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Linguagista

Léxico: «tromba-d’água»

Mas isso é na linguagem comum

 

   «Foi em Alcongosta que se registou o nível mais elevado de precipitação no domingo, com uma concentração várias vezes superior à referência para as trombas de água (dez litros por metro quadrado). Em menos de uma hora, choveram 77 litros por metro quadrado» («O “dilúvio” de domingo», Lúcia Reis, Jornal do Fundão, 4.06.2020, p. 3).

   É claríssimo que este conceito de tromba-d’água (atenção à ortografia, Lúcia Reis) não é o científico, único registado no dicionário da Porto Editora: «METEOROLOGIA fenómeno meteorológico que consiste na formação de uma coluna de água que faz lembrar uma tromba de elefante e que, saindo de uma nuvem e girando rapidamente em volta de si própria, se prolonga até atingir a superfície do mar, momento em que produz um redemoinho, ruidoso e violento, e sorve a água até ao seio da nuvem, que depois se descarrega em forte aguaceiro».

      Falta, assim, dicionarizar a acepção mais usada, trate-se de uma extensão de sentido ou seja o que for.

 

[Texto 13 509]

Léxico: «apronto»

Nem mais nem menos

 

      «Ontem, segundo deu conta o Tuttosport, Ronaldo chegou ao complexo desportivo da Juventus cerca de quatro horas antes do treino. CR7 quis fazer trabalho individual antes dos colegas chegarem e depois participou na habitual sessão de treinos conduzida por Maurizio Sarri» («CR7 chegou 4 horas antes do apronto», Ilda Figueiredo, Jornal da Madeira, 4.06.2020, p. 27).

      O que me parece incontestável, Porto Editora, é que todas as gírias — quer a dos médicos, quer a dos meliantes, para usar um termo de que o Jornal de Angola muito gosta e abusa — têm o mesmo valor linguístico, e não é o que vejo nos dicionários.

 

[Texto 13 508]