21
Mai 20

Léxico: «titio»

Só mais isto

 

      «Quando chega uma viatura ao local, correm ao encontro dos potenciais clientes. Cada uma delas leva um ou mais sacos de cenoura, beringela, peixe bagre (seco e fumado) e outros produtos. “Tio, olha o feijão verde, o tomate e o quiabo? Venha então comprar, meu titio. Aqui, tudo é barato. Vem comprar comida para a tua família. Os teus filhos gostam disso, compra só já, titio”, cativam» («Venda de peixe e produtos agrícolas», Jornal de Angola, 21.05.2020, p. 24).

      É forma de tratamento nominal também de Angola, não apenas do Brasil. Ao que parece, é fenómeno que, no caso de Angola, surgiu depois da independência. Titio até aparece na Infopédia, mas em dois dicionários bilingues — oompje, zio —, e apenas num deles se faz referência ao Brasil. Enfim, não falta que corrigir e melhorar.

 

 

[Texto 13 403]

Helder Guégués às 10:45 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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«Receamos infectar-nos»

A dificuldadezinha com os verbos

 

      Antes de fechar a loja, vamos ajudar Pedro Tadeu, pode ser que ele agradeça. Uns agradecem, outros escoicinham, depende da natureza de cada um. «Estamos todos com medo de que a saída de casa, a ida à escola, ao trabalho, às compras, ao convívio com colegas de trabalho, com amigos, com familiares, com estranhos, possam ser um perigo. Receamos infetarmo-nos. Receamos infetar os outros. Receamos pelos nossos filhos, pelos nossos pais. Receamos uma segunda vaga da COVID-19 e achamos que a primeira ainda não passou» («É preciso salvar a Livraria Barata?», Pedro Tadeu, TSF, 18.05.2020, 7h09).

      Não, não, não, Pedro Tadeu: a marca da pessoa, no caso, a primeira pessoa do plural, já está na primeira forma verbal. Logo, escreve-se «receamos infectar-nos». Repare como escreveu a frase seguinte; essa está certa.

 

[Texto 13 402]

Helder Guégués às 10:00 | comentar | favorito
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Léxico: «titulador»

Mais cuidado

 

      «A pedofilia tem sido uma das maiores sombras sobre a Igreja Católica e o Papa Francisco tentou uma autêntica revolução. As normas para a proteção de menores incluem a denúncia obrigatória. A lufada de ar fresco que procurou introduzir na Igreja, da gestão financeira a questões morais como o acolhimento de divorciados e recasados, nem sempre foi bem recebida e sentimos muitas vezes o Papa como um homem só entre alguns setores eclesiásticos» («A igreja portuguesa e os abusos sexuais», Inês Cardoso, TSF, 20.05.2020, 11h20).

      Vá lá, foi só inépcia ou incúria do titulador (palavra que a Porto Editora desconhece), porque no corpo do texto está sempre com maiúscula, Igreja e Igreja Católica. Melhor, portanto, do que no próprio dicionário da Porto Editora, que em alguns, demasiados, verbetes, escreve «Igreja católica». Sirva de exemplo o verbete catabaptismo: «RELIGIÃO doutrina cristã, considerada herética pela Igreja católica, que considera o baptismo desnecessário para a salvação». Não pode ser, é um dicionário, tem de servir de exemplo.

 

[Texto 13 401]

Helder Guégués às 10:00 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Léxico: «bancarizar | bancarização»

Também de Angola

 

      «“O sistema que apresentamos ao BNA está desenhado para que inclusive a vendedora ambulante, a conhecida zungueira, ou o moto-taxista possam fazer todo o tipo de pagamentos a partir do respectivo aparelho de telefone que, repito, não precisa ser de última geração. A nossa premissa está, contudo, na educação financeira que é o principal pilar do sucesso da bancarização do mercado informal”, explicou [Sérgio Hirose, gestor do DUbank]» («Educação financeira pode ajudar a bancarizar o mercado informal», Jornal de Angola, 5.05.2020, p. 12).

 

[Texto 13 400]

Helder Guégués às 09:45 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Léxico: «permilagem | ‰»

Escolham outra fonte

 

      A última vez que a Porto Editora olhou para Angola, esta ex-colónia portuguesa tinha 13 milhões de habitantes; actualmente, a população angolana passa os 30 milhões. «A população de Angola é de 13 300 000 habitantes (2011), a que corresponde uma densidade de 9 hab./km2. A taxa de natalidade é de 45,11%o e a taxa de mortalidade é de 24,2%o. A esperança média de vida atinge apenas 38,62 anos, um dos valores mais baixos do Mundo. O valor do Índice do Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,377 (2001) (IDG sem dados). Estima-se que em 2025 a população de Angola seja de 17 405 000 habitantes.» Está tudo ultrapassado — até, porque acanhadas, irrealistas, as estimativas! Outra coisa que está incompreensível e lamentavelmente mal escrito é o símbolo de permilagem. A propósito, no verbete permilagem deviam indicar que o símbolo é ‰, nem toda a gente sabe (e alguns escrevem-no mal...).

 

[Texto 13 399]

 

Helder Guégués às 09:30 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Léxico: «feriadão»

Nisto são bons

 

      «Litoral de SP tenta conter invasão em feriadão» (Diego Garcia, Reginaldo Pupo e Luciano Trindade, Folha de S. Paulo, 20.05.2020, p. B3). Aqueles sacaninhas inventaram umas coisas bem interessantes e úteis, como este feriadão, o feriado que cai no início ou no fim da semana, proporcionando assim um fim-de-semana prolongado. E lá se livraram — foi a boa notícia do dia — da viúva Porcina na Cultura. Agora só faltam as restantes criaturas porcinas que assaltaram o poder. Boa sorte.

 

[Texto 13 398]

Helder Guégués às 09:15 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «nanovacina»

Um novo conceito

 

      «Cientistas de Portugal e de Israel já tinham desenvolvido uma plataforma de nanovacinas que tinha estimulado a resposta imunitária contra o melanoma. Agora, a equipa quer adaptar a plataforma à covid-19 e tentar desenvolver uma nanovacina para esta doença. Já criou cinco candidatas a essa vacina e está a avaliar a sua resposta imunitária em ratinhos. O grande objectivo é encontrar uma candidata a esta vacina e começar os ensaios clínicos, no máximo, daqui a dois anos» («Portugueses procuram desenvolver uma nanovacina para a covid-19», Teresa Sofia Serafim, Público, 20.05.2020, p. 9).

 

[Texto 13 397]

Helder Guégués às 09:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «vale-cirurgia»

Há outros semelhantes

 

      «Entre 1 de Janeiro e 30 de Abril, os hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) emitiram 75.063 vales-cirurgia, mais 7,1% do que no mesmo período do ano passado (70.088), de acordo com os dados, ainda provisórios, fornecidos pelo Ministério da Saúde ao Público. Mas, apesar deste acréscimo, houve menos doentes a querer usar este mecanismo para realizar a sua cirurgia, quando comparada com a percentagem de vales-cirurgia cativados no período homólogo» («SNS emitiu mais vales-cirurgia mas menos doentes quiseram usá-los», Ana Maia, Público, 20.05.2020, p. 6).

      A minha preocupação é: e depois, daqui a vinte ou cinquenta anos, saber-se-á do que se trata? A lei diz que um vale-cirurgia «é um documento pré-numerado, pessoal e intransmissível que só pode ser utilizado para a realização da cirurgia proposta ou equivalente, dentro do prazo de validade aposto».

 

[Texto 13 396]

Helder Guégués às 08:45 | comentar | favorito
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Léxico: «lavradiense»

Falta de oportunidade

 

      «Então, foi até ao Sporting Clube Lavradiense, no Lavradio, onde decorreu a Assembleia Municipal do Barreiro» («Passeios à beira-mar», Carlos Torres, Sábado, 11-17.07.2019, p. 10). É mais uma clandestina. Destas, são aos milhares que faltam nos nossos dicionários. E porquê? Ora, por nada.

 

 [Texto 13 395]

Helder Guégués às 08:30 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «autobetoneira»

Agora vejo uma todos os dias

 

      «Quatro pessoas ficaram feridas com gravidade e 11 sofreram ferimentos ligeiros no acidente ocorrido hoje entre um autocarro de passageiros e uma autobetoneira na Via do Infante, em Loulé (Algarve), indicou o INEM no local. Os feridos foram transportados para o hospital de Faro, capital de distrito» («Quinze feridos em acidente na Via do Infante», Observador, 16.05.2018, 9h29). 

 

[Texto 13 394]

Helder Guégués às 08:15 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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21
Mai 20

Léxico: «plasma convalescente»

Outro dado pela pandemia

 

      «Os critérios para a participação em ensaios clínicos com plasma convalescente são coordenados pelo Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST), e envolvem a Direção-geral da Saúde (DGS), o Infarmed, o Instituto Nacional Dr. Ricardo Jorge e o Instituto de Medicina Molecular de Lisboa. Presente na conferência, a presidente do IPST, Maria Antónia Escoval, sublinhou que a terapêutica não só foi usada na China “com eficácia”, como estão a ser desenvolvidos ensaios com plasma convalescente em vários países da Europa, nomeadamente Espanha, Itália, França, Alemanha, Holanda e Bélgica» («Colheita de plasma de doentes recuperados», Jornal da Madeira, 5.05.2020, p. 4).

 

 [Texto 13 393]

Helder Guégués às 08:00 | comentar | favorito
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