09
Abr 20

Léxico: «oxicuanhama»

Não queriam mais nada

 

      «No Cunene, mais concrectamente [sic — deve ser um dos cc de «multissectorial»] no município de Cuanhama, 20 activistas da CVA desdobram-se em acções de sensibilização junto da população em zonas rurais, para o cumprimento das medidas preventivas contra a Covid-19. Nas zonas rurais das cinco comunas do município, a população está a ser sensibilizada na língua local (Oshikwanhama), para a observância das medidas preventivas primárias, como a lavagem das mãos com água e sabão azul, constantemente [ah, exagerados!], não ao aperto de mão, ao beijo e à aglomeração de pessoas» («Cruz Vermelha intensifica sensibilização da população», Jornal de Angola, 7.04.2020, p. 5).

      Não queriam mais nada: então se até o angolaníssimo poeta José Luís Mendonça escreve oxicuanhama, por que diabos íamos nós escrever como o fazem? E com maiúscula, ainda por cima. Esqueçam. (A Porto Editora está quase lá, pois já regista cuanhama.)

 

[Texto 13 124]

Helder Guégués às 09:45 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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O «Jornal de Angola» errou

Querem ver

 

      «Mais de uma tonelada de material de biossegurança (luvas, máscaras, fármacos, sabão, termómetros e higiénicos) foi entregue ontem às autoridades do município da Matala, na Huíla, por membros da comissão provincial multissetorial de prevenção contra a Covid-19. Em declarações à Angop, o coordenador da comissão multissetorial da Matala, Miguel Vicente, disse que a prioridade será para o centro de quarentena, o hospital municipal, os centros médicos e os postos de saúde das três comunas, nomeadamente Micosse, Capelongo e Mulondo» («Matala recebe material de biossegurança», Jornal de Angola, 7.04.2020, p. 5). Querem ver que o Jornal de Angola, que andou a dar lições a Portugal sobre o assunto, também se converteu ao Acordo Ortográfico de 1990? Ou é apenas descuido e desleixo?

 

[Texto 13 123]

Helder Guégués às 09:30 | comentar | favorito
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Léxico: «porta-bandeira»

Vai ter de envergar um camuflado

 

      «Nigéria. “Uma experiência que não desejo a ninguém” é como lhe chamou uma doente de coronavírus recuperada na Nigéria. Oluwaseun Ayodeji Osowobi, uma ativista de 29 anos que foi porta-bandeira pelo seu país durante as comemorações do Dia da Commonwealth, em Londres, e começou com sintomas dias depois, quer contribuir para o fim da estigmatização e para desmistificar a covid-19» («Estado de emergência III», Cristina Peres, Expresso Curto, 8.04.2020).

      A Porto Editora exige que o porta-bandeira seja um militar («militar que leva a bandeira durante uma cerimónia»), e Oluwaseun Ayodeji Osowobi é apenas activista, directora-executiva da StandtoEndRape. Ai, ai, e agora?

 

 [Texto 13 122]

Helder Guégués às 09:15 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «capnografia | capnógrafo»

Precisamos deles agora

 

      «Um RX portátil, uma central de monitorização, 14 monitores e 14 módulos de capnografia (tecnologia que permite avaliar o estado ventilatório de um doente), um capnógrafo para ventilador G5, um adaptador para capnógrafo e 60 seringas SPACE foram alguns dos equipamentos doados pelo grupo Jerónimo Martins, dono do Pingo Doce. E com eles foi possível ao Hospital do Espírito Santo de Évora, o Hospital Central do Alentejo, concluir a montagem de uma segunda unidade de cuidados intensivos para servir a região» («Dono do Pingo Doce deu segunda UCI ao Alentejo», Dinheiro Vivo, 7.04.2020, 17h23).

      Capnografia está em alguns dicionários e vocabulários; capnógrafo não o vi em nenhum. Faltam ambos no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora.

 

[Texto 13 121]

Helder Guégués às 09:00 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Léxico: «tordo-de-cabeça-castanha»

Pois acertou

 

      Sim, o tradutor viu bem que brown-headed cowbird é em português tordo-de-cabeça-castanha (Molothrus ater). Não faltam por aí erros na tradução de termos ligados à botânica e à zoologia. O dicionário da Porto Editora, que acolhe vários tordos, não tem lá este.

 

[Texto 13 120]

Helder Guégués às 08:45 | comentar | favorito
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Léxico: «iniciativa popular»

Tenhamos iniciativa

 

      «A Ordem dos Arquitectos entrega hoje, ao presidente da Assembleia da República (AR), uma iniciativa legislativa de cidadãos com mais de 35 mil assinaturas — a segunda do género até hoje — com o intuito de impedir que “pessoas não qualificadas” possam apresentar projectos de arquitectura, tal como ainda hoje acontece ao abrigo do Decreto 73/73. [...] Esta é a segunda vez que esta figura de iniciativa popular é concretizada, com a inovação de não partir de nenhum partido, mas sim de uma associação pública profissional. Desde que o direito de apresentar iniciativas legislativas de cidadãos foi consagrado na lei portuguesa (Lei 17/2003, de 4 de Junho), tal apenas aconteceu uma vez, sobre a realização de um referendo à lei sobre IVG que acabou por não ser aprovado» («Arquitectos obrigam Parlamento a votar projecto de lei da sua iniciativa», Leonete Botelho, Público, 23.11.2005, 12h59).

      Não seria necessário ir para os dicionários — se os tradutores não vertessem o inglês iniciative meramente como «iniciativa».

 

[Texto 13 119]

Helder Guégués às 08:30 | comentar | favorito
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Léxico: «privatismo | privatista»

Esquecidos

 

      «Importa inverter o recente curso mercantilista e privatista que temos vivido. A apropriação egoísta dos benefícios conjugada com a coletivização dos custos é o desígnio de alguns interesses instalados, nomeadamente no setor da saúde ou no setor financeiro, mas não tem que ser sempre assim» («Para além da tempestade viral», Elísio Estanque, Público, 25.03.2020, 5h55). Então, para não ir mais longe, o VOLP da Academia Brasileira de Letras regista ambos, privatismo e privatista.

 

[Texto 13 118]

Helder Guégués às 08:15 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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09
Abr 20

Léxico: «legitimante»

A par de «legitimador»

 

      «Em 2011, com 21 anos, entrou na PSP e iniciou logo funções na Esquadra de Alfragide. Admitiu ao tribunal ter “aspirações na sua progressão e promoção profissional, perspetivando a médio prazo apresentar uma candidatura com vista à sua integração no Corpo de Segurança Pessoal da PSP”, mantendo-se assim na zona de Lisboa. Em relação ao processo de que foi alvo, tem “um discurso legitimante da sua atuação”. Depois de ter sido deduzida a acusação, em julho de 2017, foi transferido para a Equipa de Intervenção Rápida do Aeroporto de Lisboa» («Cova da Moura. Quem são os oito polícias condenados?», Valentina Marcelino, Diário de Notícias, 21.05.2019, 20h04).

 

[Texto 13 117]

Helder Guégués às 08:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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