06
Mai 20

O AO90 aplicado no dia-a-dia

Parem quietos

 

      «Covid-19 não pára negócio do sexo» (Hugo Rainho e Magali Pinto, Correio da Manhã, 30.04.2020, p. 14). Andam há muitos anos num debate diuturno sobre se leva ou não leva acento — e a prática acompanha as dúvidas, porque ora põem ora tiram o acento. Um dia vão assentar.

 

[Texto 13 285]

Helder Guégués às 09:45 | comentar | favorito
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Léxico: «aceleracionismo | aceleracionista»

Isto é novo

 

      «O conselho de fiscalização dos serviços de informações avisa, também, para os riscos de “extremismos violentos” de grupos conotados com a “supremacia branca” e radicais do chamado “aceleracionismo”. Estes últimos, anota o relatório, são uma tendência externa que ganha evidência» («Fiscalização das secretas alerta para jihadistas e supremacistas», Nuno Ribeiro, Público, 5.05.2020, p. 16). «O aceleracionismo é uma corrente, marginal, que se baseia na ideia de que o sistema capitalista deveria expandir-se, ou seja, acelerar, para causar uma mudança social radical, segundo um artigo publicado em 2017 pelo The Guardian» («Fiscais das secretas alertam para extremistas da “supremacia branca” e “aceleracionistas”», Jornal de Notícias, 4.05.2020, 12h12).

 

[Texto 13 284]

Helder Guégués às 09:30 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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Léxico: «rachamento | abscísico | glicinabetaína»

Por vezes, três

 

      «De acordo com a investigadora [Sofia Correia], a metodologia consistiu em repetidas pulverizações de cálcio, e cálcio conjugado com outras substâncias, tendo os “tratamentos foliares reduzido o rachamento” e sido “menor” nos frutos “tratados com cálcio conjugado com ácido abscísico e glicina-betaína, sobretudo o rachamento do tipo lateral”» («​Investigadora da UTAD identifica tratamento que diminui rachamento da cereja», Olímpia Mairos, Rádio Renascença, 5.05.2020, 16h18).

 

[Texto 13 283]

Helder Guégués às 09:15 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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Léxico: «gravetiano»

Falta sempre um

 

      «Há na caverna cerca de um milhar de pinturas e gravuras, entre elas 447 representações de animais de espécies diferentes. Vários métodos de datação usados pelos cientistas que trabalharam naquele espaço permitiram definir dois tempos distintos de ocupação humana: no Período Aurignaciano (37 a 33 500 anos antes do presente – a.p.) e no Período Gravetiano (31 a 28 mil anos a.p.). As pinturas e gravuras são originárias do primeiro desses períodos. Bem anteriores, por exemplo, às gravuras do Vale do Côa, que se presume serem do Solutrense médio antigo, o que significa que têm cerca de 20 mil anos» («Realidade virtual e aumentada: visitar Chauvet sem sair de casa», JN História, Abril de 2020, p. 7).

 

[Texto 13 282]

Helder Guégués às 09:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «telessexo»

Vai ficar tudo bem

 

      «Telessexo aumenta durante a pandemia» (Mariana Lopes, Correio da Manhã, 5.05.2020, p. 22). Já tudo voltará ao normal — e os anúncios de acompanhantes e afins vão voltar a encher quatro páginas de classificados no Correio da Manhã.

 

[Texto 13 281]

Helder Guégués às 08:45 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «picaporte»

Aqui há trapalhada

 

      Podemos ter este excerto como ponto de partida: «Belén Rubido de la Torre atraviesa las calles fantasmales de Pontevedra y accede al antiguo edificio judicial de A Parda. Es la juez decana y titular del juzgado de lo Penal 4, especializado en violencia machista. Antes de acceder al inmueble, se enfunda los guantes. “Estamos razonablemente protegidos, con desinfecciones constantes, especialmente en las zonas más transitadas. La Xunta y el Estado nos han enviado una partida con guantes, geles y mascarillas. Yo uso los guantes, me preocupan el ascensor, los picaportes de las puertas...”, explica» («Jueces sin toga para evitar contagios», Cristina Huete, El País, 5.05.2020, p. 41). Conheço o termo picaporte desde sempre e sei há muito que veio do castelhano. Não é um conhecimento livresco, mas sim um saber do dia-a-dia: refiro-me ao picaporte de resbalón. Pois bem, o dicionário da Porto Editora não o regista, mas aproxima-se ao acolher pica-porta: «Açores peça colocada na parte exterior da porta e que serve para bater ou para a puxar; aldraba». De facto, o castelhano picaporte tem todos esses sentidos, mas, ao que parece, o picaporte dos Açores não é isso que a Porto Editora diz: «— “Picaporte”, — ferragem de abrir e fechar a porta sem ligação com a fechadura. Cândido de Figueiredo chama-lhe “pica-porta” e, por inexacta informação, atribui-lhe nos Açores o significado de “aldraba”» (A Fala das Nossas Gentes, José Machado de Serpa. Ponta Delgada: Signo, 1987, p. 31). Tal como também o picaporte de uma parte do Alentejo não é isso, mas exactamente o mesmo mecanismo dos Açores. Pois é. Mais: de onde vem a fantasiosa etimologia («pica+porta») do dicionário da Porto Editora? Se vem do castelhano, o étimo do termo português é picaporte — que terá uma origem também, no caso, vem do catalão. A acepção portuguesa é só uma e a mesma que encontramos no Dicionário da Real Academia Galega: «Barra móbil que xira arredor dun punto fixo e serve para fechar ou abrir unha porta apertando un resorte.»

 

[Texto 13 280]

Helder Guégués às 08:30 | comentar | favorito
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Definição: «ecónomo»

São os únicos que conheço

 

      «O padre Samuel Guedes, ecónomo da diocese do Porto, explicou ao JN que a deliberação “depende muito da situação em que cada instituição se encontra”. Até porque, sustenta, “há igrejas que estão totalmente fechadas neste momento”» («Igrejas fechadas dificultam pagamento de salários a colaboradores. Padres podem ser afetados, mediante decisão de cada uma das paróquias associadas», Adriana Castro, Jornal de Notícias, 30.04.2020, p. 13).

      Sei que os há noutras organizações, mas os únicos ecónomos, e foram vários, que conheci desempenham funções em congregações religiosas, e por isso acho estranho que a Porto Editora no verbete ecónomo nada diga sobre a Igreja.

 

[Texto 13 279]

Helder Guégués às 08:15 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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06
Mai 20

Léxico: «hipercrítico»

Aqui não há severidade

 

      «Trata-se de um homem, entre os 30-40 anos. Sem doenças associadas. Chegou acordado e consciente. Tal como os restantes oito que estão internados na ala dos hipercríticos, mas que agora estão sedados, a lutar pela vida, ligados a máquinas, como o ECMO, que substitui pulmões, coração e rins» («No coração do combate à doença do século», Francisca Genésio, «Domingo»/Correio da Manhã, 2.05.2020, p. 32). É evidentíssimo que os nossos dicionários têm de registar também esta acepção — a juntar àquela que acolhem, «crítico excessivamente severo».

 

[Texto 13 278]

Helder Guégués às 08:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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