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Linguagista

Léxico: «manauara | bodozal»

Um manancial

 

      «A família também se preocupa com a saúde, mas as condições precárias de moradia impõem limites. Na gíria manauara, eles moram em um bodozal, termo pejorativo para as favelas de palafita de cidade. É uma referência ao bodó, espécie de bagre capaz de sobreviver até na lama» («Nos alagados de Manaus, temor se soma a condições precárias», Fabiano Maisonnave, Folha de S. Paulo, 8.04.2020, B8).

 

 [Texto 13 132]

Léxico: «alagado»

Mas não é

 

      «A dona de casa vive com o marido, três filhos e três netos na palafita de quatro cômodos sobre o igarapé Educandos, na região central de Manaus. Desde a chegada do vírus à cidade, a família tem feito o que pode para minimizar o impacto da pandemia na saúde e na renda em meio ao calor e ao aperto» («Nos alagados de Manaus, temor se soma a condições precárias», Fabiano Maisonnave, Folha de S. Paulo, 8.04.2020, B8). Para o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, alagado é apenas adjectivo.

 

[Texto 13 130]

Léxico: «desescalada | desconfinamento»

Em toda a Península Ibérica

 

      «Segundo fontes oficiais, o dado não altera a tendência à desescalada dos últimos dias e se explica em parte pelo “efeito fim de semana” — um acúmulo de casos não notificados de sábado e domingo» («‘Em fase de desescalada, Espanha busca criar suas Arcas de Noé’», Susana Bragatto, Folha de S. Paulo, 8.04.2020, A11). Não te rias, Porto Editora, se fazes favor, afinal, tem-la em dois dicionários bilingues. Na madrugada de ontem, também a ouvi insistentemente numa rádio espanhola, na Cadena COPE (não perco as catilinárias vespertinas de Carlos Herrera. As nossas rádios dão-nos música...). Também usaram por três vezes o termo desconfinamiento, e nós temos igualmente desconfinamento e não o encontro nos dicionários.

 

[Texto 13 129]

Léxico: «zaragatoadela»

É a última pincelada

 

      Adalberto Alves, no seu Dicionário de Arabismos da Língua Portuguesa (Lisboa: INCM, 2014), diz que zaragatoadela é a «aplicação c/ zaragatoa». Em coerência com a correcção que a Porto Editora fez na definição do termo zaragatoa, é óbvio que não pode agora manter esta definição de zaragatoadela: «pincelada com zaragatoa (pincel)».

 

[Texto 13 128]

Léxico: «sirenaço | hemoterapeuta»

Aqui não há cavalos

 

      «Profissionais que atuam no Samu da cidade de São Paulo realizaram um “sirenaço” no domingo, em homenagem ao médico hematologista e hemoterapeuta Paulo Fernando Moreira Palazzo, de 56 anos, vítima do novo coronavírus. Primeira morte confirmada pela covid-19 no serviço de atendimento móvel da capital paulista, ele também era chefe de plantão de Urgência Clínica do pronto-socorro do Hospital São Paulo, da Unifesp» («‘Sirenaço’ homenageia médico morto pelo vírus», Priscila Mengue e Érika Motoda, O Estado de S. Paulo, 7.04.2020, p. A11).

      «Queria pesquisar hipoterapeuta?», pergunta o dicionário da Porto Editora, mas aqui não há cavalos. Contudo, anda lá perto, porque acolhe hemoterapia e hemoterápico.

 

[Texto 13 127]

Léxico: «primeiro-secretário | primeiro-oficial»

Também os temos

 

      «“O primeiro-ministro pediu ao secretário de Relações Exteriores, Dominic Raab, que é o primeiro-secretário de Estado, que o substitua sempre que necessário. Boris Johnson está recebendo excelente atendimento e agradece a todos os funcionários do NHS (sistema de saúde público do Reino Unido) por seu trabalho e dedicação”, afirma o comunicado» («Infectado, Boris Johnson vai para UTI», Felipe Frazão, O Estado de S. Paulo, 7.04.2020, p. A8). 

      Exactamente, também temos primeiro-secretário, assim como — ainda ontem a li algures — primeiro-oficial, por exemplo, e o dicionário da Porto Editora não regista nenhuma delas.

 

[Texto 13 126]

Léxico: «postagem | tensionamento»

Mais duas do Brasil

 

      «Uma postagem do ministro da Educação, Abraham Weintraub, nas redes sociais provocou novo tensionamento nas relações entre o Brasil e a China. Após usar o personagem Cebolinha, da Turma da Mônica, para ridicularizar o sotaque dos chineses, Weintraub disse ontem que pode até pedir desculpas à embaixada do país asiático por sua “imbecilidade”, desde que a China forneça respiradores ao Brasil para o combate ao novo coronavírus» («Provocação de Weintraub abre nova crise com a China», Felipe Frazão, O Estado de S. Paulo, 7.04.2020, p. A5).

 

[Texto 13 125]