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Linguagista

Léxico: «criptofascismo | criptofascista»

Oculto até nos dicionários

 

      «Poderia, porventura, de momento, impedir que certos criptofascistas viessem a apresentar candidaturas. Mas estou convencido de que de modo algum contribuiria para a implantação definitiva em Portugal da democracia que queremos construir» (Constituição e Democracia, Jorge Miranda. Lisboa: Livraria Petrony, 1976, p. 206). ‎

 

[Texto 13 166]

Léxico: «leucograma»

É um exame

 

      «É possível combinar os resultados dos testes serológicos com outros indicadores “como um inquérito minucioso, medição de temperatura e de oximetria, leucograma, doseamento de proteína C-reativa e determinação de anticorpos” para avaliar a possibilidade de a pessoa estar infetada, explicou Carlos Clara, do laboratório Clara Saúde» («Câmaras compram e estão a fazer testes à população que “são ineficazes nesta fase”», Salomé Filipe, Jornal de Notícias, 16.04.2020, p. 8).

 

[Texto 13 165]

Léxico: «imunocromatográfico»

Imuno... quê?

 

      «A vantagem destes testes é que nove deles são aprovados e são rápidos, não levando mais de 10 a 20 minutos e já deixam o paciente menos apreensivo ao saber o resultado. Estes testes são chamados de imunocromotográficos [sic], que até podem ser realizados em locais não muito habituais. A Sociedade de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial, em nota técnica, comenta sobre a regulamentação da RDC número 302, de 13 de outubro de 2005, que exames devem ser feitos em ambiente especializado. Eu concordo, pois, o paciente precisa ter segurança e confiabilidade no laudo que será assinado por um profissional habilitado para tal» («Testes diagnósticos reais?», Sérgio Cimerman, O Estado de S. Paulo, 14.04.2020, p. A13).

 

[Texto 13 164]

Léxico: «desinsectar | desinsectação»

Vão desaparecendo

 

      «Si no fuera por alguna palabra en desuso, incluso para el espesor habitual del lenguaje administrativo, este extracto podría pasar por un borrador de la medida anunciada por el Gobierno de aislar a ciudadanos que den positivo en el test de coronavirus pero no presenten síntomas. Pero el texto forma parte del Reglamento para la lucha contra las Enfermedades Infecciosas, Desinfección y Desinsectación, aprobado en julio de 1945 y que no está derogado» («Una norma de 1945 para una crisis del siglo XXI», R. Rincón e J. M. Brunet, El País, 10.04.2020, p. 16).

      Será mesmo só em castelhano? Perguntando sobre se «desratar» é correcto, respondeu Vasco Botelho de Amaral: «Desratar e desinsectar são as formas regulares, preferíveis» (Glossário Crítico de Dificuldades do Idioma Português, p. 153). Temos aqui vários aspectos a considerar. Desde logo a existência do verbo (e derivados) desinsectar. Mas não só. No dicionário da Porto Editora, remete-se de desratar para desratizar. Ouçamos de novo Botelho de Amaral: «O sufixo ar é o próprio dos chamados verbos denominativos. Eliminar ou combater os ratos melhormente se dirá — desratar do que desratizar. Tirar folhas é desfolhar, e não desfolhizar. Desferrar, tirar ferros ou ferraduras.» Pensai nisto, lexicógrafos e dicionaristas.

 

[Texto 13 163]

Léxico: «aspirado»

E com várias acepções

 

      «Os testes atualmente utilizados baseiam-se na deteção de ácidos nucleicos do coronavírus em amostras do aparelho respiratório. Na maioria dos casos é pesquisado o vírus em secreções da nasofaringe ou da orofaringe (garganta). Pode também ser feita essa pesquisa em expetoração ou aspirado brônquico. Como se trata de um vírus novo, ainda não se sabe exatamente qual o melhor teste de diagnóstico, mas este é o método de eleição na esmagadora maioria dos outros vírus respiratórios já conhecidos» («​O que devemos esperar dos testes de diagnóstico para a Covid-19», Raquel Duarte, pneumologista, Jornal de Notícias, 10.04.2020, p. 13).

 

[Texto 13 162]

Léxico: «burrenho»

Desconhecido nas grandes cidades...

 

      ... e nos dicionários: «A toada é virada, passa Jorge Quintas com os cascos do burrenho em percussão — “um burrenho é um cruzado de burro com égua, é bom a trabalhar, cavalo não, cavalo é falso, gosta é de correr e passear”» («Em 1918 a aldeia travou a pandemia com fogo. Hoje é o isolamento que a salva», José Miguel Gaspar, Jornal de Notícias, 12.04.2020, p. 16).

      É triste, mas é assim mesmo: temos de passar a fronteira e consultar o Estraviz, que nos informa: «Diz-se do macho ou mula filhos de cavalo e burra.»

 

[Texto 13 161]

Léxico: «microempreendedor»

Não temos

 

      «De acordo com a lei, pode receber o auxílio quem não tem emprego formal ou é MEI (microempreendedor individual), não recebe benefício do INSS ou seguro-desemprego e tenha renda familiar, por pessoa, de até meio salário mínimo ou renda mensal familiar de até três salários mínimos» («À espera de auxílio oficial, mães solo driblam fome acordando mais tarde», Thaiza Pauluze, Folha de S. Paulo, 13.04.2020, p. B5). Pois, nós só temos «microempresário».

 

[Texto 13 160]

Léxico: «marreteiro»

Arbeider in steengroeve

 

      «Assim como seus demais colegas “marreteiros”, como os próprios ambulantes se denominam, não usava máscara nem qualquer outro tipo de proteção contra a Covid-19. [...] Eles têm viajado dentro de alguns trens, geralmente em duplas, o que torna mais arriscado o jogo de gato e rato dos marreteiros» («Ambulantes de trem em SP desafiam vírus e segurança reforçada», Fábio Zanini, Folha de S. Paulo, 13.04.2020, p. B6).

      Pois bem, nos dicionários bilingues da Infopédia, está um «arbeider in steengroeve», o que significa que faltam pelo menos duas acepções no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, que não regista marreteiro. Ah, Porto Editora, e não deixes nenhuma para trás: beija-cruz, geoestatística, geoestatístico, etc.

 

[Texto 13 159]