27
Jul 20

Léxico: «transculturalidade | transcultural»

O habitual

 

      «É mais alteridade do que transculturalidade. Sou bastante ávido das culturas exóticas, que são importantes e alimentam o meu ato criativo», afirma José de Guimarães» («Se a arte não ajudar a curar o mundo não tem grande importância», Sara Batista, Montepio, Inverno de 2020, p. 26).

      Outra, apesar de moderna, actual, clandestina. Não aparece nos dicionários, mas usa-se e está num texto de apoio da Infopédia. Quanto ao adjectivo, apenas nos bilingues. Curioso...

 

 [Texto 13 803]

Helder Guégués às 10:00 | ver comentários (2) | favorito
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Léxico: «tarimba»

Não temos destas cá

 

      «O Departamento de Pesca de Aquicultura, informou, está a desenvolver, desde Agosto de 2015, o Projecto de Apoio à Pesca Artesanal e Aquicultura (AFAP) no município de Cambambe. Os primeiros dois anos foram dedicados à formação em transformação de pescado, construção de tarimbas para secagem, jangos comunitários, latrinas e alfabetização» («Produção de cacusso regista níveis baixos no Cuanza-Norte», Manuel Fontoura, Jornal de Angola, 17.06.2020, p. 27).

 

[Texto 13 802]

Helder Guégués às 09:45 | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «viriato | boroa trambela | trambelo»

Nada nos dicionários

 

      Ia jurar que o dicionário da Porto Editora já registava viriato, bolos feitos em panelas de cobre e com recheio com um leve sabor a coco, mas não. Os únicos Viriatos do dicionário são o corpo militar de voluntários portugueses que participaram ao lado das tropas franquistas na Guerra Civil de Espanha. Ainda em Viseu, temos a famosa boroa trambela, feita de milho branco com um pouco de farinha de centeio, cozida em forno de lenha. Esta broa é feita em Vildemoinhos, localidade nos arredores de Viseu onde nasceu o nosso campeão olímpico Carlos Lopes. Ora, os naturais ou moradores de Vildemoinhos são conhecidos por trambelos. Pois até existe a Confraria da Boroa Trambela. Nada disto está nos dicionários, infelizmente.

 

 [Texto 13 801]

Helder Guégués às 09:30 | ver comentários (3) | favorito
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Léxico: «narcoestado»

Há alguns

 

      «Fenómeno de escala global, o narcotráfico tem quase sempre em comum o roteiro, que vai desde o cultivo em países subdesenvolvidos ao consumo nos desenvolvidos, onde o produto final atinge altos valores no mercado negro. Na base, estão as populações pobres, as autoridades corruptas e/ou dominadas pelo narconegócio (os chamados “narcoestados”), com altos índices de criminalidade, e no topo estão as sociedades de consumo» («A pobreza como aliada», Osvaldo Gonçalves, Jornal de Angola, 26.06.2020, p. 8).

 

[Texto 13 800]

Helder Guégués às 09:15 | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «em espelho»

Trazido pela pandemia

 

      Com a pandemia, começou a ver-se isto: «Outra solução possível no modelo misto será ainda que as turmas possam ser divididas: metade dos alunos em aulas presenciais e a outra metade “em trabalho autónomo”, em casa, funcionando “em regime de espelho”, explicou o secretário de Estado Adjunto e da Educação, João Costa. As escolas terão autonomia para arranjar soluções» («Ensino presencial: alunos mais novos terão prioridade», Andreia Sanches e Samuel Silva, Público, 4.07.2020, p. 6).

 

[Texto 13 799]

Helder Guégués às 09:00 | favorito
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Léxico: «Festas Gualterianas | Festas Nicolinas | nicolino»

Nicolau contra Gualter

 

      As Festas Gualterianas, em Guimarães, vão ter início no próximo dia 31 e decorrerão até 3 de Agosto. Os dicionários dizem muito pouco sobre gualteriano. No da Porto Editora, é apenas «1. relativo a São Gualter; 2. designativo das festas de São Gualter». Se, como creio, só se realizam em Guimarães, deverá grafar-se Festas Gualterianas e deve estar na definição o local onde decorrem, ou pouca utilidade terá. Por outro lado, em Guimarães também se realizam — e talvez há tanto tempo quanto as Festas Gualterianas — as Festas Nicolinas, e, pelo que vejo, nicolino não consta dos nossos dicionários.

 

[Texto 13 798]

Helder Guégués às 08:45 | ver comentários (2) | favorito
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Léxico: «rabão»

Ainda no Douro

 

      Com muitas semelhanças com o rabelo (e também se devia registar que havia barcos matrizes e barcos trafegueiros), e também do Douro, é a embarcação chamada rabão, que era o barco utilizado para transportar o carvão das minas para o Porto e outros destinos. No Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, só isto: «regionalismo barco do Douro, mais pequeno que o rabelo». Também não percebo porque tem o rótulo de regionalismo quando o termo «rabelo» o não tem.

 

[Texto 13 797]

Helder Guégués às 08:30 | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «braceador | cabresteiro | vinhateiro | ponteador»

Agora a tripulação

 

      Sim, etcétera, porque muito mais se pode dizer sobre o rabelo, um barco de rio de montanha muito especial. Assim, quanto à tripulação, a que aludi no outro texto, tem elementos cujos termos, ou acepções, estão fora dos dicionários. Na reportagem do Portugal em Directo também se enfatizou isto: apesar de se tratar de um rio, os elementos da tripulação eram considerados marinheiros, tal a dificuldade da navegação do Douro. Não disseram, nem se encontram nos dicionários, que o arrais do rabelo, ou mestre, tem o nome de feitor da espadela, ou braceador, seguindo-se o feitor da proa, o moço (que prepara as refeições), os cabresteiros (marinheiros que vão nas apegadas), o vinhateiro, ou fiel (uma espécie de comissário de bordo), e o ponteador (o marinheiro que vai às pás), uma tripulação constituída, em geral, por 11 a 16 homens.

 

[Texto 13 796]

Helder Guégués às 08:15 | ver comentários (4) | favorito
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27
Jul 20

Léxico: «rabelo | coqueiro | taburno»

Sobre o rabelo

 

      No Portugal em Directo de sexta-feira, passou uma pequena reportagem sobre os barcos rabelos a propósito da sua candidatura a Património Mundial da Humanidade. Descreveram este tipo de barco e identificaram-se alguns elementos que o compõem, como as apegadas, que o dicionário da Porto Editora acolhe, e o coqueiro, que este dicionário esquece. Também se disse que é feito de tábua trincada, o que não se lê na definição da Porto Editora: «NÁUTICA embarcação típica do rio Douro, de fundo chato, sem quilha externa, bicuda nas duas extremidades, que tem por leme um remo muito comprido e grosso e era utilizada para transportar pipas de vinho». Não percebo porque se diz «quilha externa» — não basta dizer que não tem quilha? O leme comprido tem o nome de espadela. Devia indicar-se o comprimento, a vela quadrada, a tripulação habitual, etc. O coqueiro, ou taburno, situado à proa, é uma espécie de guarita para arrecadação da louça e mantimentos e pode constituir, segundo Armando de Mattos, autor de uma monografia sobre o barco rabelo, uma reminiscência de uma câmara que os barcos dos Viquingues, que também não tinham convés, possuíam e onde se acomodavam mulheres e crianças quando embarcavam.

 

[Texto 13 795]

Helder Guégués às 08:00 | ver comentários (3) | favorito
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