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Linguagista

Léxico: «podocarpácea(s)»

Uma família botânica

 

      «É uma descoberta que está a agitar a comunidade científica mundial na área da paleobotânica (ciência que estuda as plantas fósseis). Dois investigadores — o português Mário Miguel Mendes e o checo Jirí Kvacek ­— descobriram um cone ovulífero atribuível à conífera da família Podocarpaceae em Portugal. A descoberta deste fóssil com cerca de 110 milhões [de anos] vem pôr fim a uma das mais antigas discussões entre cientistas e apaixonados por botânica: a presença de podocarpáceas no hemisfério norte» («Descoberta de fóssil revoluciona ciência», Sónia Dias, Correio da Manhã, 5.04.2020, p. 40).

 

[Texto 13 107]

Arctic Outpost

Uma espécie de doença

 

      Agora também sou ouvinte diário da Arctic Outpost, com sede em Longyearbyen, Svalbard, a tal rádio que Nuno Markl revelou a Portugal. O radialista Cal Lockwood passa diariamente música, sobretudo jazz e blues, que não se ouve em mais nenhuma rádio. Irritante é que em alguns jornais portugueses escrevam Arctic sem o c. Aplicar a máquina decepadora do AO90 até a nomes próprios estrangeiros revela bem a total falta de discernimento que por aí grassa. Também é um vírus.

 

[Texto 13 106]

Léxico: «cercamento»

Mais uma esquecida

 

      «O comitê tem ações de revitalização, como cercamento de nascentes, construção de pequenas barragens, plantio de mata nativa e levantamento da demanda e oferta de água, mas reclama de falta de apoio federal» («Sem águas do rio São Francisco, turismo em Pirapora acumula perdas», Carolina Linhares, Folha de S. Paulo, 29.08.2018, 2h00).

      Vem a tal pergunta: «Queria pesquisar cerceamento, cerramento?» Agora ficam a saber que não, nada disso.

 

[Texto 13 105]

Léxico: «autovigilância»

É do que precisam agora

 

      E os doentes crónicos? «Preocupam-me os diabéticos», confessa Pedro Lobo do Vale, médico de família, «os que têm colesterol alto, os que são hipertensos ou que têm algum tipo de doença cardiovascular, porque estes efetivamente precisam de estar controlados. Neste contexto, a autovigilância vai ser mais importante do que nunca. O que têm de fazer é continuar a fazer a medicação tal como antes, para manterem a sua doença controlada. E não é necessário açambarcar medicamentos pois, se precisarem, os médicos estão disponíveis para passarem receitas por via eletrónica» («“A autovigilância é agora mais importante”», Vanessa Fidalgo, Correio da Manhã, 3.04.2020, p. 25).

 

[Texto 13 104]

«Cor-de-rosa» outra vez

A duplicar

 

      «Na viragem do século, o Kennedy que era, simultaneamente, um dos maiores galãs norte-americanos, com presença assegurada em todas as capas das revistas “cor de rosa”, morre a bordo de um pequeno avião que cai no estado do Massachusetts): ao lado de John Kennedy Júnior, filho do presidente assassinado, seguiam a mulher, Carolyn e a cunhada» («“Maldição” dos Kennedy [sic] chega ao número do azar: há dois desaparecidos», Rui Pedro Pereira, Jornal de Notícias, 5.04.2020, p. 43).

      Rui Pedro Pereira, o que falta para se convencer de que, seja qual for o acordo ortográfico, é «cor-de-rosa» que se escreve? Onde tem estado nestes anos todos? Em coma? E deixe lá as aspas em paz.

 

[Texto 13 103]

«Tratar-se de» outra vez

E agora os erros crassos de sempre

 

      «Dois corços apareceram no bairro de Codivel, em Odivelas, surpreendendo os moradores. Vários fotografaram e filmaram os animais, que inicialmente pensavam tratarem-se de veados, partilhando depois os registos pouco comuns nas redes sociais» («“Bambis” foram passear para o centro do concelho de Odivelas», S. C., Jornal de Notícias, 5.04.2020, p. 33).

 

[Texto 13 102]

Léxico: «haredi(s)»

Ignoramos os bons exemplos

 

      «Os judeus ultra-ortodoxos serão cerca de 12% da população de Israel, mas representarão cerca de 60% dos casos de doentes de covid-19 em Israel nos principais hospitais, indica a rádio norte-americana NPR. Israel tem 7030 casos do novo coronavírus e morreram até agora 36 pessoas. Há várias razões no modo de vida da comunidade haredi (ultra-ortodoxa) que explicam esta disparidade» («Israel tenta parar coronavírus em comunidades ultra-ortodoxas», Maria João Guimarães, Público, 4.04.2020, p. 20). Pois, mas em Espanha escrevem assim, adaptado ao castelhano: «Representan una décima parte de la población, pero concentran un tercio de los casos positivos de Covid-19 en Israel. Los ultraortodoxos o jaredíes (temerosos de Dios) están ahora en el centro de la diana de las autoridades sanitarias, que hasta ayer habían contenido el alcance de la pandemia en poco más de 7.000 infectados y 40 fallecidos» («Israel clausura una ciudad ultraortodoxa por el virus», Juan Carlos Sanz, El País, 4.04.2020, p. 4). E se fossem os Espanhóis a escrever português? Simples: «O crescimento parlamentar dos partidos ultrarreligiosos reflete o crescimento exponencial de suas comunidades, com uma média de meia dezena de filhos por família. Atualmente, os haredis representam 11% da população. As projeções demográficas indicam que seu peso demográfico pode triplicar dentro de três décadas» («A rebelião dos laicos castiga a grande direita de Israel», Juan Carlos Sanz, El País Brasil, 19.09.2019, 22h46).

 

 [Texto 13 101]

Léxico: «semimáscara»

Também não há

 

      Com a definição de zaragatoa corrigida no dicionário da Porto Editora, é tempo de falarmos de outros casos ainda propiciados por este tempo que vivemos. Entre os dispositivos médicos e equipamentos de protecção individual que o Governo pretende que as empresas portuguesas fabriquem estão semimáscaras filtrantes (classe FFP2 e FFP3), peças de ajuste facial que cobrem boca, nariz e queixo. Os dicionários desconhecem o termo.

 

[Texto 13 099]