22
Set 20

Definição: «grota»

Hum...

 

      Ontem, no Portugal em Directo, da Antena 1, falaram da Grota do Medo, na ilha Terceira, Açores, que vai ser transformada em estação arqueológica. A questão é: nos dicionários o termo grota estará bem definido? Não me parece. No dicionário da Porto Editora, diz-se que é a «abertura por onde a água das cheias invade os campos marginais». Hum... Du-vi-de-o-dó. «A palavra “grota” significa, em geral, uma abertura ou cavidade, produzida pelas enchentes numa ribeira ou na margem de um rio, ou que existe em serras ou montanhas provocada pela água da chuva. Este termo é também empregue como sinónimo de vale. Nos Açores o termo grota é muito utilizado, geralmente como sinónimo de ribeira com regime torrencial, ou seja, que possui caudais significativos associados a chuvadas mais ou menos intensas: a Grota da Laje (Pico), a Grota do Veiga (Terceira) e a Grota do Inferno (São Miguel) são, apenas, alguns exemplos. E, note-se, na toponímia dos Açores ambos os termos “ribeira” e “grota” são utilizados, mas para designar cursos de água que têm características/regimes diferentes, mesmo que adjacentes! Este termo é associado, ainda, a um aumento brusco de declive ou cavidade no terreno, como a Grota do Medo, na ilha Terceira» («Toponímia – grota», João Carlos Nunes, Açoriano Oriental, 19.05.2019, p. 20).

 

[Texto 14 006]

Helder Guégués às 10:45 | comentar | ver comentários (1) | favorito

Léxico: «macrotopónimo | macrotoponímia | microtopónimo | microtoponímia»

O nosso bairro

 

      «A distinção, vulgar e fácil, entre a “grande toponímia”, ou macrotoponímia, e a “pequena”, ou microtoponímia, não tem valor algum científico: é frequentíssimo que o nome de uma notável povoação não ofereça qualquer interesse etimológico-histórico em comparação com esse mesmo interesse em locais insignificantes – muitas vezes um recanto isolado ou um prédio inapreciável, isto é, com uma importância toponímica plenamente realizada, ou realizável pela investigação» (Toponímia Arouquense, A. de Almeida Fernandes. Arouca: Associação para a Defesa da Cultura Arouquense, 1995, p. 7).

      Isso mesmo: macrotopónimo e macrotoponímia, microtopónimo e microtoponímia. Nos dicionários, nada. Os microtopónimos, no território urbano, têm grande importância. Dou um exemplo: pelas suas características e localização, o Bairro do Rosário, em Cascais, é um dos mais cotados. Quem vive nele, conhece os seus limites geográficos. Assim, é ver apartamentos e moradias noutras zonas da vila, como a infernal Avenida 25 de Abril, serem anunciados nas imobiliárias como se pertencessem ao Bairro do Rosário.

      A propósito de bairro: nos últimos seis anos, é curioso ver-se a reabilitação do termo «bairro», que já era usado apenas por certas franjas da população. Agora, até o comércio se apropria dele como marca. Assim, é o Oculista do Bairro, o Café do Bairro, o Talho do Bairro, a Hamburgueria do Bairro, a Petiscaria do Bairro, e por aí fora.

 

[Texto 14 005]

Helder Guégués às 10:30 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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Léxico: «nanomodelação | nanofabricação»

Outras duas da ciência

 

      «A equipa de investigadores da Universidade de Aveiro é coordenada por João Veloso, professor do Departamento de Física e investigador do Instituto de Nanoestruturas, Nanomodelação e Nanofabricação (I3N)» («Sensores desenvolvidos em Aveiro vão rastrear nível de oxigénio e temperatura», TSF, 21.09.2020, 19h29).

 

[Texto 14 004]

Helder Guégués às 10:15 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Mau tempo no dicionário

A subversão

 

      Que se passa aqui? Na Infopédia, um texto de apoio tem o título «Direção Geral de Segurança (DGS)» (texto em que há mais erros); no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, mantém-se o erro «assembleia-geral». Isto está a correr mal.

 

[Texto 14 003]

Helder Guégués às 10:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «biohacker»

Também há

 

        «É pelo texto que começa Seis Meses Depois. Por entre as aberturas de uma cortina branca que ocupa o centro do palco, os bailarinos avançam como se empurrados por um vento que sopra nas suas costas. Ouve-se a palavra “explosion” ser sussurrada, antes de os sete rastejarem até à boca de cena e encherem os rostos de um deslumbramento que acompanha a enunciação de palavras soltas — memórias ou flashes do passado — que começam por vislumbrar uma savana, depois nomeiam estrelas, palmeiras, estrelas cadentes [sic], hipopótamos ou orangotangos, e acabam a falar de III Guerra Mundial, revoluções, vírus, nanotecnologia ou biohackers» («As viagens virtuais de Olga Roriz a um tempo desaparecido», Gonçalo Frota, Público, 18.09.2020, p. 34).

 

[Texto 14 002]

Helder Guégués às 09:45 | comentar | favorito
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Léxico: «cariológico»

Está feito

 

      Posso dar o meu contributo para o conhecimento cariológico das halófitas e psamófitas litorais? Pronto, está dado: Porto Editora, regista o adjectivo cariológico.

 

[Texto 14 001]

Helder Guégués às 09:30 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «rótico»

Sem festa, mas com orgulho

 

      «Tem também sido relatada alguma heterogeneidade na aquisição dos segmentos desta classe, decorrendo um grande intervalo de tempo entre a aquisição do primeiro e do último elemento (Costa, 2010). Entre os últimos segmentos a ser dominados, encontram-se os róticos, de acordo com estudos do PE e do Português Brasileiro (PB) (Freitas, 1997; Mezzomo & Ribas, 2004; Costa, 2010)» («A aquisição das consoantes líquidas em português europeu: contributos para a caracterização da faixa etária 4;0 - 4;11 anos», Clara Amorim, in Revista de Estudos Linguísticos da Universidade do Porto, Vol. 9, 2014, 59-82, p. 60).

      Senhores lexicógrafos, truz, truz, está aí alguém? Ah, e cá chegámos aos 14 mil textinhos. Quem julgar saber fazer melhor, faça favor, há espaço para mais uns milhões de blogues.

 

[Texto 14 000] ☺

Helder Guégués às 09:15 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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22
Set 20

Léxico: «quercíneo | quercíneas»

Perdida nas mudanças

 

      «José Paulo Martins, membro da Zero — Associação Sistema Terrestre Sustentável, refere que “falta ainda aferir a dimensão do impacto que os herbicidas e outros fitofármacos utilizados na desinfestação e adubagem de olivais e amendoais possam vir a ter nos exemplares de quercíneas que são deixados no meio das novas culturas. É um processo que vamos observar a prazo” observa» («Montado está a ser invadido por oliveiras, amendoeiras e vinha», Carlos Dias, Público, 17.08.2020, p. 16).

 

[Texto 13 999]

Helder Guégués às 09:00 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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