Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Linguagista

O etnónimo Tchokwe/Chocué/Quioco

Agora é aplicar

 

      «Em fevereiro de 2016, ainda com José Eduardo dos Santos nas funções de Presidente em Angola, a Fundação Sindika Dokolo entregou ao chefe de Estado, no Palácio Presidencial, em Luanda, duas máscaras e uma estatueta do povo Tchokwe (leste de Angola), que tinham sido saqueadas durante o conflito armado, recuperadas após vários anos de negociação com colecionadores europeus» («Morreu Sindika Dokolo, marido de Isabel dos Santos», TSF, 29.10.2020, 23h02).

      Os jornalistas pelam-se por um termo assim, com kk e ww. Uma maravilha! Em português, é chocué, ou, vá, quioco. Num texto de apoio da Infopédia, porém, nada se diz da forma preferencial, chocué: «O nome Tshokwe apresenta algumas variantes (Tchokwe, Chokwe, Batshioko) e, entre os portugueses, ficaram conhecidos por Quiocos.» No dicionário geral, contudo, no verbete «Quiocos», lê-se isto: «Forma deturpada do vernáculo Tchokwe, etnónimo». Faz o que digo, não faças o que eu faço.

 

[Texto 14 258]

Léxico: «exotização»

Ao contrário

 

      «Há cerca de 15 anos, sentia pouca sinceridade na celebração multicultural em Portugal e o que via era a fetichização do corpo negro e uma exotização da música de raízes africanas como algo exterior. E agora?» («​“Esta transformação vai trazer uma mudança de pele”», Mário Lopes, Público, 14.07.2020, p. 32).

      Muito ao contrário do que eu supunha, o dicionário da Porto Editora regista fetichização, mas não exotização.

 

[Texto 14 257]

Pág. 1/98