13
Jul 20

Definição: «aerossol»

Era para isto

 

      A minha ideia, quando propus que a definição de aerossol no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora fosse alterada, era fazer referência ao ar, o que continua a parecer-me essencial, sobretudo agora, em que tanto se fala em aerossóis a propósito da covid-19. Como na definição do Cambridge Dictionary: «a mixture of particles (= extremely small pieces of matter) and the liquid or gas that they are contained in, that can spread through the air».

 

[Texto 13 703]

Helder Guégués às 09:45 | ver comentários (1) | favorito

Léxico: «pernito(s)»

Por analogia?

 

      Na sexta-feira, fui à Decathlon de Alfragide e que vi eu? Na secção de acessórios têxteis para ciclismo, uma peça que serve para proteger as pernas do frio. Que nome tem isto? Parece-me que nunca teve outro nome que não perneiras. Pois, mas lá estava escrito pernitos. Há-de ser por analogia com manguito, até porque se lia: «Acessório têxtil ciclismo — manguitos e pernitos». Seja como for, tem de se actualizar a definição de perneiras nos dicionários. Lê-se, por exemplo, no da Porto Editora: «plural polainas de couro ou pano grosso». As que encontramos na Decathlon, para ciclismo, têm 85 % de poliamida e 15 % de elastano.

 

[Texto 13 702]

Helder Guégués às 09:30 | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas: ,

Léxico: «intercompreensão»

Em cinco línguas românicas

 

      «Com o termo “intercompreensão” costuma designar-se o fenómeno que se verifica quando duas pessoas comunicam entre si com sucesso falando cada uma na sua própria língua» (EuRom 5, Elisabetta Bonvino. Paris: La Maison du Dictionnaire, 2011, p. 2). O termo, que não está registado no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, é empregado em quatro artigos de apoio da Infopédia.

 

[Texto 13 701]

Helder Guégués às 09:15 | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas: ,

Léxico: «bruxinha | ferreirinha | cigarra-do-mar | santiago | cavaco-anão»

Muito estranho

 

      «Bruxinhas. Conhecida também por bruxa, ferreirinha, cigarra-do-mar, santiago ou cavaco-anão, esta espécie habita entre os 4 e os 50 metros de profundidade, sobre substratos rochosos ou lodosos. Antigamente, os barcos traziam-nas para a lota, apanhadas com armadilhas de malha curta, que hoje são proibidas. Actualmente são apanhadas na costa vicentina por mergulhadores licenciados que fazem mergulho de apneia. Está disponível esporadicamente ao longo do ano, mas em quantidades mínimas. Pode ser cozida ou grelhada» («Andamos a sonhar com marisco e peixe fresco», Alexandra Prado Coelho, «Fugas»/Público, 20.06.2020, p. 46).

      Cinco ausências no dicionário da Porto Editora. As duas primeiras são pura e simplesmente atribuíveis à tal doença da Porto Editora, que fica com brotoeja e intolerância aos -inhos e -inhas. Muito estranho. É como querer ser enfermeiro quando se tem medo de sangue ou ser-se atreito a vertigens e obstinar-se em ser alpinista.

 

[Texto 13 700]

Helder Guégués às 09:00 | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas: ,

«Discriminação | descriminação»

A confusão continua

 

      «O verniz estalou (outra vez) entre Winona Rider e Mel Gibson. Em causa está uma denúncia da atriz que acusa o ator de antissemitismo (descriminação aos [sic] judeus). Segundo Winona Rider, Gibson ter-se-á referido a ela como “oven dodger” (“evitadora de fornos”), numa referência às suas raízes judaicas. Um representante de Gibson já veio, entretanto, desmentir as declarações, mas, à boleia do recente debate sobre o racismo nos EUA, a situação está a agitar os bastidores de Hollywood» («Guerra entre atores agita Hollywood», Miguel Azevedo, Correio da Manhã, 25.06.2020, p. 39).

      Se os jornalistas, cuja ferramenta diária de trabalho é a língua, confundem (entre mil e uma outras coisas) discriminação com descriminação, o que não será com o falante comum? (Até o ignaro — porque feito por ignaros — do corrector ortográfico me manda «corrigir» a última para «discriminação».)

 

[Texto 13 699]

Helder Guégués às 08:45 | favorito
Etiquetas: ,

Léxico: «norma-travão»

Anda por aí há décadas

 

      «Este é o terceiro maior número de vagas abertas neste concurso que, desde 2015, tem servido quase exclusivamente para garantir o cumprimento de uma directiva europeia que impede a utilização abusiva de contratos a prazo. São elegíveis os professores com três anos com contratos sucessivos em horários anuais e completos, ou seja, se o docente for sucessivamente contratado para dar 22 horas de aulas semanais, durante todo o ano lectivo. O número de vagas que tem sido aberto no âmbito deste concurso é igual ao de contratados abrangidos pela chamada “norma-travão”» («Quase 900 docentes entram nos quadros», Samuel Silva, Público, 8.07.2020, p. 13).

 

[Texto 13 698]

Helder Guégués às 08:30 | favorito
Etiquetas: ,

Plural de «sassafrás»

Ai os plurais...

 

      «Pode até pedir-se, imagine-se, uma salsaparrilha, refresco cuja receita vem do século XIX, à base de raiz de salsaparrilha, raiz de alcaçuz e sassafrás, tudo comprado nas resistentes ervanárias lisboetas, espaços, diz André, “com um potencial gastronómico extraordinário”» («Este quiosque é uma taberna das memórias de Lisboa: há petiscos e “xiripitis” no Cais do Sodré», Alexandra Prado Coelho, Público, 16.06.2020, 11h59).

      Lê-se no dicionário da Porto Editora que as folhas e a casca aromáticas do sassafrás são «usadas em perfumaria e para fins medicinais». Não é assim, como se vê e se sabe: ainda recentemente, sugeri a dicionarização de gualtéria, também uma planta aromática. Ora bem, tanto a gualtéria como o sassafrás são ingredientes do root beer. O corrector do Word está a sugerir-me que altere para «dos sassafrás», o que é a prova cabal de que os dicionários devem indicar, urgentemente, o plural de sassafrás — que não é invariável, é sassafrases.

 

[Texto 13 697]

Helder Guégués às 08:15 | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas: ,
13
Jul 20

Léxico: «carriço | esteirado»

Todos os usos

 

      «Carriço é uma planta ciperácea, de folhas cortantes denominadas também de “cana-brava”. A cana de carriço é usado em Cabo Verde para o fabrico de peças de cestarias e aplicado também na construção. A cana é espalmada e depois tece um entrançado que se chama esteirado, que pode ser usado para divisoras, tetos falsos e celeiros. Este tipo de uso já não é muito corrente pela escassez do carriço e pela falta de artesãos que fabricam esses materiais. Pode ser usado como entrançado para dar resistência a placas de betão, vigotas simples ou paredes leve reduzindo assim os custos» (Materiais e Técnicas Construtivas de Baixo Custo para a Construção em Cabo Verde, Claudete Simone Cabral Neves, dissertação de mestrado, Universidade de Coimbra, 2014, p. 31).

      Carriço até está registado no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, mas só se apontam as suas propriedades medicinais. Quanto a esteirado, simplesmente não aparece nos dicionários, mas mais compreensivelmente.

 

[Texto 13 696]

Helder Guégués às 08:00 | ver comentários (2) | favorito
Etiquetas: ,