11
Set 20

«Botelhão», de novo

O novo bebé

 

      No Jornal da Uma, na RTP1, voltou a usar-se a palavra botelhão, que também apareceu em rodapé. (Celso Paiva Sol, deixe lá o Goucha.) Estamos a assistir ao nascimento de uma palavra. Não é emocionante?

 

[Texto 13 947]

Helder Guégués às 13:45 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «ressectivo»

Então, de «ressecção»...

 

      «O doente em causa tem “focos” epiléticos independentes nos dois hemisférios cerebrais, o que significa que não é bom candidato a uma cirurgia ressectiva (ou seja, de remoção de lesão)» («Epilepsia. Doente do Porto foi o primeiro no mundo a testar neuroestimulador em contínuo», Marta Grosso, Rádio Renascença, 11.09.2020, 7h16).

 

[Texto 13 946]

Helder Guégués às 13:00 | comentar | ver comentários (7) | favorito
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Léxico: «botelhão»

Olha, olha...

 

      Enquanto o botellón se perde nas burocracias interdepartamentais, eis que do mesmo Porto surge a solução: «Está a aumentar o consumo de bebidas alcoólicas na rua, conhecido por fenómeno “Botelhão”. Já faz parte do planeamento semanal da PSP do Porto ações fiscalização, sobretudo, nas noites de fim de semana e em zonas como a Ribeira, a Cordoaria e a Baixa» («Fenómeno “Botelhão” no Porto leva a mais fiscalizações da PSP», Celso Paiva Sol, Rádio Renascença, 11.09.2020, 10h50).

      Está bem visto — ainda que possa ser resultado de problemas auditivos do jornalista. (Oiça o Goucha.) Vamos estar atentos.

 

[Texto 13 945]

Helder Guégués às 12:00 | comentar | favorito
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Léxico: «extrapolável | cucu»

Cucu!

 

      «Porém, após mais de uma semana passada numa Lisboa quase deserta, magnificamente disponível não apenas para os turistas e os ciclistas, queria descansar os lisboetas que ainda estão de férias e ausentes (e suponho que o mesmo é extrapolável para o resto do país): sosseguem, não vi sinais alguns de tragédia à vista» («Vem aí o fascismo?», Miguel Sousa Tavares, Expresso, 22.08.2020, p. 11).

      Porto Editora, cucu!, sou eu. Está aí alguém? Extrapolável?

 

[Texto 13 944]

Helder Guégués às 11:15 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Léxico: «destigmatizar | desestigmatizar»

Para ajudar os outros

 

      A Universidade de Coimbra vai passar a disponibilizar serviços de psicologia clínica numa plataforma digital. Cristina Canavarro, coordenadora da plataforma, afirmou hoje à TSF que «esta é uma época para falar sobre saúde mental, dar um contributo para a destigmatizar».

      Vá lá, nem esperou pelo amém dos lexicógrafos. Neste caso, nunca eu lançaria mão da haplologia, optaria sempre por desestigmatizar. Claro que depois também temos destigmatização/desestigmatização. Só resta dicionarizá-los, pois, ou haverá sempre alguns falantes com receio de as usarem.

 

[Texto 13 943]

Helder Guégués às 11:00 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Definição: «petipé»

Ou seja?...

 

      A palavra do dia, na Infopédia, é petipé: «1. escala de redução, usada em mapas e cartas náuticas; 2. régua graduada». É, mais palavra, menos palavra, o que dizem todos, mas será que um leigo percebe? Não me parece. E se se tentasse explicar de outra forma? Uma tentativa feliz: «O capítulo I traz várias definições: Do Petipé e das mais cousas necessárias para fazer as plantas, ou as cartas geográficas: o petipé é uma linha arbitrária, dividida em hum certo numero de partes iguaes, que denotaõ indiferentemente quaisquer medidas que sejaõ legoas, ou braças, varas, pés, palmos &c» (Roteiro Prático de Cartografia: da América Portuguesa ao Brasil Império, Antônio Gilberto Costa. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2007, p. 111). Hão-de convir que esta referência à linha traz-nos de imediato à mente o que conhecemos de todos os mapas.

 

[Texto 13 942]

Helder Guégués às 10:45 | comentar | favorito

Léxico: «manga-gengibre» (ou «gengibre-manga»?)

A decidir

 

      «Quem hoje a vê entre variedades de tomate — são mais de 50 —, a tratar do gengibre-manga que trouxe da Ilha da Reunião ou a cuidar das flores de coentro não desconfiará que até há meia dúzia de anos [Joana Macedo] “só tinha feito umas entregas, nada mais do que isso”» («Quinta do Poial», João Rodrigues, «Revista E»/Expresso, 11.07.2020, p. 82). É a Curcuma amada, mas, como em inglês se diz mango-ginger, não sei se não temos de seguir a mesma ordem — manga-gengibre.

 

[Texto 13 941]

Helder Guégués às 10:30 | comentar | favorito
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Léxico: «núpero | nupérrimo»

Muito recente

 

      «Em vez de escrever uma crítica hirta, bem entalada nos moldes da filologia de espartilho, prefiro analisar, embora tècnicamente nos casos objectivos, o nupérrimo Acordo Ortográfico Luso-Brasileiro, em carta aberta dirigida ao meu amigo Dr. Sá Nunes, glória da Filologia brasileira» (Estudos Críticos de Língua Portuguesa: As Bases da Ortografia Luso-Brasileira, Vasco Botelho de Amaral. Lisboa: Livraria Bernardo, 1948], p. 9). Justamente por ser pouco usado é que tem de estar em todos os dicionários. Não está no dicionário da Porto Editora. É o superlativo absoluto sintético de núpero — que também não está naquele dicionário. (Sim, não estão enganados: «nupérrimo» também pode ser a forma superlativa sintética irregular do adjectivo «recente».) Estão ambos no VOLP da Academia Brasileira de Letras.

 

[Texto 13 940]

Helder Guégués às 10:15 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Léxico: «haussmaniano»

Como é evidente

 

      «A rogo de Grete instalam-se, mais tarde, a escassas centenas de metros, num primeiro andar de um edifício ao estilo hausmanniano mais adequado ao perfil burgês da alemã» («Aquilino, Paria e os modernistas», Aquilino Machado, «Revista E»/Expresso, 11.07.2020, p. 28). Estão a ver? Não está nos dicionários, está mais sujeito a ser escrito incorrectamente. É haussmaniano, provém do nome de Georges-Eugène Haussmann (1809-1891), o responsável pelo desenho urbanístico da Paris que se conhece hoje em dia.

 

[Texto 13 939]

Helder Guégués às 10:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «porcelanato»

Mais materiais

 

      «O líder da Apicer [Associação Portuguesa das Indústria de Cerâmica e de Cristalaria] diz que o sector tem respondido ao roteiro com medidas de eficiência energética e assegura que “não há soluções na cerâmica, a nível mundial, que tornem possíveis as metas traçadas”. Se a “utilização da tecnologia de micro-ondas para alguns produtos de louça já vem sendo testada com algum sucesso”, isso não se aplica ao porcelanato, telhas, louça sanitária e cerâmicas especiais, “nos quais se atingiu já o limite possível” face à tecnologia disponível» («Indústria: metas “são impossíveis” nas condições actuais», Ana Brito, Público, 29.11.2019).

 

[Texto 13 938]

Helder Guégués às 09:45 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «andês»

Mais uma variante

 

      «Procuro ovos em ninhos escondidos no campo e de onde trago todos, menos o andês[,] que fica para a galinha não mudar de ninho» (Memórias de Um Desertor, Sérgio Palma Brito. Lisboa: Edições Colibri, 2020, p. 40).

      Está certo, andês — é como se diz, ou dizia, no Alentejo e no Algarve. Variante legítima. Infelizmente, os nossos dicionários apenas acolhem as variantes endez, endes, indez.

 

[Texto 13 937]

Helder Guégués às 09:30 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «bigrupo»

Coisas da Guerra Colonial

 

      «O Exército Nacional Popular constituiu a componente terrestre das FAN e a sua base foi o bigrupo, formado por 38 combatentes. Três ou quatro bigrupos constituíam um corpo de exército (CE), e dois ou mais CE formavam um exército» (Guerra Colonial, Aniceto Afonso, Carlos de Matos Gomes. Lisboa: Notícias Editorial, 2000, p. 160).

 

[Texto 13 936]

Helder Guégués às 09:15 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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11
Set 20

Léxico: «estírio | Estírios | caríntio | Caríntios»

Recolhamo-los agora

 

      «Miguel Oliveira venceu este domingo o Grande Prémio da Estíria, disputado no circuito austríaco de Spielberg, e fez história ao ser o primeiro piloto português a vencer uma prova rainha do motociclismo mundial. É o momento mais alto do motociclismo nacional» («Miguel Oliveira vence Grande Prémio da Estíria e faz história», Rádio Renascença, 23.08.2020, 13h56).

     Estíria está em muitos dicionários e vocabulários. Já o gentílico estírio não o vejo em nenhum. Pois é. «Pessoas respeitáveis, de classe média, puderam ser ganhas para as tarefas do SD, primeiro na Caríntia e depois em Viena e noutros lugares, enquanto alguns dos caríntios e estírios mais aventurosos dos tempos dos Corpos Francos eram atraídos para os SS, se já lá não estavam» (A Verdadeira História da SS, Robert Lewis Koehl. Tradução de Miguel Freitas da Costa. Alfragide: Casa das Letras, 2016, p. 125).

 

[Texto 13 935]

Helder Guégués às 09:00 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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