06
Abr 20

Léxico: «central»

Nem este!?

 

      «Jorge Teixeira, central que joga no Sint-Truiden, concorda com a proposta de antecipação do fim dos campeonatos submetida pela Liga belga aos clubes daquele país» («Central português no futebol belga defende que ​“terminar já todos os campeonatos é o mais sensato”», José Pedro Pinto, Rádio Renascença, 3.04.2020, 14h07). Esta acepção de central não está registada no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora? Estão a brincar.

 

 

[Texto 13 098]

Helder Guégués às 09:45 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «bioartesanal | pré-fermento»

Do pão

 

      «Filipe Melo é padeiro, faz pão bioartesanal, esteve aos comandos da padaria Pão Nosso, no Porto. O processo de construção do pão não varia, no entanto é preciso cuidado com um ingrediente base. “Atenção às farinhas que se compram. As farinhas biológicas são muito boas”, garante. No seu pão de centeio (na foto), o pré-fermento leva 50 gramas de farinha de centeio, 50 gramas de água, uma colher de sopa de fermento natural. A massa de pão é feita com 280 gramas de água, 350 gramas de farinha de centeio, pré-fermento, sete gramas de sal» («Pão nosso e caseiro», Sara Dias Oliveira, Notícias Magazine, 29.03.2020, p. 43).

 

 [Texto 13 097]

Helder Guégués às 09:30 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Léxico: «unicórnio-do-mar»

O outro nome do narval

 

      «De acordo com um estudo desenvolvido por cientistas da Arizona State University, nos EUA, os narvais – uma espécie de baleia dentada que vive nas águas frias do Ártico e que também é apelidada de unicórnio do mar – usam as suas presas parecidas com chifres como “arma sexual” para atrair fêmeas» («Unicórnios do mar. Afinal o tamanho sempre conta», Notícias Magazine, 29.03.2020, p. 9). Pois, é verdade. «Entre os cetáceos há uma baleia, o narval, que também dá pelo nome de “unicórnio-do-mar”, mas, para ser rigorosa, não tem propriamente um corno, e sim uma espécie de dente incisivo na mandíbula superior esquerda que cresce para fora» (O Impiedoso País das Maravilhas e o Fim do Mundo, Haruki Murakami. Tradução de Maria João Lourenço e Maria João da Rocha Afonso. Alfragide: Casa das Letras, 2017, p. 109).

 

 [Texto 13 096]

Helder Guégués às 09:15 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «presentismo»

E é isto, Porto Editora

 

      «É o pensamento utópico que integra a noção de futuro na ideia de tempo e fere de morte o presentismo da mentalidade primitiva» (O Homem e o Poder, José Maria Rodrigues da Silva. Lisboa: Bertrand Editora, 1988, p. 101). O presentismo da mentalidade primitiva? E o presentismo da mentalidade hodierna, que quer tudo para já, vive apenas para o presente e remete para as gerações vindouras a resolução dos problemas causados por nós. Tudo isto herança do liberalismo, que ao único prefere o fungível, o substituível. Que merda de sistema.

 

[Texto 13 095]

Helder Guégués às 09:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «bioaerossol»

Este é novo

 

      «O Hospital de Gaia refere ainda que outros hospitais já estão a usar as máscaras, depois de ter sido confirmado que o modelo KN95 é equiparável para bioaerossóis (por exemplo, vírus) às já utilizadas FFP2 (standard europeu) e N95 (americano). Em Gaia, a questão só se colocou ontem porque até lá estavam a usar equipamentos de outros lotes» («Máscaras da China causam desconfiança e foram retiradas», Inês Schreck, Jornal de Notícias, 4.04.2020, p. 7). Quase a propósito: anteontem, num vídeo do YouTube, ouvi uma vereadora aqui da Câmara Municipal de Cascais dizer «viruscida».

 

[Texto 13 094]

Helder Guégués às 08:45 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «zaragatoa | dácron | raiom»

Tudo é melhorável

 

      Anteontem, numa reportagem da TVI, mostraram uma zaragatoa e, é claro, não pude deixar de me lembrar da definição que encontramos no dicionário da Porto Editora: «instrumento clínico semelhante a um pincel, geralmente constituído por uma vareta com fios de linho ou algodão hidrófilo numa das extremidades, usado para efectuar colheitas de exsudados, aplicar colutórios, etc.». Nem instrumento nem pincel, como já alertei. «Ele mede-lhe a temperatura, deu 36,8, ela tinha tomado paracetamol, desembainha a zaragatoa do tubo transparente – uma zaragatoa parece uma cotonete, mas maior – enfia-a no nariz da mulher, roda-a, devolve-a ao tubo, etiqueta a amostra e está feito o teste da Covid-19, a doença respiratória causada pelo coronavírus, que seguirá para o laboratório dali, que avia 300 testes por dia» («A luta de um hospital contra o tsunami viral», José Miguel Gaspar, Jornal de Notícias, 5.04.2020, p. 14).

      Ontem, foi a vez de o Governo divulgar as orientações para a colocação no mercado de dispositivos médicos e equipamentos de protecção individual. Entre eles estão, naturalmente, as zaragatoas, e a imagem exemplificativa mostra bem que a semelhança com um pincel é nenhuma. A descrição traz outras questões linguísticas interessantes. Assim, diz-se que a zaragatoa deve ser «floculada», o que pretenderá traduzir o inglês flocked. Não seria mais correcto «tufada»? Mais: a ponta deverá ser de material sintético, do «tipo dracon ou rayon, não algodão». Neste ponto, está errado: é dacron, ou, aportuguesado, dácron. No Dicionário de Termos Médicos da Porto Editora aparece num verbete («bolsa de Parsonnet») com a grafia dacron. Quanto a rayon, vemo-lo num texto da Infopédia («síntese de uma fibra - Rayon»), mas no dicionário geral só aparece aportuguesado, raiona, embora num verbete («chenile») usem a variante raiom. Enfim, Porto Editora, há muito por onde corrigir, melhorar e aumentar.

 

[Texto 13 093]

Helder Guégués às 08:30 | comentar | ver comentários (6) | favorito
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Léxico: «índice R0»

Também aqui já há confusões

 

      «Marta Temido revelou que o número de médio de casos secundários resultantes de um caso infetado para o período 21 de fevereiro e 16 de março foi 1,81 (chamado índice R0). Isto mostra que, entre este período, “o surto estava a crescer” mas que Portugal estava “com uma taxa já inferior àquilo que que estivemos”. A descida do ‘R0’ é fundamental para se chegar ao fim do período mais crítico e, por consequência, ao fim das medidas de contenção» («Não há data para a vida normal. Mas há cientistas a estudar regresso e o “R0” está a baixar», Rui Pedro Antunes, Observador, 4.04.2020, 16h36).

      Tendo em conta que há outros índices nos dicionários e sobretudo que este já anda por aí deturpado, o que era previsível, parece-me que está na hora de o dicionarizar.

 

[Texto 13 092]

Helder Guégués às 08:15 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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06
Abr 20

Léxico: «peste negra»

Menos confusão, por favor

 

      «Mas não tinha nenhuma conotação racista. A Peste Negra também não tinha, os cadáveres ficavam muito escuros. Há alguma “sinofobia”, mas o vírus não é deste ou daquele território» [diz Luis Graça, sociólogo e professor jubilado da Escola de Saúde Pública]» («​Pandemias. Uma breve história de mortes e progressos», José Pedro Frazão, Rádio Renascença, 3.04.2020, 6h56).

      Consultamos o dicionário da Porto Editora, e no verbete peste vamos encontrar peste bubónica. Já se quisermos ver o que diz sobre peste negra, vamos encontrá-la num verbete autónomo. Qual a lógica disto? De acordo com as suas características, a peste negra subdivide-se em três: peste bubónica, peste septicémica e peste pneumónica. Logo, era isto que devia estar nos dicionários, com esta clareza.

 

[Texto 13 091]

Helder Guégués às 08:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito