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Linguagista

Léxico: «bojo»

Terminemos com esta

 

      «Segundo o instituto [Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço], a medição, feita do centro para a periferia do núcleo galáctico, permitiu concluir que as estrelas no centro das galáxias espirais “mais massivas” são mais velhas do que as estrelas localizadas na periferia do núcleo [conhecido por bojo] e, que nas galáxias espirais de menor massa acontece o oposto, ou seja, as estrelas mais jovens estão no centro do núcleo e as mais velhas na periferia» («Investigadores portugueses medem “pela primeira vez” variação da idade das estrelas», TSF, 14.04.2020, 16h45).

 

[Texto 13 218]

Léxico: «farmacobiologia»

Também não tens esta

 

      «Porém, nem todos os especialistas estão convencidos. “Os dados que constam deste estudo são quase impossíveis de interpretar”, afirmou Stephen Evans, professor de farmacobiologia na London School of Hygiene & Tropical Medicine, à agência Bloomberg» («Covid-19. Dois terços dos casos graves melhoraram com Remdesivir», Edgar Caetano, Observador, 11.10.2019, 15h58).

 

[Texto 13 217]

Léxico: «xavelha»

É preciso decidir

 

      «Edgar Costa é natural de Câmara de Lobos. E, como o próprio se assume, “um xavelha com muito orgulho”. Orgulho nas suas raízes, pois foi em Câmara de Lobos que passou a sua infância e adolescência, que deu os primeiros pontapés para a bola, então no Estreito de Câmara de Lobos, antes de se tornar profissional de futebol e partir para uma carreira meritória» («“Sou um xavelha com muito orgulho”», Emanuel Rosa, Diário de Notícias da Madeira, 22.04.2020, p. 18).

      É como leio em todo o lado, mas, como o dicionário da Porto Editora afiança que o «pequeno barco de pesca tradicionalmente utilizado pelos pescadores madeirenses» se chama «chavelha», já percebi que seguirão por outro caminho. «Os de Câmara de Lobos – “Charnotas” ou “Xavelhas” – eram os mais conhecidos por se dedicarem à captura deste pescado» (Recordações de Santa Cruz, Conceição Correia. Lulu Press, 3.ª, 2014, p. 74).

 

[Texto 13 216]

Léxico: «saia justa»

Maneiras de dizer brasileiras

 

      «Nos últimos dias, o presidente tem se mantido na defensiva por causa das críticas à sua participação no ato a favor de um novo AI-5. Além disso, deu início a uma operação que pode deixá-lo numa saia-justa com a militância: tem recebido dirigentes de partidos do centrão no Planalto para que o governo negocie cargos em troca de apoio» («Presidente perde a paciência e dá respostas ríspidas a apoiadores», Daniel Carvalho, Folha de S. Paulo, 23.04.2020, p. A6).

 

[Texto 13 215]

Léxico: «brigadista»

Também não temos

 

      «O Piauí irá reduzir, em um prazo de 90 dias, 50% da segurança armada, e estuda pedir o reforço de policiais militares e das guardas municipais, se necessário. Já Santa Catarina também diminuirá a quantidade de vigilantes armados, mas também de mensageiros, marceneiros, brigadistas, jardineiros e zeladores» («Tribunais estudam extinguir comarcas para poupar na crise», José Marques, Folha de S. Paulo, 23.04.2020, p. A9).

 

[Texto 13 214]

Léxico: «terceirizado»

Não é apenas o verbo

 

      «A estimativa é que as indústrias empreguem diretamente cerca de 150 pessoas em Cabrália, mas, além delas, há terceirizados responsáveis pela produção de partes das urnas, como forros de zinco, usados em casos de morte por doenças infecto-contagiosas, muitas vezes feitos em quintais» («Capital do caixão não quer crescer à custa de vidas de infectados», Marcelo Toledo, Folha de S. Paulo, 23.04.2020, p. B3).

 

[Texto 13 213]

Léxico: «babado»

Não está sujo

 

      «Nas fábricas, é comum ver funcionários cortando madeira para fabricar as urnas e cuidando de atividades como babados, estofamento dos caixões e fixação das alças» («Capital do caixão não quer crescer à custa de vidas de infectados», Marcelo Toledo, Folha de S. Paulo, 23.04.2020, p. B3). Porto Editora, já vi que desconheces estes babados.

 

[Texto 13 212]

Custos extras

A lição que vem de Angola

 

      No Jornal de Angola abundam, superabundam os erros, e nem sei onde foram buscar a arrogância (petrodólares?) para criticar Portugal por ter adoptado o Acordo Ortográfico de 1990, mas até nele alguns jornalistas portugueses podem aprender alguma coisa, como esta, básica: «Um dia depois do Comité Olímpico Internacional (COI) ter publicado uma explicação dos procedimentos relativos ao adiamento dos Jogos Olímpicos de 2020, o Governo japonês veio tecer duras críticas. No documento, Thomas Bach anuncia que Shinzo Abe, Primeiro-Ministro japonês, tinha concordado cobrir os custos extras, algo que foi negado» («Japão contraria versão do COI sobre cobertura de custos extras», Jornal de Angola, 23.04.2020, p. 30).

 

[Texto 13 211]

Léxico: «campanha»

Não vem do francês

 

      «Na área rural, as dificuldades são ainda maiores. Na rede municipal de educação de São Gabriel, a 300 km de Porto Alegre, na região da campanha, as famílias buscam as atividades enviadas pelos professores no ponto de ônibus onde as crianças costumavam embarcar para ir à escola. O transporte das atividades é feito por empresas de ônibus que atuam na cidade e no transporte escolar público» («Há um mês em casa, alunos do país vão das classes virtuais ao ócio total», Folha de S. Paulo, 21.04.2020, p. B5). TPC: vejam o verbete campanha num bom dicionário brasileiro.

 

[Texto 13 210]

Léxico: «traqueostomizar | traqueostomizado»

Como se vê, usa-se

 

      «Fui internado [diz o nefrologista Edison Régio de Moraes Souza] em uma unidade e daí não lembro de mais nada. Fiquei totalmente apagado e acordei 15 ou 20 dias depois. Claro que foi um susto. Comecei a constatar o que estava acontecendo comigo. Eu estava fazendo hemodiálise, meu rim estava parado. Estava traqueostomizado, com um respirador. Fiquei com medo de ficar mudo, porque foram quatro ou cinco dias sem que conseguisse falar» («‘Fiquei com medo de ficar mudo ou morrer’», Marcio Dolzan, O Estado de S. Paulo, 22.04.2020, p. A9).

 

[Texto 13 209]

Léxico: «cabindense»

Lá se esqueceram deles

 

      «Um professor cabindense no Cuando Cubango» (Rui Ramos, Jornal de Angola, 12.04.2020, p. 25). «Nestas condições e dado que os Tratados só podem funcionar plenamente quando apoiados pela história, compreende-se que os portugueses estudem uma maneira de recuperar a história cabindense em seu proveito» (Cabinda e as Construções da Sua História (1783-1887), Alberto Oliveira Pinto. Lisboa: Dinalivro, 2006, p. 22).

 

[Texto 13 208]

Léxico: «paleomicrobiologia»

Ciência desconhecida

 

      «Raoult foi pioneiro da nova disciplina de paleomicrobiologia, que diagnostica doenças infeciosas antigas, ganhando nomeada na década de 1980 a investigar “rickettsies”, bactérias na origem de doenças como o tifo» («Um currículo prestigiado mas algo controverso», Alfredo Maia, Jornal de Notícias, 12.04.2020, p. 20).

 

[Texto 13 207]

Léxico: «hamaca»

E depois lemo-lo por todo o lado

 

      O primeiro a dar o nome de rede (mas, depois, precisamos de acrescentar: de dormir, ou ninguém percebe sem um contexto mais alargado) à hamaca sul-americana foi Pêro Vaz de Caminha, em 1500. A palavra foi depois adoptada pelas principais línguas europeias. Em português também, e, ainda que tenhamos duas provenientes dela, precisamente hamaca e maca, só esta última vejo nos dicionários. E, contudo, usa-se há muito «hamaca» como termo aportuguesado. Veja-se no dicionário da Porto Editora: só uma das acepções de «maca» designa a hamaca sul-americana — «cama de lona, suspensa, em que dormem os marinheiros a bordo».

 

[Texto 13 206]

Léxico: «murra»

Não é gralha

 

      «As murras ardiam ainda na lareira, Almotolia entrou trazendo-as no bojo do avental, dividiu-as à volta do fogo junto com as pinhas, os ramos de oliveira e os capões das vides» (O Viúvo, Fernando Dacosta. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1987, p. 14).

      Porto Editora, não tens esta acepção de murra e sabes o que acontece depois? Há pessoas que me escrevem porque pensam que se trata de uma gralha.

 

[Texto 13 205]

Léxico: «cetartiodáctilo»

Ou querem em latim?

 

      «Primeiro, os morcegos nem aparecem no topo da lista – juntos, os “líderes” são os cetartiodáctilos (grupo ao qual pertencem os porcos e os bois) e os roedores, os quais, somados, respondem por 50% dos vírus que saltam de animais para humanos» («Livrando a cara dos morcegos», Reinaldo José Lopes, Folha de S. Paulo, 19.04.2020, p. B4).

      Já sabemos que há quem prefira em latim, Cetartiodactyla, mas é gente irresponsável e que não merece, obviamente, crédito.

 

[Texto 13 204]

Léxico: «ecoilha»

Cada vez há mais

 

      «“Só a câmara já percorreu cerca de oito mil quilómetros de forma permanente em toda a cidade”, acrescenta o vereador, sublinhando que já foram gastos “cerca de 50 mil litros à base de hipoclorico [sic] de sódio para limpeza e desinfeção de ruas” e também para locais específicos como ecoilhas, vidrões, papeleiras, multibancos e paragens de autocarro» («Após caso de hostel, ruas de Arroios desinfetadas para “tranquilizar população”», Inês André Figueiredo e Rui Polónio, TSF, 23.04.2020, 8h52).

 

[Texto 13 203]

Léxico: «escapatória»

É mais próximo de nós

 

      «Ângelo Fernandes, 45 anos, natural de Guimarães, foi visto pela última vez a 18 de fevereiro de 2019, após ter-se despistado. O camião que conduzia ficou imobilizado numa escapatória da A4, perto de Murça, no sentido Vila Real-Bragança» («Ossadas em Alijó eram de motorista desaparecido na A4», Delfim Machado, Jornal de Notícias, 23.04.2020, p. 29). Pois é, Porto Editora, escapatória não é apenas, como registas, a «zona alargada numa pista de corridas de automóvel para evitar acidentes em casos de despiste».

 

[Texto 13 202]