30
Set 20

Léxico: «barbusano | pau-branco»

Árvores ignoradas, e são nossas

 

      «Não é preciso cenógrafo para a coreografia ser onírica. Está lá tudo, pois desde o princípio que a Laurissilva nos espera: faias, tis, barbusanos, loureiros, vinháticos, pau branco, mil e um fetos vagueando no musgo. A água que vem da névoa que nos embebeda vai-se enraizando em todos estes verdes. A mesma água que nos é devolvida, em toda a sua força virgem, no Caldeirão do Inferno» («O almirante das nuvens. Pico Ruivo», André Cunha, «Fugas»/Público, 8.08.2020, p. 9).

      Sim, pau-branco (Picconia azorica), árvore endémica no arquipélago dos Açores, excepto na Graciosa. A sua madeira é abundantemente empregada em marcenaria.

 

[Texto 14 062]

Helder Guégués às 13:00 | comentar | ver comentários (2) | favorito
Etiquetas: ,

Léxico: «homem-grande»

Lembrei-me então deste

 

      «A constituição de um rebanho bovino para o seu sacrifício ritual no momento da morte do homem-grande é característica da dinâmica sócio-económica do sistema de bolanha» (O Programa de Ajustamento Estrutural na Guiné-Bissau, António Isaac Monteiro. Lisboa: Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa, 1996, p. 361). “[Almeida Santos] Transmitiu sempre a sua densa e admirável cultura humanístico-jurídica que fez do mesmo um incontornável legislador da liberdade e, acima de tudo, um Homem-Grande na verdadeira aceção africana do termo”, diz [Manuel] Pinto da Costa» («Reações. Costa ausente do funeral de Almeida Santos», Observador, 19.01.2016, 6h44).

      Ora aqui temos mais um triste caso: conhece-se o conceito, usa-se o termo, mas depois ninguém o plasma nos dicionários, com o que só perdemos. Quanto à decantada lusofonia, é só da boca para fora.

 

[Texto 14 061]

Helder Guégués às 12:45 | comentar | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas: ,

Léxico: «bandeira-amarela»

Se se diz — escreve-se

 

      «Nigel Ellsay, ciclista da Rally Cycling, que chocou, esta terça-feira, com um bandeira amarela no início da segunda etapa da Volta a Portugal, terá fraturado uma clavícula. [...] Ellsay embateu no bandeira amarela, que fazia sinalização apeado, nos quilómetros iniciais da segunda tirada, com ambos a serem transportados para o hospital Padre Américo – Vale do Sousa» («Volta a Portugal. Nigel Ellsay com suspeita de fratura na clavícula após queda», Rádio Renascença, 29.09.2020, 19h02).

 

[Texto 14 060]

Helder Guégués às 12:30 | comentar | ver comentários (2) | favorito
Etiquetas: ,

Léxico: «atanasiano | novaciano»

Mais religião

 

      «Agora a lei é igual para todos; os atanasianos podem viver em segurança ao lado dos arianos. E o mesmo se passa com os donatistas, os novacianos, os maniqueus, os carpocracianos e... connosco» (O Trono do Altíssimo, João Aguiar. Lisboa: Edições ASA, 1995, p. 23).

 

[Texto 14 059]

Helder Guégués às 09:45 | comentar | ver comentários (2) | favorito
Etiquetas: ,

Envergar...

Embirração — e erro, neste caso

 

      Porque isto não são só maravilhas, revelo agora uma das minhas embirrações — que encontro abundantemente em traduções do francês: «Há imagens e vídeos filmados este domingo que mostram a violência das forças de segurança bielorussas [sic], polícia à paisana, envergando bastões, que aproveitaram o dispersar da multidão para prender alguns manifestantes isolados, atirando-os para carrinhas, pelo menos uma pessoa foi transportada numa ambulância» («“Não perdoamos! Não esquecemos!”», Cristina Peres, Expresso Curto, 7.09.2020).

      Isso mesmo, leitor arguto: aqui não se trata de uma tradução e, para agravar tudo, está errado. Erradíssimo, Cristina Peres. Para seu próprio bem, perca dois minutos (mais perdi eu, e o erro é seu) e comprove em qualquer dicionário que está errado.

 

[Texto 14 058]

Helder Guégués às 09:30 | comentar | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas: ,

Léxico: «abássida»

Ficaríamos a ganhar

 

      «Até ao seu desaparecimento, a dinastia Abássida (762-1258), de Bagdad, parece ter sido a primeira grande utilizadora das cerâmicas verdes, amarelas ou brancas dos fabricantes chineses da época Tang» (500 Anos de Contactos Luso-Chineses, Fernando Correia de Oliveira. Lisboa: Público/Fundação Oriente, 1998, p. 124). Quem é que não quer a papinha toda feita? Quando o dicionário da Porto Editora diz que abássida é «relativo aos Abássidas (dinastia de califas árabes)», bastava acrescentar um pouco: «relativo aos Abássidas (dinastia de califas árabes que reinou entre 762-1258)».

 

[Texto 14 057]

Helder Guégués às 09:15 | comentar | ver comentários (1) | favorito

Léxico: «gaulonita»

Lugares bíblicos

 

      Também é curioso que, por vezes, se fale em Judas Gaulonita e em nenhum dos nossos dicionários, que eu saiba, o termo aparecer. Já agora, vejam a relação do topónimo a que se refere com Golã.

 

[Texto 14 056]

Helder Guégués às 09:00 | comentar | favorito
Etiquetas: ,

Léxico: «antigomobilista»

Lá no Brasil

 

      «Os antigomobilistas de língua inglesa têm uma expressão (sem uma boa tradução em português) para designar a descoberta de um veículo clássico original abandonado por décadas em um celeiro: “barn find”. [...] Restauração. Aqui o sonho pode se transformar em presente de grego. Com os altos custos atuais da mão de obra especializada e de peças originais, um barn find pode não ser motivo de tanta comemoração, pelo menos aqui no Brasil» («Barn find: Sonho ou presente de grego?», Irineu Guarnier Filho, Jornal dos Clássicos/Motor 24, 28.09.2020, itálico meu).

 

[Texto 14 055]

Helder Guégués às 08:45 | comentar | ver comentários (2) | favorito
Etiquetas: ,

Léxico: «secutor»

Aprendam italiano

 

      Então Cómodo — um imperador! — optou pelas vestes e armas do secutor, cujo combate com o reciário era sempre uma das cenas mais vivas dos jogos sangrentos que decorriam no anfiteatro. Então vão lá saber o que é um secutor e depois voltem aqui. Já está? Ah, pois, não foi no dicionário da Porto Editora. Só aparece num bilingue, o de português-italiano. Sendo assim, cá vai: «Nell’antica Roma, gladiatore armato che combatteva contro il reziario, inseguendolo nell’arena.»

 

[Texto 14 054]

Helder Guégués às 08:30 | comentar | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas: ,

Léxico: «mizuna-roxa»

Prima da rúcula

 

      «Atravessamos as estufas cheias de legumes e numa das mesas reparamos numa caixa compartimentada em vários nichos. ‘Mizuna roxa’ (vegetal para saladas) ou ‘rábano preto’ são algumas das sementes que estão a ser guardadas pois o ano atípico deu origem a sementeira natural de algumas espécies» («Fomos ‘comer’ São Miguel», Fortunato da Câmara, «Revista E»/Expresso, 27.08.2020, p. 78). A mizuna (Brassica rapa var. nipposinica) é uma hortaliça de origem chinesa.

 

[Texto 14 053]

Helder Guégués às 08:15 | comentar | ver comentários (2) | favorito
Etiquetas: ,
30
Set 20

Léxico: «ozonoterapia | ozonoterapeuta | trioxigénio»

Fica explicado

 

      «A Unidade de Tratamento de Dor do Hospital Sousa Martins, na Guarda, no centro do país, foi fundada em 2007. Há dois anos, surgiu o tratamento de ozonoterapia. [...] Além da hidro-ozonoterapia durante 15 minutos, Orlindo faz uma bolsa de ozono, que “é um saco fechado hermeticamente onde introduzimos o ozono de forma a que ajude à limpeza. Funciona como antissético e anti-inflamatório”, descreve a enfermeira. [...] Um dos grandes problemas por que o ozono não é bem aceite na comunidade médica resulta do desconhecimento. A utilização deste agente que tem muito poucos efeitos secundários levou-me a propor à administração utilizar a ozonoterapia como terapia complementar”, recorda o responsável da unidade, sublinhando que, “só na Alemanha, há 11 mil ozonoterapeutas”. [...] O ozono é um gás que pode ser administrado por via sanguínea, endovenosa, intramuscular, subcutânea, intra-articular e “é diferente do ozono da atmosfera”, assim faz questão de ressalvar o coordenador da Unidade de Tratamento de Dor da Unidade Local de Saúde da Guarda. “O ozono que utilizamos é o ozono médico, é um gás altamente instável que é constituído por três moléculas, é um trioxigénio. Quando estamos a utilizar ozono, estamos a enriquecer os tecidos em oxigénio e é particularmente importante nas feridas que resultam da alteração da circulação, tendo em conta o poderoso bactericida que é o ozono”, clarifica o médico anestesiologista. O ozono medicinal sai do gerador de ozono, um aparelho que pode custar entre 5 a 10 mil euros. “Obtém-se ozono através de uma reação catalítica de oxigénio medicinal. Por detrás do móvel está uma garrafa de oxigénio. Este ozono medicinal não tem nada a ver com o ozono da alta atmosfera e da superfície terrestre, que é agressivo para as vias respiratórias e pele”, afirma Dias da Costa, fundador da Unidade de Tratamento de Dor do Hospital Sousa Martins, na Guarda» («“Já sou eu novamente.” Isabel faz ozonoterapia, uma terapia barata que pode ajudar a aliviar a dor», Liliana Carona, Rádio Renascença, 28.09.2020, 8h30).

 

[Texto 14 052]

Helder Guégués às 08:00 | comentar | ver comentários (3) | favorito
Etiquetas: ,