04
Set 20

Léxico: «cantina»

Estás a tempo

 

      «Não será apenas o racismo ao invés, mas o antagonismo de situações económicas: para o dono de loja ou de cantina (lugar que vende tudo em povoações comerciais à beira da estrada), quase sempre trapaceiro na ânsia de obter lucros rápidos, monhé ou branco, chegou a hora de ajustar contas» (A Colonização de Angola e o seu Fracasso, Orlando Ribeiro. Lisboa: INCM, 1981, p. 198).

      Porto Editora, acho que faltaste a esta aula de História. Redime-te, e rápido.

 

[Texto 13 899]

Helder Guégués às 10:15 | comentar | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas: ,

Léxico: «pimenta-chili»

Outra pimenta

 

      «Em geral, os pratos são picantes, temperados com alho e pimenta, em especial a pimenta-chili» («A arder», Cátia Marques, «Revista E»/Expresso, 19.01.2019, p. 94).

 

[Texto 13 898]

Helder Guégués às 10:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas: ,

Guerra Fria

Sem datas, não é perfeito

 

      «À medida que sobem as tensões entre a China e os Estados Unidos, fala-se cada vez mais em “nova guerra fria”. Há anos, sobretudo após a ofensiva russa na Ucrânia, discutia-se o “regresso da Guerra Fria” — entre a Rússia e as potências ocidentais. Mas a Rússia já não era a União Soviética. A partir de 2018, os analistas trocaram a Rússia pela China. Voltava a procurar-se uma analogia com a Guerra Fria do século XX (1945-89)» («A falsa “nova guerra fria” China vs. EUA», Jorge Almeida Fernandes, Público, 30.08.2020, p. 20).

      Nem a Infopédia estabelece um quadro cronológico tão preciso. Para o início, indica o fim da Segunda Guerra Mundial (mas quando?), para o fim, menciona as reformas políticas e económicas empreendidas na União Soviética por Gorbachev. Está bem, mas quem consulta uma enciclopédia precisa da ancoragem de datas. E, tratando-se de uma enciclopédia, não se devia também referir que a expressão Guerra Fria foi usada pela primeira vez, num artigo publicado em 1945, por George Orwell?

 

[Texto 13 897]

Helder Guégués às 09:45 | comentar | ver comentários (1) | favorito

Como se escreve por aí

É o que sai

 

      «São Pedro das Águias — Situa-se junto à pequena aldeia de Granjinha, 10 km a sul de Tabuaço pela N323, direção Moimenta da Beira. O templo românico está alpendurado junto a uma ravina, num profundo vale onde corre o rio Távora» («Dez igrejas (quase) desconhecidas», Rui Cardoso, «Revista E»/Expresso, 8.08.2020, p. 81).

      Isto é saber de outiva, e até de quem ouve mal. Não existe. A palavra é alcandorado, ou seja, colocado a grande altura.

 

[Texto 13 896]

Helder Guégués às 09:30 | comentar | favorito
Etiquetas: ,

Léxico: «adegueiro | barrileiro»

Só isso?

 

      Num telejornal, entrevistaram João Alabaça, o adegueiro da Herdade do Mouchão desde 1984. Falou-se nas tarefas desempenhadas por um adegueiro, o que ia muito além do singelíssimo «indivíduo que cuida da adega» que encontramos no dicionário da Porto Editora. Não se falou no barrileiro, que é termo desconhecido, nesta acepção, dos nossos dicionários, mas definido legalmente: «É o trabalhador que após o período de aprendizagem terá de construir vasilhas de capacidade inferior a 300 l, com madeira devidamente aparelhada que lhe é entregue.»

 

[Texto 13 895]

Helder Guégués às 09:15 | comentar | ver comentários (2) | favorito
Etiquetas: ,

Léxico: «cão-cantor-da-nova-guiné»

Quase lobo

 

      «Um grupo de cientistas confirmou através de um artigo na revista PNAS que o cão-cantor-da-nova-guiné [Canis lupus hallstromi], uma raça muito semelhante aos lobos que se pensava estar extinta em estado selvagem, afinal continua vivo na natureza, a habitar nas montanhas mais altas da Indonésia. O cão-cantor é muito parecido com o lobo e capaz de emitir sons semelhantes ao uivo dos lobos e das hienas. Aliás, foi devido a esta característica que ganharam este nome» («Cães-cantores reaparecem na natureza 50 anos depois», Diário de Notícias, 2.09.2020, 15h58).

 

[Texto 13 894]

Helder Guégués às 09:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas: ,

Léxico: «pax | mcADN»

Convenhamos que é

 

      «Seguindo no tom da sofisticação dos anos 80, o “Beef Wellington” (€50/2 pax) é um ovni, mas de grande qualidade, com lombo de novilho de primeira categoria, suculento e envolto em pasta de cogumelos e presunto, embrulhado em massa folhada, e batatas aos gomos com casca, irrepreensíveis em sabor, e textura crocante por fora e carnuda no interior» («Nas graças de Natália», Fortunato de Almeida, «Revista E»/Expresso, 8.08.2020, p. 83).

      Internacionalmente usada, vemo-la em ementas, programas de agências de viagens, tuque-tuques, elevadores — só não a vemos nos nossos dicionários. Isto é muito estranho. (Espero que mcADN não fique também esquecido.)

 

[Texto 13 893]

Helder Guégués às 08:45 | comentar | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas: ,

Léxico: «melitina»

E falta de itálico

 

      «A melitina, precisamente a substância responsável pela dor que sentimos ao levar uma ‘ferroada’ de abelha, foi usada em dois cancros da mama que são habitualmente os mais difíceis de tratar: triplo-negativo e HER2+. A descoberta, segundo relatam os responsáveis à BBC, “é excitante”, mas ainda carece de mais estudos» («Veneno das abelhas é nova esperança na luta contra o cancro da mama», Correio da Manhã, 2.09.2020, 23h32).

      A Porto Editora acha que isto só interessa a alguns, e por isso não está no dicionário geral. «1. Filtrado de uma cultura da Brucella melitensis. 2. Componente do veneno de abelha.» Também estão com falta de itálico.

 

[Texto 13 892]

Helder Guégués às 08:30 | comentar | favorito
Etiquetas: ,

Tradução: «lucarne»

Outra que não essa

 

    «De vez em quando o comboio atira-lhe pequenos papéis amarrotados, só que ela não sabe ler “em língua alguma”. Mas chega o dia em que, pela lucarna de um vagão, um braço atira um pequeno volume envolto num bonito xaile, na verdade um pano judaico de oração» («Os deuses dos comboios», José Riço Direitinho, «Ípsilon»/Público, 14.08.2020, p. 23). É o que se lê na obra recenseada, A Mais Preciosa Mercadoria, de Jean-Claude Grumberg, com tradução de Luísa Benvinda Álvares (Publicações Dom Quixote, 2020). Eu é que duvido que seja a melhor tradução de lucarne. Talvez «janela» ou até «fresta». Vamos ter de perguntar ao jornalista Carlos Cipriano, do Público, se conhece o termo certo.

 

[Texto 13 891]

Helder Guégués às 08:15 | comentar | favorito
Etiquetas: ,
04
Set 20

Léxico: «carrinho-bar»

Na Leroy Merlin há

 

      Não há nos nossos dicionários. «MAXINE (perto do carrinho-bar): E eu disse-lhe que sou viúva, que fiquei há pouco numa crise financeira de tal ordem que bem podiam ter-me enterrado com o meu marido» (A Noite da Iguana, Tennessee Williams. Tradução de Idalina S. N. Pina Amaro. Colecção «Os livros das três abelhas». Lisboa: Publicações Europa-América, 1965, p. 68).

 

 

[Texto 13 890]

Helder Guégués às 08:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas: ,