pedem voluntários para combater o coronavírus», Ana Rodrigues, Rádio Renascença, 19.03.2020, 22h16, itálico meu).

 

[Texto 13 046]

As clássicas confusões I

Não era agora que melhoravam

 

      «Autoridades acederam à identidade dos utilizadores das redes sociais sem necessidade de um mandato. Esta é uma realidade que os cidadãos da Índia podem vir a experienciar em breve» («Direitos», PC Guia, 2.03.2020, p. 14). Muitos bits e bytes, mas no que realmente importa, no que respeita à linguagem, é a mesma desgraça da imprensa em geral.

 

[Texto 13 045]

Léxico: «sobrebota | cogula»

Também não têm

 

      «Ainda antes de haver casos positivos de coronavírus em Portugal, o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) já tinha dificuldade em encontrar algum material de proteção. Para antecipar a falta de equipamento, o CHUC decidiu fazer os artigos no hospital. Célia Cravo, administradora hospitalar, explica que estão a “confecionar sobrebotas, uma espécie de botas com perna mais alta, e cogulas, uma proteção de pescoço e ombros que nunca conseguimos encontrar no mercado”» («Hospitais de Coimbra fazem os próprios artigos de proteção para médicos e enfermeiros», Diana Craveiro, TSF, 26.03.2020, 7h41).

      A Porto Editora também sofre das carências dos hospitais: cogulas, só para clérigos, e sobrebotas nem vê-las.

 

[Texto 13 044]

Léxico: «pedal»

Aqui não há máquinas

 

      «— Este é o nosso recomeço — anunciou ela, carregando no pedal do caixote do lixo para o abrir e deixando cair as quatro metades dentro do lixo da cozinha» (Segredos do Teu Olhar, Patricia Scanlan. Tradução de Ana Glória Lucas. Alfragide: Quinta Essência, 2013, p. 134).

      Isto é como a definição de viseira. Vejamos: onde está o instrumento ou máquina quando olhamos para um caixote do lixo, como temos nas nossas cozinhas ou os que estão nas ruas, com pedal? Pedal para o dicionário da Porto Editora: «alavanca anexa a certos instrumentos e máquinas (como bicicletas, máquinas de costura, etc.), que se move com o pé para gerar movimento».

 

[Texto 13 043]

Léxico: «beveridgiano | bismarckiano»

Faltam ambos

 

      «Foram precisos 30 anos para Portugal, após Abril de 1974, adoptar a mesma estrutura, estabelecendo-se informalmente após a revolução, mas só se tornando lei em 1978. O SNS estabeleceu-se e a sua concepção é idêntica à do Reino Unido e dos países escandinavos. Chama-se beveridgiana porque o seu legislador em Inglaterra foi Beveridge. Os outros países da Comunidade Europeia também têm cobertura universal mas na base de seguros obrigatórios ou segurança social» («O vírus, o Estado social e o nosso modo de vida», VV. AA., Público, 27.03.2020, p. 8).

      O modelo beveridgiano e o modelo bismarckiano. Nos nossos dicionários é que não encontramos nenhum, mas dicionário que é dicionário acolhe, pelo menos, o último, por motivos evidentes.

 

[Texto 13 042]