16
Jul 20

Léxico: «pianismo»

Pois, disso não

 

       «Rodeados da ruína oitocentista e acompanhados pelo possante pianismo de Matthias Samuil (Berlim, 1979), os protagonistas da noite revezaram-se em palco» (excerto da recensão da Gala de Ópera no Teatro Thalia, Ana Rocha, «Revista E»/Expresso, 27.06.2020, p. 81).

      «Queria pesquisar cianismo, picanismo?» Pois, não, e de picanismo ligado à gravidez nunca sofrerei, disso não tenho medo. O advogado João Araújo, falecido há dias, é que dizia que a morte não o assustava, a menos que fosse de parto. Não, pianismo é, na definição do Michaelis, a «característica da execução e técnica utilizadas por um pianista».

 

[Texto 13 730]

Helder Guégués às 09:45 | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «uolofe»

Em todo o caso, a melhor grafia

 

       Em uolof, o dicionário da Porto Editora diz que é a «língua falada pelos povos do grupo étnico Jalofos, nomeadamente na Guiné-Bissau, na Gâmbia e no Senegal». Não regista, mas devia registar, uolofe, mas acolhe Uolofes, «grande grupo étnico de mestiços de fula e berbere, que fala uma língua aglutinante e que se encontra disperso por todo o Senegal, pela Gâmbia e pela Mauritânia, também designado Jalofos». «Em 1566, um Uolofe chamado Zambo (antes de ser baptizado António), tentou fugir do seu senhor em Lisboa» (Recriar África: Cultura, Parentesco e Religião no Mundo Afro-Português (1441-1770), James H. Sweet. Tradução de João Reis Nunes e Luís Abel Ferreira. Lisboa: Edições 70, 2007, p. 113).

 

[Texto 13 729]

Helder Guégués às 09:30 | ver comentários (2) | favorito
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Léxico: «bicha»

Também não?!

 

      Tive de substituir, a título preventivo, a bicha da misturadora da cozinha, daquelas extensíveis, e não foi fácil encontrar igual, pois é toda de PVC flexível, e não, como é mais comum, de malha de aço. Mas também já substituí, outrora, as bichas dos travões e das mudanças de bicicletas. Enfim, são coisas do dia-a-dia, mas acepções de bicha estranhamente ausentes do Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora. Foram muitos anos a dormir na forma.

 

[Texto 13 728]

Helder Guégués às 09:15 | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «trémulo»

Vai estudar joalharia

 

      «O tesouro inclui ainda três ornamentos de peito, dois pares de brincos e dois trémulos para enfeitar o cabelo» («Dois tesouros e uma doação vão tornar o MNAA mais brilhante», Isabel Salema, Público, 10.07.2020, p. 31).

      Trémulos para enfeitar o cabelo — mas o dicionário da Porto Editora não está pelos ajustes: «plural pedrarias que tremulam no vestido ou no peito que adornam». Ai, ai, e agora, mudamos o dicionário ou a realidade, o que acham? (Não lhe perguntei a si, Cristus. Está, repito, de castigo até à Primavera de 2022; insiste, e será para todo o sempre, para usar a expressão apocalíptica.)

 

[Texto 13 727]

Helder Guégués às 09:00 | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «ficar no pau da roupa»

É bom lembrá-las

 

      «Pedro Filipe Soares, do BE, também insistiu nesse ponto. O bloquista disse que os deputados do PS “foram deixados no pau da roupa pelo ministro”, uma vez que fizeram seis intervenções mas não revelaram qual a estratégia do Executivo» («PS e PSD chumbam redução do número de alunos por turma», João Vasconcelos e Sousa, Jornal de Notícias, 25.06.2020, p. 11). «Mais do que uma vez aconteceu que um estoirava, abria falência, fraudulenta, está claro, lixava uma quantidade de famílias que, depois de um ano de trabalho, e não digo de esperanças, porque esperança era coisa que não morava por ali há muito tempo, digo de necessidades, de sacrifícios, de teimosia, ficavam no pau da roupa, sem saídas que não fosse vender alguma coisa do património» (Vindimas no Capim, José Brás. Lisboa: Publicações Europa-América, 1987, p. 178).

      É mais uma expressão que não aparece nos nossos dicionários. O que vale é que até os políticos contribuem para não serem completamente esquecidas.

 

[Texto 13 726]

Helder Guégués às 08:45 | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «sarcocórnia» e outras

Todas comestíveis

 

      «Além dos benefícios para a saúde, as plantas halófitas apresentam características gastronómicas muito específicas. Salicórnia, valverde da praia, rossio, sarcocórnia, sea fingers, inula, rúcula marinha, botão floral de ficoide, funcho do mar, alface glacial, diabelha e ficoide glacial. Eis a lista de plantas halófitas da RiaFresh, denominação atribuída, em 2016, pelo engenheiro agrónomo Miguel Salazar e pela sua equipa, aos vegetais marinhos naturais do Parque Natural da Ria Formosa, no Algarve, e cujo cultivo é feito com base no mais elevado padrão de qualidade, para garantir a segurança alimentar» («Plantas halófitas», «Revista E»/Expresso, 20.06.2020, p. 82).

      Sarcocórnia (Sarcocornia perennis), que não deve ser confundida com a salicórnia (para cuja definição corrigida contribuí em 2018). Claro que não é «rossio», mas rocio (Mesembryanthemum nodiflorum), porque, diz a empresa, «recebe este nome devido às vesículas em forma de pequenas bolhas brilhantes que o revestem». Enfim, este conhecimento aproximado da ortografia é muito irritante, é como se lidássemos com amadores em todas as áreas. Como também é ínula. Nos dicionários faltam também a rúcula-marinha (Cakile maritima), funcho-do-mar (Crithmum maritimo) e ainda alface-glacial (Mesembryanhtemum crystallinum).

 

[Texto 13 725]

Helder Guégués às 08:30 | ver comentários (4) | favorito
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Léxico: «tulipomania»

Há manias piores

 

      «As costas deste ornamento de prata e ouro estão cobertas por um esmalte onde podemos encontrar várias tulipas pintadas. “É um esmalte típico da fase da tulipomania com origem na Holanda, a que a ourivesaria e a joalharia não ficaram imunes, como as outras artes. E não nos esqueçamos que os Países Baixos também eram espanhóis nessa altura”, continua Anísio Franco [subdirector do Museu Nacional de Arte Antiga]» («Dois tesouros e uma doação vão tornar o MNAA mais brilhante», Isabel Salema, Público, 10.07.2020, p. 30).

 

[Texto 13 724]

Helder Guégués às 08:15 | ver comentários (1) | favorito
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16
Jul 20

Léxico: «reestilização»

É escolher

 

      «A primeira reestilização veio em 1976, com mudanças na dianteira e nas lanternas. O motor passou a ser o 1600 de 58 cv» («Kombi faz 70 anos e continua na ativa», Hairton Ponciano, O Estado de S. Paulo, 22.04.2020, p. D1). «No habitáculo saltam à vista as alterações produzidas neste P400e, até porque se assume como o restyling do Range Rover. Se do lado de fora as diferenças não são assim tão acentuadas, lá dentro o caso muda de figura» («TESTE – Range Rover P400E – Fortaleza sustentável», Ricardo Carvalho, Motor 24, 22.06.2020).

 

[Texto 13 723]

Helder Guégués às 08:00 | ver comentários (1) | favorito
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