17
Mai 20

Léxico: «microcenografia»

Para acabar o dia

 

      «A microcenografia de raio-X por radiação de sincrotrão, semelhante ao TAC, é uma técnica utilizada para estudar os fósseis» («Resposta para dilema de Darwin em Portugal», Sónia Dias, Correio da Manhã, 17.05.2020, p. 40).

 

[Texto 13 365]

Helder Guégués às 19:30 | comentar | favorito
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Léxico: «ducentenário | quatrocentenário | quincentenário», etc.

Ainda na mesma linha

 

      «Dos rios Cavaco ao Curinge e Huche, da costa marítima aos montes Sawa, Nhime e Capilongo, a cidade quatrocentenária das acácias rubras estende-se por um território de 2.100 quilómetros quadrados, que já se vão tornando exíguos face ao crescimento da população e pelos factores demográficos inerentes» («Benguela procura renascer por entre as dificuldades», Adão Faustino, Jornal de Angola, 17.05.2020, p. 6).

      Pois, quatrocentenário, quincentenário, etc. Os nossos dicionários param em tricentenário, mais para a frente já não sabem contar. Alguns, como o da Porto Editora, nem sequer registam ducentenário, por exemplo.

 

[Texto 13 364]

Helder Guégués às 19:15 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «vintão | vintaneiro | setentão | oitentão | noventão»

Tantos!

 

      Nós não a temos, mas eles sim: «A coluna desta semana vai celebrar dois talentos do cinema que completaram 80 anos recentemente: o diretor Cacá Diegues e o ator Al Pacino» («Na companhia dos oitentões», Hanuska Bertoia, Agora, 16.05.2020, p. C2).

      Os Brasileiros, é indesmentível, são uns idiotas em certas coisas (a última prova desta asserção está em terem elegido Bolsonaro como presidente), mas geniais noutras, em que abunda a plasticidade que conferiram ao idioma e a praticidade no seu uso. Nós vamos do trintão ao sessentão; eles vão por aí fora, setentão, oitentão, noventão, centão. Mentira, este último inventei-o eu agora mesmo. Mas sim, aos outros criaram-nos e usam-nos. E também têm vintão, ao passo que nós temos (nós, não o dicionário da Porto Editora) somente vintaneiro.

 

[Texto 13 363]

Helder Guégués às 19:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «a distância | à distância»

Têm de estar os dois

 

      «O home office e o ensino a distância passaram a ser realidade em que muitos lares pelo mundo — a desigualdade, no entanto, faz com que muitos alunos não consigam acompanhar aulas remotas» («Leitores da Folha relatam aprendizados e dissabores do ensino a distância», Folha de S. Paulo, 16.05.2020, 00h00).

      Decerto, é pena que o Brasil — sobretudo a imprensa — ainda não conheça e empregue o termo «teletrabalho» para substituir aquele inenarrável home office, mas não deixa igualmente de ser lamentável que a Porto Editora apenas registe «à distância». Assim, não surpreende que, apesar de ser considerada menos correcta do que «a distância», vá predominando, a ponto de o falante médio (90 %, digamos) reputar «a distância» como brasileirismo. Em suma, correcto é, nesta altura, dicionarizar ambos.

 

[Texto 13 362]

Helder Guégués às 18:45 | comentar | ver comentários (1) | favorito

O fato esfarrapado do AO90

Não se tratem, não

 

      «Nas contas de Dalila Rodrigues, “não será possível admitir mais do que dez pessoas em simultâneo na torre”. Condicionado ficará também o acesso a parte dos pisos do monumento. Só será “50% visitável”. Este fato levará, depois de dia 18, a uma redução para metade no preço do bilhete, que passará de seis para três euros» («Torre de Belém só com 10 visitantes de cada vez. Conheça as novas regras nos museus e monumentos», Maria João Costa, Rádio Renascença, 16.05.2020, 21h00).

      Não sei como é que, depois de tantos avisos, uma jornalista — com o curso de Comunicação Social e Cultural da Universidade Católica de Lisboa — escreve isto. Mais: como é que, quase 24 horas depois, não releu nem ninguém a avisou. Lamentável.

 

[Texto 13 361]

Helder Guégués às 18:30 | comentar | favorito
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Definição: «imunidade de grupo»

Ficaria melhor

 

      «O estudo, realizado pelo Instituto de Saúde Carlos III junto de quase 70 mil pessoas, concluiu ainda que Espanha, apesar de ser dos países mais atingidos pela pandemia, está longe da imunidade de grupo, que é atingida quando 60 a 70% da população ganha anticorpos. “Não temos nem vamos ter imunidade de grupo. Temos de aprender a conviver com o vírus”, avisou ontem o ministro da Saúde, Salvador Illa» («Só 5 por cento têm anticorpos», Ricardo Ramos, Correio da Manhã, 16.05.2020, p. 23).

      É precisamente esta informação que a Porto Editora devia acrescentar na sua definição de imunidade de grupo: «forma de protecção indirecta contra doenças infecciosas que se verifica quando uma grande maioria dos membros de uma comunidade, habitualmente definida entre 60 % e 70 %, está imunizada contra determinado agente patogénico (geralmente através de vacinação), reduzindo o risco daqueles que o não estão, nomeadamente os que, por alguma razão (sistema imunitário enfraquecido, grávidas, etc.) não podem ser vacinados».

 

[Texto 13 360]

Helder Guégués às 18:15 | comentar | favorito
17
Mai 20

Léxico: «embasamento»

Sentido figurado

 

      «Gráficos que mostram supostos locais com maior risco de contágio pelo novo coronavírus que circulam em diferentes redes sociais não têm embasamento científico» («Ranking de contágio não tem embasamento científico», Carolina Moraes e Simon Ducroquet, Folha de S. Paulo, 15.05.2020, p. B7).

      Não fala besteira, Porto Editora, embasamento está, neste caso, a ser usado em sentido figurado: fundamento.

 

[Texto 13 359]

Helder Guégués às 08:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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