17
Jul 20

Definição: «clinómetro»

A mais comum, afinal

 

      «Será que é possível medirmos a altura de uma árvore muito alta?», perguntava a monitora do programa «Pedalada de Ciência», organizado pelo Exploratório de Coimbra e que se realiza no Parque Verde do Mondego. A resposta é sim, claro. «Para isso vamos ter de construir um clinómetro.»

      Só é pena que a definição de clinómetro no dicionário da Porto Editora não mencione essa utilidade: «designação genérica dos instrumentos que servem para medir inclinações, espessura de camadas, a obliquidade da quilha dos navios, etc.». Afinal, é a que está mais próxima de nós.

 

[Texto 13 740]

Helder Guégués às 10:15 | ver comentários (1) | favorito

Léxico: «vinho de missa»

Vinho consagrado

 

      «Os paulistas [Sociedade de São Paulo] produziram e já estão a distribuir o primeiro vinho de missa. Chama-se “Vinha de S. Paulo” e a plantação foi feita em 2014. Esta é, assim, a primeira vez que os paulistas produzem um vinho de Missa que é devidamente certificado pelo Instituto da Vinha e do Vinho. [...] O padre José Carlos Nunes especifica que o “Vaticano pede-nos que um vinho para ser utilizado na missa deve ser um vinho puro, natural e sem aditivos. Essas são as três características que se pede a um vinho de missa. E é isso que acontece com este vinho. A única coisa que se acrescenta é a aguardente que o torna licoroso, dá-lhe um maior grau para que ele possa durar mais tempo. É também um vinho fácil de beber, é agradável, é doce, tem uma boa complexidade de aromas e sabores”» («Paulistas produzem o primeiro vinho de missa certificado», Ana Lisboa, Rádio Renascença, 15.07.2020, 18h11).

 

[Texto 13 739]

Helder Guégués às 10:00 | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «versão beta»

Pois se são públicas

 

      Se quisermos instalar a versão beta pública do watchOS 7 no nosso Apple Watch, podemos fazê-lo — e acarretar com as consequências, é claro. A Porto Editora, que define versão beta, creio que terá de rever a definição, que diz assim: «programa ou produto destinado a testes de verificação que é distribuído, na fase final do seu desenvolvimento, a utilizadores seleccionados (beta testers)». (Falta o itálico.) Numa versão beta pública, não há, obviamente, utilizadores seleccionados, é para todos. Aliás, às betas para desenvolvedores também não têm acesso apenas utilizadores seleccionados, pois, embora ainda menos aconselhável, qualquer utilizador poderá aceder a essas versões, ou pelo menos a algumas.

 

[Texto 13 738]

Helder Guégués às 09:45 | ver comentários (1) | favorito

Léxico: «tossiqueira»

Médico? Não

 

       «Muito envolvida porque era friorenta no xaile de caxemira, ali ficava ela por horas a fio, ora conversando a meia voz com quem lhe caía no goto, ora escorropichando uma genebrazita que lhe agravava a tossiqueira» (Triunfo do Amor Português, Mário Cláudio. Alfragide: Publicações Dom Quixote, 2014, p. 173). Conheço-o desde sempre, não me parece que se possa afirmar que é termo médico.

 

[Texto 13 737]

Helder Guégués às 09:30 | ver comentários (1) | favorito
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Definição: «aneurisma»

Hum, não me convence

 

      «Morreu Grant Imahara, um dos apresentadores do programa “Caçadores de Mitos”, transmitido pelo Discovery Channel. Tinha 49 anos. O engenheiro especialista em robótica morreu subitamente depois de ter sofrido um aneurisma cerebral, avança o “The Hollywood Reporter”» («​Grant Imahara. Apresentador dos “Caçadores de Mitos” morreu aos 49 anos», Rádio Renascença, 14.07.2020, 13h29).

      Não sei se o dicionário da Porto Editora define aneurisma correctamente, mas diria que não: «dilatação localizada de uma artéria cujas paredes cederam anormalmente à pressão do sangue; tumor sanguíneo». E como se pode interpretar este «tumor sanguíneo» separado por ponto-e-vírgula da restante definição? Se há mais de um tipo de aneurisma, não deviam estar dicionarizados?

 

[Texto 13 736]

Helder Guégués às 09:15 | ver comentários (3) | favorito

Léxico: «auto-aprovisionamento»

Auto-suficiência alimentar

 

    Para que se saiba: «Portugal tem, atualmente, um grau de autoaprovisionamento próximo dos 85%, destacando-se o azeite (160%) e o tomate (175%), anunciou, na Assembleia da República, a ministra da Agricultura, Maria do Céu Albuquerque. “Portugal tem um grau de autoaprovisionamento [autossuficiência alimentar do país] de cerca de 85%”, indicou Maria do Céu Albuquerque, numa audição na comissão parlamentar de Agricultura e Mar» («​Autossuficiência. Portugal só tem 18% dos cereais, mas tem azeite e tomate a mais», Rádio Renascença, 14.07.2020, 19h53).

 

[Texto 13 735]

Helder Guégués às 09:00 | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «serialização»

Falta este na série

 

      «Na ZDB mostram-se várias séries recentes (2018-2020) de papéis nos quais imperam processos de serialização sobre motivos visuais diversificados numa produção que parece dever em igual porção a uma ética minimalista, às notações musicais de Berio ou aos mais variados caminhos da poesia visual» («Padrão e fuga», Celso Martins, «Revista E»/Expresso, 6.06.2020, p. 77).

 

[Texto 13 734]

Helder Guégués às 08:45 | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «salmeja»

Não é só verbo

 

      Vim agora do Lumiar e lembrei-me, pelo caminho, da pintura A Salmeja, de Silva Porto (1850-1893), obra de 1884, ao que se diz, pintada no Paço do Lumiar, talvez na Quinta do Pisana. Ora, no penúltimo Visita Guiada, com Paula Moura Pinheiro, na RTP2, a visita foi ao Museu de José Malhoa, nas Caldas da Rainha, e aquele quadro de Silva Porto foi mostrado. Ora bem, senhores dicionaristas, onde pára o vocábulo salmeja, pode saber-se? Evidentemente, não é apenas uma forma do verbo, como afirmam. (Sr.ª Prof.ª Raquel Henriques da Silva, em «algozes», e também no singular, o o é fechado, como no nome da localidade algarvia — ao contrário do que se lê há anos numa consulta ao Ciberdúvidas. Nisto, são pioneiros de uma forma de estar e fazer nas plataformas digitais: escreve-se, está escrito, ainda que se prove estar errado e seja facílimo corrigir. Neste caso de «algoz», também a Porto Editora está do lado errado.)

 

[Texto 13 733]

Helder Guégués às 08:30 | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «parklet»

Só para ficarmos a saber

 

      «Com a pandemia, as cidades exigem mudanças. São Francisco, nos Estados Unidos, voltou a investir nos parklets, uma forma de aproveitar os passeios de estacionamento automóvel para a dinamização do comércio local ou mesmo para o reforço da necessidade de distanciamento. Mas a cidade californiana não está sozinha. Em Paris, Anne Hidalgo, presidente da câmara, está a promover a extensão dos cafés e restaurantes através da ocupação dos espaços de estacionamento. [...] A ideia remonta aos anos 70 do século XX. Bonnie Ora Sherk, arquitecta e artista internacional, criava instalações nas ruas da Califórnia que sugeriam uma nova forma de aproveitamento do passeio. Mas foi em 2005, quando os três principais membros do colectivo Rebar (John Bela, Matthew Passmore e Blaine Merker) se juntaram para ocupar um parque nas ruas de São Francisco, que tudo mudou» («E se partilhar o estacionamento com os peões fosse o futuro?», Ana da Cunha, Público, 12.07.2020, p. 16).

 

[Texto 13 732]

Helder Guégués às 08:15 | favorito
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17
Jul 20

Léxico: «vaca-ruiva», de novo

Um caso de colorismo

 

      Já aqui falei duas vezes na vaca-ruiva (Lucanus barbarossa), um escaravelho. A Porto Editora, porém, num claro colorismo, acolhe vaca-loura e vaca-vermelha, mas recusa-se a dar guarida à ruiva. Eu podia queixar-me a André Silva, do PAN, mas ele deve andar com a cabeça em água por causa das últimas dissidências. É que ainda fica sem partido, e por isso os animais têm de esperar.

 

[Texto 13 731]

Helder Guégués às 08:00 | ver comentários (1) | favorito
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