29
Set 20

Léxico: «deambulador»

Só nas lojas, querem ver

 

      «Não há causa e consequência, mas há um olhar que vai absorvendo esta espécie de cidade psicadélica — na combinação cromática e na definição da volumetria — onde nos reconhecemos, peripatéticos e deambuladores, à procura dos outros e do lugar que podemos ocupar no espaço» («As Aventuras de Qualquer Coisa, de André Ruivo», Sara Figueiredo Costa, «Revista E»/Expresso, 19.01.2019, p. 76).

      Ah, e aos andarilhos não se dá também o nome de deambuladores? Então, o que esperamos?

 

[Texto 14 051]

Helder Guégués às 09:45 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «nazareno | ebionita»

Agora religião

 

      A propósito de afeiçoar: o que também precisa de outra acepção, no dicionário da Porto Editora, é o vocábulo nazareno. Lê-se nele que, com maiúscula, é a «denominação dada a Cristo». É verdade — mas onde param os nazarenos, os judeus convertidos que lançaram os alicerces da Igreja Católica? Perante a suposta pobreza do seu intelecto, coitados, bem como da sua situação — empurrados daqui para ali —, receberam o desdenhoso epíteto de ebionitas (de palavra hebraica para «pobre», אֶבְיוֹן), e acabaram por entrar ou na sinagoga ou na igreja. Agora, para meu máximo espanto, vejo que no dicionário da Porto Editora se afirma que o vocábulo provém de «Ebion, antropónimo, suposto heresiarca do século I». Revejam-me isto, se faz favor.

 

[Texto 14 050]

Helder Guégués às 09:30 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Léxico: «cavacar»

Logo a partir

 

      «Deve a sua arte ao mestre Manuel Raimundo, com quem começou a “cavacar com a enxó” quando decidiu recuperar uma bateira de bicas, um chinchorro que comprou ao sogro por oito contos (40 euros). “Mandou-me serrar um pinheiro, 18 milímetros. ‘Estás um artista’. Começámos a conviver um com o outro. Começou a gostar de mim e eu dele. Começámos a ser amigos. ‘Lança-te, lança-te!’ A malta começou a gostar do meu trabalho. E aqui estou.” A vida de moliceiro “é uma vida muito trabalhosa”. “Era uma vida lixada” que José Rito não troca por nada» («Portugal à vista!», Luís Octávio Costa, «Fugas»/Público, 15.08.2020, p. 2).

      Para o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, cavacar é somente «1. partir em cavacos 2. escavacar». Não há meio-termo, é logo a partir. Vá lá, afeiçoem lá isto.

 

[Texto 14 049]

Helder Guégués às 09:15 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «orodispersível»

Pergunte ao seu farmacêutico

 

      ValdispertNoite Rapid +, agora em comprimidos orodispersíveis. Vá, Porto Editora, aprende. Aprende também tu, leitor ingrato e impertinente.

 

[Texto 14 048]

Helder Guégués às 09:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «papo-amarelo»

Ou só conhecem o vinho?

 

      A Cooperativa Agrícola Santo Isidro de Pegões obteve a Medalha de Ouro no Concours Mondial de Bruxelles 2019 com o vinho Papo Amarelo Reserva, tinto de 2017. No rótulo, vê-se o desenho de um papo-amarelo, que é identificado no contra-rótulo como sinónimo de pisco-de-peito-ruivo. Sabiam disto, ou só conhecem o vinho?

[Texto 14 047]

Helder Guégués às 08:45 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «quado | Quados»

História esquecida

 

      Porto Editora, lembras-te de, por ocasião da morte do pai, Cómodo se pôr à frente de um grande exército e conduzir uma guerra difícil contra os Quados e os Marcomanos? Lembras? Acho que só te lembras destes últimos.

 

[Texto 14 046]

Helder Guégués às 08:30 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Léxico: «ciziceno»

Relativo ou pertencente a Cízico

 

      O palácio — lembram-se? — que Diocleciano mandou erguer em Salona, na Dalmácia, foi mais tarde descrito, sobretudo as suas salas cizicena, coríntia e egípcia, com um certo grau de precisão. Espera, mas os dicionários nem sequer acolhem o termo ciziceno, caramba...

 

[Texto 14 045]

Helder Guégués às 08:15 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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29
Set 20

Léxico: «imperialato»

Como eu ia dizendo

 

      Faltam muitas, tantas: «Contudo, o recente achado de um importante documento epigráfico na região da Galiza parece documentar de modo indiscutível que a fundação destes conventus, enquanto realidade física, remonta, de facto, ao próprio imperialato de Augusto, provavelmente a 13 a. C., data da reorganização provincial que promoveu» (História de Portugal: Antes de Portugal, José Mattoso. Lisboa: Editorial Estampa, 1993, p. 239).

 

[Texto 14 044]

Helder Guégués às 08:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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