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Linguagista

Léxico: «cardiopneumologia»

Especialidade que não tens

 

      «No Instituto Superior Politécnico Alvorecer da Juventude (ISPAJ), apesar da suspensão das aulas presenciais, os alunos continuam a estudar em casa, conforme conta Cinthya Fernandes, estudante do segundo ano do curso Cardiopneumologia. A estudante revela que foi criado um grupo no WhatsApp, onde estão inseridos todos os colegas da turma e os professores. No espaço virtual, são enviadas as matérias no formato PDF e tiram dúvidas» («Estudantes revelam experiências dos estudos», Xavier António, Jornal de Angola, 12.04.2020, p. 8).

 

[Texto 13 185]

Léxico: «cracolândia»

Coisas de Pindorama

 

      «A Prefeitura de São Paulo fechou nesta quarta-feira (8), o Atende 2 (unidade de Atendimento Diário Emergencial), equipamento público para dependentes de drogas na região da cracolândia, centro de São Paulo, e levou 213 usuários para um novo serviço, no Glicério, a cerca de 2 km» («Prefeitura de SP fecha serviço para dependente de drogas na cracolândia», Emilio Sant’Anna e Marlene Bergamo, Folha de S. Paulo, 9.04.2020, p. B11).

 

[Texto 13 184]

Como se escreve por aí

Aproveite agora

 

      «O cardeal Marto, bispo de Leiria, Fátima, já disse que, se fosse necessário esse gesto, não se importaria de avançar, e, dada a carestia de pastores — em Itália e Espanha já faleceram durante a pandemia quase duas centenas de sacerdotes —, e, de acordo com pastoralistas do país vizinho, poderiam ser requisitados também alguns antigos padres retirados ou dispensados, para a administração do sacramento da penitência ou confissão por telefone, e, em caso de morte, para absolver os contagiados por Covid-19» («Teleabsolvição: quando a confissão chega por telefone», Manuel Vilas Boas, Rádio Renascença, 20.04.2020, 8h42).

      Manuel Vilas Boas, neste loooongo intervalo pandémico, aproveite e habitue-se a consultar um dicionário da língua portuguesa. Vai fazer descobertas fantásticas. Também terá, não lhe minto, decepções.

 

[Texto 13 183]

Léxico: «onça-parda»

Não são amigos da onça

 

      «Uma das medidas das autoridades chilenas para combater a propagação do novo coronavírus foi instituir o recolher obrigatório entre as 22 horas e as 5 da manhã, mas foi durante o dia que uma onça-parda adulta com 35 quilos foi vista a passear nas ruas de Santiago do Chile. Acredita-se que tenha descido das montanhas e vindo procurar alimento, encorajada pela tranquilidade das ruas» («‘Desaparecem’ os humanos, passeiam nas ruas os animais», Marta Martins Silva, «Domingo»/Correio da Manhã, 19.04.2020, p. 10). Onça-parda ou puma (Puma concolor), Porto Editora. Ai, ai, essa cabeça.

 

[Texto 13 182]

Léxico: «depressividade»

Lida e ouvida no mesmo dia

 

      «“Estão reservados a quem tinha doença prévia e aos que vão ter doença no decurso do que está a acontecer. As outras pessoas passarão apenas por alguma ansiedade e depressividade. O número de doenças mentais que surgem na sequência de catástrofes é 1,5% a 2%, que é muito baixo” [afirma o director do Programa Nacional de Saúde Mental, Miguel Xavier]» («Como encontrar ajuda psiquiátrica online em tempo de pandemia», Inês Braga Sampaio, Rádio Renascença, 19.04.2020, 13h11).

 

[Texto 13 180]

Léxico: «moedeiro»

Seria mais grave

 

      «Um homem de 31 anos foi surpreendido por militares da GNR a furtar o moedeiro de um centro de lavagem de viaturas numa estação de serviço. O suspeito tinha na sua posse um pé de cabra, uma navalha, um passa montanhas e dois pares de luvas. Após diligências, os militares apuraram que, pouco antes, o homem já tinha arrombado e furtado dois outros centros de lavagens. O suspeito foi constituído arguido e os factos foram comunicados a tribunal» («Apanhado a desviar moedeiros de centros de lavagens de carros», Jornal de Notícias, 15.04.2020, p. 26). É grave, mas, para a Porto Editora, o crime seria muito mais grave, porque entende (coitada) que moedeiro é apenas o «fabricante de moeda».

 

[Texto 13 179]

Léxico: «covidário | acesso»

Não por sua vontade

 

      Por mim, dispensava a experiência, mas na madrugada de ontem o INEM transportou-me para o Hospital de Santa Maria. A entrada, claro (ou não: houve hesitações), foi pelo covidário, porque fui testado à covid-19. Isso mesmo: covidário. Ouvi ali a palavra várias vezes. Vêem como se criam palavras quando há necessidade delas? Designa — e entretanto, nos intervalos em que sinto algumas forças, comprovei que tem o mesmo nome no S. João do Porto — o espaço nos hospitais destinado à testagem dos suspeitos de infecção. Quase todos, agora. No fim, no momento da alta, tive de chamar a atenção do acesso que me tinham posto no braço direito. Outra que nenhum dicionário regista.

      Agora já sabem que se deixar de publicar aqui, de um dia para o outro, os meus textos, alguma coisa, ou tudo, correu mal. O epitáfio, como ouvi numa anedota contada por um missionário comboniano, pode ser este: «Jaz aqui, não por sua vontade.»

 

[Texto 13 178]