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Linguagista

Léxico: «sapo-bufo | janado»

Coisa de princesas (e janados)

 

      «Há onze meses que o ator, de nome verdadeiro Ignacio Jordá González, está a ser investigado pela morte do fotógrafo de moda Jose Luis Abad, na sua casa de Enguera (Valência), em julho de 2019, durante um ritual com DMT, substância alucinogéna [sic] proveniente do sapo-bufo. Vidal foi acusado juntamente com uma prima e um assistente, que também participaram na cerimónia e que a filmaram com um telemóvel» («Ícone da pornografia acusado de homicídio», Sónia Dias, Correio da Manhã, 8.06.2020, p. 38).

      É o sapo-bufo (Bufo marinus), e, de facto, podem ocorrer graves episódios de neurotoxicidade se se lamber a sua pele. Mas quem vai lamber a pele de um sapo?! Alguma princesa em risco de ficar para tia, imagino, ou, lá está, um janado.

 

[Texto 13 527]

Léxico: «triagem de Manchester | enfartar»

Eu quero saber

 

      «Apesar de as queixas poderem configurar que estaria a enfartar, o enfermeiro atribuiu-lhe uma pulseira amarela – que, no sistema de triagem de Manchester, configura caso urgente com atendimento no espaço máximo de uma hora. Acima dessa cor, há as pulseiras laranja, para casos muitos urgentes (atendimento em 10 minutos), e a vermelha, emergência (observação imediata)» («Morreu na urgência após seis horas de espera na Urgência», Nuno Miguel Ropio, Jornal de Notícias, 8.06.2020, p. 22).

 

[Texto 13 526]

Unidade monetária e código

Mais e melhor

 

      «Foram vendidas cerca de 72 milhões de máscaras, em Macau, desde final de janeiro, segundo revelaram, este sábado, as autoridades do território, na conferência de imprensa diária sobre a pandemia da Covid-19. [...] A cada dez dias, cada pessoa pode adquirir dez máscaras em cerca de meia centena de farmácias convencionadas no território, a um preço reduzido: oito patacas, ou seja, menos de um euro» («Macau vende cerca de 72 milhões de máscaras durante a pandemia», Rádio Renascença, 23.05.2020, 11h59).

      Não estaria mal, bem pelo contrário, que todos os dicionários começassem a indicar, no verbete de cada unidade monetária actual, o código da moeda, neste caso, MOP.

 

[Texto 13 525]

Sigla «EPC»

Ou seja, EPI e EPC

 

      «O director do Gabinete Provincial da Saúde avançou que do material recebido constam equipamentos de protecção individual e colectiva, como fatos, luvas, máscaras e óculos, termómetros infra-vermelhos e sacos para cadáveres» («Huambo reforçado com 20 toneladas», Victória Quintas, Jornal de Angola, 6.06.2020, p. 6).

 

[Texto 13 524]

Léxico: «azul-e-branco»

Estes não são do futebol

 

      «Os taxistas, vulgo “azuis e brancos” e mototaxistas, que operam no município de Cacuaco, ameaçam paralisar os serviços, caso a administração da circunscrição insista em manter a actual rota que alegam não oferecer condições para o trabalho que exercem» («Taxistas ameaçam paralisar serviços na zona de Cacuaco», Manuela Gomes, Jornal de Angola, 6.06.2020, p. 6).

      Como já temos os nossos azuis-e-brancos, Porto Editora, não custa muito pôr lá estes angolanos. (Se me descuido, ainda me fazem sócio correspondente da Academia Angolana de Letras.)

 

[Texto 13 523]

«Pagar por bom»

Se alguém souber mais

 

      «Atiraram-se ele e os outros que o ladeavam ao chão, tomados de justo pânico. Tive a sorte de falhar a pontaria, sem o quê o teria tido de pagar por bom» (Um Poeta Recorda-se: Memórias de Uma Vida, Armindo Rodrigues. Lisboa: Edições Cosmos, 1998, p. 132).

      Não era esta a frase, mas semelhante, que o leitor João Máximo citou para me perguntar o que significa aquele «pagar por bom», que não encontrara em nenhum dicionário. O que lhe respondi foi que, a meu ver, o temos de interpretar literalmente: pagar por bom, quando ele não presta. Alguém tem opinião diferente ou informação de que não disponho?

      Para não haver dúvidas, a citação era esta: «Nada de o agarrar, que não vão os meus criados escadeirá-lo e eu ter de o pagar por bom», no drama Justiça.

 

[Texto 13 522]

Léxico: «olheiro»

Está, mas...

 

      «As ações de pesca artesanal de arrasto de tainha envolvem dezenas de pessoas em funções variadas. São os “olheiros”, que ficam em pontos altos da praia para observar a chegada dos cardumes; os barqueiros, que esperam o aviso para remar em altomar e fazer o cerco aos peixes; e os puxadores, que fazem força para arrastar a rede com as centenas de quilos de tainha para a areia» («Pesca artesanal de tainha no SC troca coletivo pela distância», Vanessa da Rocha, Folha de S. Paulo, 6.06.2020, p. A22).

      É, de facto, assim, mas nem sequer está em todos os dicionários publicados no Brasil. Cá, os olheiros não andam, é certo, só na «indústria» do futebol, mas nos dicionários estão ocultos numa acepção demasiado genérica. Por falta de espaço não é.

 

[Texto 13 521]

Um acrescento útil a «zairense»

E não custa nada

 

      «A independência da República Democrática do Congo veio em 1960 e seu nome atual foi adotado em 1964 (com um intervalo em que foi chamado de Zaire, de 1971 e 1997). O país é hoje o segundo maior da África em área e o quarto mais populoso, com cerca de 86 milhões de habitantes» («Belgas querem derrubar ícones de rei que massacrou africanos», Ana Estela de Sousa Pinto, Folha de S. Paulo, 6.06.2020, p. A18).

      Isto, que é rigoroso, devia estar nos dicionários. Onde? No verbete, zairense, Porto Editora: «relativo ao rio Zaire ou à República Democrática do Congo (antigo Zaire, entre 1971 e 1997), ou que é seu natural ou habitante».

 

[Texto 13 520]