17
Set 20

Género: «iguana»

É dos dois géneros

 

      «HANNAH (surgindo na varanda): Estive ali a ver a iguana mais de perto» (A Noite da Iguana, Tennessee Williams. Tradução de Idalina S. N. Pina Amaro. Colecção «Os livros das três abelhas». Lisboa: Publicações Europa-América, 1965, p. 110).

      Para a Academia Brasileira de Letras, iguana é do género masculino; para a Porto Editora, é do género feminino. Podiam entender-se.

 

[Texto 13 981]

Helder Guégués às 10:45 | comentar | favorito
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Léxico: «barrilada»

Castigo no Forte da Graça

 

      «No tempo de um relâmpago tomo consciência de passar o Natal no exílio ou no primeiro dos seis anos de prisão no Forte de Elvas, conhecido pela tortura da barrilada» (Memórias de Um Desertor, Sérgio Palma Brito. Lisboa: Edições Colibri, 2020, p. 11).

 

[Texto 13 980]

Helder Guégués às 10:30 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «escravocracia»

Da pressa

 

      «Já um dos mitos nortistas supõe que os combatentes do Sul se mobilizaram em massa em defesa da escravatura; mas isso seria estranho, comenta Davis, uma vez que nove décimos dos soldados da Confederação não tinham escravos e que nas cartas e diários (documentos privados) diziam combater por valores “americanos”, como a liberdade e o autogoverno, discurso que, mesmo descontando alguma “falsa consciência”, não equivale a uma defesa acérrima do sistema escravocrata» («O interior do mito», Pedro Mexia, «Revista E»/Expresso, 8.08.2020, p. 54).

      Pois, «nortista» e não «nortenho», como alguns infelizes querem. Quanto a escravocrata, é verdade que está no dicionário da Porto Editora, mas não está escravocracia. A pressa, as pontas soltas, a desmemória.

 

[Texto 13 979]

Helder Guégués às 10:15 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «websérie»

Lá tem de ser

 

      «O espectáculo, conta Murraças, que é também argumentista e realizador, trabalha em televisão e este ano estreou a websérie Desabafos, é “uma tentativa de resgatar uma série de histórias sobre a perseguição dos nazis aos homossexuais”. As pessoas, em geral, sabem que “havia campos de concentração para judeus”, mas “não sabem que havia campos exclusivamente para homossexuais”, prossegue. Tal como acontecia em relação aos ciganos, é uma parte da perseguição nazi menos mencionada» («André Murraças olha para os homossexuais na Alemanha nazi», Rodrigo Nogueira, Público, 20.08.2020, p. 30).

 

[Texto 13 978]

Helder Guégués às 10:00 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Léxico: «choque petrolífero»

Para evitar outros casos

 

      Então, se um autor escreveu aqui «choque de petróleo», talvez esteja na hora de dicionarizar isto: «Porque estamos a assistir a um novo choque petrolífero que veio para ficar, dado ser induzido pela procura das novas potências asiáticas, China e Índia, cujas necessidades de energia vão ser crescentes» (Nuclear: o Debate Sobre o Novo Modelo Energético em Portugal, Jorge Nascimento Rodrigues e Virgílio Azevedo. V. N. Famalicão: Centro Atlântico, 2006, p. 182).

      Há dicionários de língua inglesa que registam, e bem, a locução choque petrolífero, que se pode definir como qualquer alteração inesperada dos preços do petróleo verificada no mercado petrolífero. Como só ocorreram duas até hoje, convinha situá-las cronologicamente: a primeira em 1973-74 e a segunda em 1978-79. Claro que se se falar da OPEP também será relevante.

 

[Texto 13 977]

Helder Guégués às 09:45 | comentar | favorito
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Léxico: «aguarelável»

Esta é boa

 

      Estou a olhar para uma caixa da Caran d’Ache, comemorativa dos oitenta anos dos lápis aguareláveis — e o adjectivo não está nos nossos dicionários?

 

 

[Texto 13 976]

Helder Guégués às 09:30 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «queimar»

Onde pára?

 

      «Quem nunca “queimou” um sinal vermelho que atire a primeira pedra. Por vezes, o amarelo transforma-se, subitamente, em “tinto” e já não há forma de evitar a infração. Uma ilegalidade muito frequente pelos condutores, é certo, mas que, segundo o Código da Estrada, constitui uma contraordenação muito grave» («Sabe quantos pontos pode perder por “queimar” um sinal vermelho?», Jorge Flores, Motor 24, 15.09.2020).

      As aspas são o grande amparo dos jornalistas. Mas também, diga-se, aqui nem nos dicionários encontram esse amparo. O dicionário da Porto Editora acolhe três sentidos figurados de queimar, que também encontramos, como seria de prever, na literatura: «[...] ver o fecho eléctrico abrir-se com dois estalos e dois sinais de luzes, ver a porta automática subir devagarinho e, logo na rua, acelerar o mais depressa possível, queimando semáforos, na direcção da auto-estrada, sem ligar aos painéis que indicam as cidades e a distância em quilómetros» (Segundo Livro de Crónicas, António Lobo Antunes. Alfragide: Publicações Dom Quixote, 2012, p. 41).

 

[Texto 13 975]

Helder Guégués às 09:15 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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17
Set 20

Léxico: «fotodíodo»

Pelo menos metade

 

      O novíssimo Apple Watch Series 6 tem agora um novo sensor, o de oxigénio no sangue, constituído por quatro conjuntos de LED e quatro fotodíodos. Melhor do que nunca — e seria genial e até pagaríamos o dobro por ele se a bateria durasse metade da bateria do Huawei GT2.

 

[Texto 13 974]

Helder Guégués às 09:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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