28
Set 20

Léxico: «bigário»

Que mal fizemos nós?

 

      O texto era sobre Caio Apuleio Diocles, e logo nos ocorrem os termos auriga e aurigário. Mas... e se se tratar de uma biga, o antigo carro romano tirado por dois cavalos? O seu condutor é o bigário — termo que todos os modernos dicionários nos sonegaram. José Pedro Machado, no seu Grande Dicionário da Língua Portuguesa publicado pelos Amigos do Livro, ainda o regista.

 

[Texto 14 043]

Helder Guégués às 11:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «heteropatriarcado | heteropatriarcal»

Um olhar exploratório

 

      «A eleição de André Ventura para o parlamento português, como deputado único do partido Chega, tem sido encarada, pela comunicação social e por analistas políticos, dentro e fora da Academia, como o fim da imunidade portuguesa à extrema-direita – um excepcionalismo nacional, na verdade, já há muito desacreditado na Academia. Esta constatação é traduzida, frequentemente, em alertas para a chegada a Portugal da versão moderna do fascismo eterno, com o seu corolário de racismo, xenofobia, heteropatriarcado, homofobia» («Um olhar exploratório sobre o partido Chega», Riccardo Marchi, Observador, 21.12.2019, 00h30).

 

[Texto 14 042]

Helder Guégués às 10:45 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Plural: «lugar-tenente»

Que é isto?

 

      «“Os lugar-tenentes de Salazar”, obra póstuma de Manuel Lucena, editada em março» (Observador, 24.02.2015, 10h15). Ainda bem que o autor (e a editora, diga-se) não tiveram a triste ideia de consultar dicionários e vocabulários para confirmar o plural de lugar-tenente. É informação ou ausente ou errada em quase todos. O plural é só um — lugar-tenentes. Só se flexiona o último elemento. Contudo, se escrevermos «lugares-tenentes» no dicionário da Porto Editora em linha, obtemos este resultado: «nome masculino plural de lugar-tenente»; se escrevermos «lugares-tenente», o resultado já é «nome feminino plural de lugar-tenente». Que é isto?

 

[Texto 14 041]

Helder Guégués às 10:30 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «avieiro | saveiro»

Então não se sabe?!

 

      «É esse mundo antigo que o passeio de Valada nos mostra quando, tal selva da Amazónia, ancoramos junto à aldeia avieira da Palhota, por entre uma vegetação quase virgem. É aqui que parece estarmos numa aventura do Indiana Jones» (100 Lugares para Conhecer Portugal com as Suas Crianças, Paulo Nogueira. Alfragide: Oficina do Livro, 2019).

      Exactamente: aldeia avieira. No Portugal em Directo da passada sexta-feira, passou uma pequena reportagem sobre as comunidades avieiras. Falaram com avieiros, mostraram imagens antigas — e usaram, naturalmente, o termo como adjectivo, «casa avieira», «aldeias avieiras». É por isso estranho que no dicionário da Porto Editora apareça apenas como substantivo: «pescador das praias do rio Lis, que, no Inverno, vai pescar no rio Tejo». Afirmam ainda que é regionalismo de origem obscura. Devem estar a brincar. Os avieiros eram pescadores que vinham todos os anos, nos períodos mortos da xávega, da praia de Vieira de Leiria trabalhar na pesca do sável e nas diversas fainas do Tejo. O avieiro vivia no seu barco — o saveiro, barco que tinha entre 6 e 8 metros. Quando não estavam nos seus barcos, os avieiros estavam nas palafitas, que de quando em quando eram destruídas por funcionários do Estado. Mais uma obra meritória de Salazar, não é?

 

[Texto 14 040]

Helder Guégués às 10:15 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «antiquarismo | antiquarista»

Vai aparecendo

 

      «No plano jurídico, a orientação humanista é facilitada pela progressiva pujança dos direitos nacionais, que libertava o estudo do direito romano dos objectivos práticos e o transformava numa actividade de recorte cada vez mais antiquarista, histórico-literário e teórico» (Panorama Histórico da Cultura Jurídica Europeia, António Manuel Hespanha. Lisboa: Publicações Europa-América, 1997, p. 137). A última vez que ouvi o termo foi no documentário Francisco de Holanda – A Luz Esquecida do Renascimento, que passou no dia 16 na RTP2.

 

[Texto 14 039]

Helder Guégués às 10:00 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Léxico: «hidronímia | hidrónimo | venético | paleoetnologia | falísquico»

Cinco de uma vez

 

      «Do ramo desta hidronímia provêm as línguas historicamente testemunhadas germânica, celta, ilírica, o assim chamado grupo itálico, isto é, latino-falísquico e osco-úmbrio com o venético, mais longe o báltico, enquanto o eslavo só tem nisso uma pequena parte» (Povos Antigos em Portugal: Paleoetnologia do Território Hoje, João Ferreira do Amaral. Lisboa: Quetzal Editores, 1997, p. 35).

 

[Texto 14 038]

Helder Guégués às 09:45 | comentar | ver comentários (5) | favorito
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Léxico: «landgraviato | landgraviado»

Por vezes, tem de se ir lá atrás

 

      «Transportemo-nos, no tempo, para o último quartel do século XVII, e primeiros anos do século seguinte; e, no espaço, para um dos estados centrais alemães, o landgraviato, posteriormente eleitorado de Hesse-Cassel» (Guilherme Luís, barão de Eschwege: Partriarca da Geologia Brasileira, Friedrich Wilhelm Sommer. São Paulo: Edições Melhoramentos, 1952, p. 13). Sim, mas ainda melhor, landgraviado. De qualquer modo, ambos esquecidos de quase todos os dicionários.

 

[Texto 14 037]

Helder Guégués às 09:30 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «manita»

Do desporto

 

      «Uma vitória nas 24 Horas de Nürburgring é um marco que envaidece qualquer construtor. Mas conquistar a competição por cinco vezes é um feito realmente espetacular, merecedor de homenagem a condizer» («Audi R8 Green Hell celebra ‘manita’ da marca alemã no Nürburgring», Motor 24, 26.09.2020). Porto Editora, vejo que ignoras esta acepção de manita.

 

[Texto 14 036]

Helder Guégués às 09:15 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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28
Set 20

Léxico: «percorrível»

Que nada falte

 

      «Na análise deste sistema considera-se a cadeia dividida em esferas (blobs) de volume V. (definido pela distância máxima percorrível por um pireno enquanto excitado)» (Química de Polímeros: Contribuições Portuguesas, J. Sérgio Seixas de Melo, ‎Maria João Moreno, ‎Hugh D. Burrows (coord.). Coimbra: Imprensa da Universidade, 2004, p. 350).

 

[Texto 14 035]

Helder Guégués às 09:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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