08
Set 20

Definição: «criptomoeda»

Foi só esperar

 

      Ora cá está a machadada final na definição de criptomoeda que vemos no dicionário da Porto Editora e noutros: «O Banco de Portugal (BdP) anunciou esta terça-feira que assumiu a supervisão de ativos virtuais como as criptomoedas. A medida insere-se num novo regimento que vem aplicar uma diretiva da União Europeia (UE) para a prevenção de branqueamento de capitais e do financiamento de terrorismo e que põe um ponto final ao vazio regulatório que existia até agora» («Banco de Portugal passa a supervisionar criptomoeda e outros ativos virtuais», Sandra Afonso, Rádio Renascença, 8.09.2020, 17h01).

 

[Texto 13 914]

Helder Guégués às 17:30 | comentar | ver comentários (1) | favorito

As várias barricas

Só uma

 

      «Vamos usar meias barricas de 225 litros (bordalesa), borgonhesa (228 l), de Cognac (300 l) ou maiores?» («Os brancos da madeira», João Paulo Martins, «Revista E»/Expresso, 15.08.2020, p. 84).

      Então tu, Porto Editora, que estás estabelecida aí na mais importante região vitivinícola do País, não registas senão «bordalesa» na designação das barricas? Também não percebo porque escreve João Paulo Martins «Cognac» em vez de «conhaque».

 

 

[Texto 13 913]

Helder Guégués às 10:30 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Léxico: «rabelaisiano»

Se quiserem que seja útil

 

      «O seu vocabulário é erudito, quando não rabelaisiano, as suas imagens quase de gosto arcádico e os seus epítetos manifestamente convencionais» (Itinerário Histórico da Poesia Portuguesa de 1189 a 1964, João Gaspar Simões. Lisboa: Arcádia, 1964, p. 228).

      Qual é o semiletrado que vai tentar decifrar a transcrição fonética de rabelaisiano, não me dizes, Porto Editora? Ao deparar com os caracteres «ʀɐbəlɛˈzjɐnu», a maioria dos falantes vai logo praguejar. Não, não, o caminho é seguido noutros verbetes: rabelaisiano |lè|. Isto sim, isto é útil.

    (A propósito de Gaspar Simões: nos últimos tempos, passo diariamente pela Casa do Dragão, em Cascais, e ainda é com incredulidade que vejo que o novo proprietário do 666 só fez, que se veja, uma alteração na moradia: apear o cata-vento!)

 

[Texto 13 912]

Helder Guégués às 10:15 | comentar | ver comentários (1) | favorito

Léxico: «neolocal»

Foi na semana passada

 

      «Sublinhe-se também a importância da residência neolocal como fornecendo um cunho distintivo às relações dos filhos casados com as famílias de pais e sogros, caracterizadas por uma maior independência entre as gerações» (Propriedade, Família e Trabalho no «hinterland» de Lisboa: Oeiras, 1738-1811, Álvaro Ferreira da Silva. Lisboa: Edições Cosmos, 1993, p. 139).

      Ainda na semana passada encontrei este termo num texto que não posso aqui citar. Mas deixem-me que lhes diga que está num texto de apoio («grupo de descendência») da Infopédia.

 

[Texto 13 911]

Helder Guégués às 10:00 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Léxico: «cinturada»

Não é o adjectivo

 

      «Os jipes da PSP cercam o local, onde já estavam dezenas de pára-quedistas; entre correrias e cinturadas, a escaramuça espalha-se na rua» (O Despertar dos Combatentes: fotos com estórias em Angola, Joaquim Coelho. Lisboa: Clássica Editora, 2005, p. 106).

      No dicionário da Porto Editora, para meu espanto, não há cinturada. Tudo gente pacífica e bem-comportada.

 

[Texto 13 910]

Helder Guégués às 09:45 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «megalina | transtirretina»

Papel crucial na aprendizagem

 

      «A aprendizagem é um puzzle complexo e com pequenas peças ainda por encaixar. Desta vez, duas equipas de cientistas do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) da Universidade do Porto encaixaram uma nova peça nesse puzzle. Isto é, observaram em ratinhos que uma molécula já conhecida chamada megalina tem um papel fundamental na aprendizagem. Os resultados foram agora publicados num artigo online na revista científica Brain Communications. [...] Como ao longo deste trabalho se verificou que os níveis da megalina também são regulados pelos níveis da proteína transtirretina, os investigadores acham que seria interessante explorar se é possível usar a transtirretina para aumentar a expressão da megalina e reverter assim os efeitos da molécula nos processos cognitivos» («Megalina, a molécula que tem um papel crucial na aprendizagem», Teresa Sofia Serafim, Público, 6.09.2020, p. 21).

 

[Texto 13 909]

Helder Guégués às 09:30 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Léxico: «garvonês»

De Garvão, no Alentejo

 

      «A escolha dos cavalos lusitanos, claro, não foi um acaso. “Estamos muito orientados para a proteção das raças autóctones”, explica Georg, que já na Suíça costumava montar, mas que garante que a escolha do lusitano se encaixa na filosofia que quer para a Herdade. O mesmo se aplica às vacas. Apesar de terem vacas cruzadas para garantir o rendimento económico, apostaram nas garvonesas, uma raça que deve o nome à Feira de Garvão, onde eram ser comercializadas. Muito procuradas pela sua robustez, as garvonesas são uma raça muito ameaçada. Daí a aposta da Herdade, que tem hoje 366 vacas ao todo» («Os suíços que vieram para o Alentejo criar cavalos lusitanos», Helena Tecedeiro, Diário de Notícias, 22.08.2020, 00h58).

      Não é no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora que vamos encontrar o termo garvonês.

 

[Texto 13 908]

Helder Guégués às 09:15 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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08
Set 20

Léxico: «trol | trolar | trolada | verde»

Faina do bacalhau

 

      Tenho visto um ou outro episódio da série Terra Nova, na RTP1, sobre o dia-a-dia das famílias das comunidades piscatórias da costa portuguesa na década de 1930. No episódio do dia 19 de Agosto, o lugre estava na sua campanha nos bancos da Terra Nova. Alguns pescadores andavam nos dóris. Albino, a ovelha ronhosa da companha, «no fim da última trolada», deixou de ver o novato, o verde, que o acompanhava. Já estão a ver as confusões: os adultos não sabem do que se trata, os adolescentes pensam que se trata de outra coisa. E tudo porquê? Porque trol, trolar e trolada (do inglês trawl line, o aparelho de pesca à linha, lançado dos dóris) não estão dicionarizados. No caso do dicionário da Porto Editora, nem sequer esta específica acepção de verde encontramos.

      Aproveitem e visitem por estes dias o Centro Interpretativo da História do Bacalhau, no Torreão Nascente do Terreiro do Paço.

 

[Texto 13 907]

Helder Guégués às 09:00 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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