28
Mai 20

Léxico: «nhaneca-humbe | olunianeca»

O que falta dizer

 

      «As mensagens das campanhas, que terminam hoje, são transmitidas em português, umbundu e nhanekahumbi. “Montamos bidões adaptados com torneiras onde a população acorre com frequência para cuidar da higiene das mãos”, disse [Paulo Mutileni, responsável da área sanitária da organização Agentes de Desenvolvimento Comunitário e Sanitário (ADECOS) da Cacula]» («Comunidades rurais aprendem a lavar as mãos e usar máscaras», Arão Martins, Jornal de Angola, 28.05.2020, p. 6).

      A grafia correcta é nhaneca-humbe, mas, ao que me parece, está errado. O termo nhaneca-humbe designa um conjunto de etnias do Sudoeste de Angola. (O dicionário da Porto Editora só acolhe nhaneca e humbe, os nomes dos povos.) A língua falada por este grupo étnico é o olunianeca (que a Porto Editora também não regista).

 

[Texto 13 453]

Helder Guégués às 13:30 | favorito
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Léxico: «taxidermizar»

Porque o verbo existe

 

      «Antiga estação ferroviária de Cornélio Procópio abriga Museu de História Natural com acervo de 300 peças. São animais taxidermizados pelo biólogo João Aparecido Galdino» (Pedro Marconi, Folha de Londrina, 27.05.2020, p. 1).

 

[Texto 13 452]

Helder Guégués às 13:15 | ver comentários (1) | favorito
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Activo e passivo: os estereótipos na linguagem

  

Explica lá isso melhor

 

      A propósito de activo, mas agora no campo da sexualidade. Para o dicionário da Porto Editora, é adjectivo e nome masculino e «diz-se de ou aquele que, numa relação homossexual masculina, efectua a penetração». Já passivo é meramente (para reforçar o papel menor?) adjectivo: «(sexualidade) que se submete ao parceiro». Vá lá, não chegaram ao pormenor de explicar que recebe, e onde, o órgão copulador do parceiro, activo. Mas isto não são estereótipos, Porto Editora? Reflecte, informa-te e corrige.

 

[Texto 13 451]

Helder Guégués às 13:00 | ver comentários (1) | favorito

Como se escreve por aí

Neste caso, em Angola

 

      «O administrador comunal de Massabi, Alexandre Gomes, denunciou a existência de cidadãos congoleses que violam sistematicamente a fronteira do país, utilizando os vulgos caminhos “fiotes”» («Alívio ou agravamento das restrições depende dos resultados das 60 amostras», Bernardo Capita, Jornal de Angola, 23.05.2020, p. 5).

      Bernardo Capita, não diga disparates. Vulgo é advérbio. Tentasse assim: «O administrador comunal de Massabi, Alexandre Gomes, denunciou a violação sistemática da fronteira do país por cidadãos congoleses, que usam os chamados caminhos fiotes, isto é, caminhos de pé posto.»

 

[Texto 13 450]

Helder Guégués às 09:45 | favorito
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Léxico: «supertransmissão»

Um e outro

 

      Quem fala em supertransmissor, naturalmente, também fala em supertransmissão, que se vê com alguma frequência: «A supertransmissão ocorre quando um único indivíduo gera múltiplos casos secundários em número muito superior ao esperado para uma determinada doença. Por exemplo, para a covid-19 estimava-se no início da pandemia que um indivíduo infetasse em média duas a três pessoas, mas houve registo de algumas situações em que um único caso gerou dezenas de casos adicionais» («“Super-spreader”, ou supertransmissões numa comunidade», Raquel Duarte, Jornal de Notícias, 13.05.2020, p. 7).

 

[Texto 13 449]

Helder Guégués às 09:30 | ver comentários (2) | favorito
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Léxico: «supertransmissor»

É mais um

 

      «Fora da China, no entanto, os casos eram muitos restritos, o que permitiu que a vida de boa parte da população seguisse normal e criou a figura dos supertransmissores» («Em menos de 5 meses, vírus já atinge 180 países», Fernanda Mena, Naná DeLuca e Diana Yukari, Folha de S. Paulo, 13.05.2020, p. A14). Já temos o sinónimo superdisseminador no dicionário da Porto Editora: «indivíduo infectado com doença contagiosa que transmite essa doença a um número invulgarmente grande de outros indivíduos».

 

[Texto 13 448]

Helder Guégués às 09:15 | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «levandisca»

Igualmente legítimos

 

      «Gostava de contar as estrelas e de admirar o pôr do sol, mas a sua grande paixão eram os pássaros. Apreciava tanto o planar de um milhafre, como o voo veloz de um melro ou a truculência de uma levandisca» («A doença que matou os mais jovens santos do mundo», Secundino Cunha, «Domingo»/Correio da Manhã, 10.05.2020, p. 30).

      A Porto Editora só regista a variante lavandisca. Num bilingue, ocultaram levandisca, ora aqui presente.

 

[Texto 13 447]

Helder Guégués às 09:00 | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «sofrença | sofrência»

Isto é que é sofrer

 

      «Hoje é noite de sofrência no Altas Horas. A edição especial do programa de hoje exibe as participações dos músicos Marília Mendonça, Wesley Safadão e a dupla Simone & Simaria» («Especial da sofrência», Meia Hora, 23.05.2020, p. 17). Esta sofrência é neologismo brasileiro, mas no português arcaico tínhamos sofrença, a capacidade de sofrer, que os nossos lexicógrafos se apressaram a expungir dos dicionários, como a inquilino inadimplente. Só não o fez, honra lhe seja feita, José Pedro Machado.

 

[Texto 13 446]

Helder Guégués às 08:45 | ver comentários (1) | favorito
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Definição: «vezeira»

Chumbo liminar

 

      «A “vezeira” é uma tradição ancestral que consiste na subida às serras do gado típico da região, para lá passar o verão, onde é guardado ‘à vez’ pelos proprietários. Habitualmente, os animais regressam às ‘terras-baixas’ em meados de setembro» («Vezeiras das Terras de Bouro a caminho de Património Cultural Imaterial», Olímpia Mairos, Rádio Renascença, 26.05.2020, 15h09).

      A caminho de ser Património Cultural Imaterial — e a Porto Editora limita-se a dizer que vezeira é o «rebanho que se reveza com outro, no pasto». Ainda bem que não participaram na elaboração do dossiê de caracterização desta prática ancestral, ou íamos ter chumbo liminar.

 

[Texto 13 445]

Helder Guégués às 08:30 | ver comentários (1) | favorito

Léxico: «latinofobia | latinofóbico»

Chegou a vez dos latinos

 

      «Porque representam, demograficamente, a maioria dos que vêm para cá. Porque existe racismo e latinofobia e porque são os nossos vizinhos mais próximos. Em cada geração, há um grupo demográfico assumido como rival. Já foram os irlandeses, os japoneses e os chineses. Agora, chegou a vez dos latinos», afirma a escritora norte-americana Jeanine Cummins («“Quis contar uma história em que os migrantes são pessoas”», Luciana Leiderfarb, «Revista E»/Expresso, 9.05.2020, p. 17).

 

[Texto 13 444]

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28
Mai 20

Léxico: «intradomiciliar | antilarvar»

Dificuldades?

 

      Há dias assim: «Para reduzir o índice de morbi-mortalidade, as autoridades sanitárias têm realizado palestras de sensibilização das comunidades, com o foco para a pulverização intra-domiciliar e luta anti-larval» («Andulo regista aumento de mortes por malária», Jornal de Angola, 24.05.2020, p. 26). Há dias assim em que a displicência é mais evidente. É morbimortalidade, intradomiciliar e antilarvar. Valha a verdade que o dicionário da Porto Editora só regista o primeiro.

 

[Texto 13 443]

Helder Guégués às 08:00 | ver comentários (2) | favorito
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