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Out 20

Léxico: «guarda-chefe»

Mas andam por aí há muito

 

      «Guardas-chefes com greve ao trabalho extra» (Correio da Manhã, 19.10.2020, p. 13). Nunca tal tinha visto, mas está certo. O único erro é, evidentemente, não estar no dicionário da Porto Editora.

 

[Texto 14 194]

Helder Guégués às 11:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Definição: «mata-leão»

Têm a certeza disso?

 

      «Condenado a 25 anos de prisão por matar e violar a freira ‘Tona’, Alfredo Santos vai voltar a tribunal para responder por rapto, agressões e roubo a uma mulher, a quem fez uma emboscada na garagem de casa dela, em julho do ano passado, em São João da Madeira. O cadastrado tentou colocar a vítima na bagageira do carro, com o objetivo de a levar para um outro local e a poder violar. Usou um golpe de mata-leão (asfixia com o braço por trás) e apontou-lhe um bisturi de lâmina afiada. A mulher foi salva por um vizinho que chegou à garagem. O homicida fugiu» («Violador de freira ataca com mata-leão e bisturi», Nelson Rodrigues, Correio da Manhã, 19.10.2020, p. 12).

      Mas alguém sabe mais sobre o mata-leão do que os jornalistas do Correio da Manhã?! Ninguém. Nunca. Pelo menos na Península Ibérica. O dicionário da Porto Editora assevera-nos que é a «manobra de estrangulamento que se executa pelas costas do oponente», mas acho que é um manifesto exagero.

 

[Texto 14 193]

Helder Guégués às 09:45 | comentar | ver comentários (1) | favorito

Léxico: «moncarapachense»

Discriminação

 

      «Simplesmente, e pelos exemplos que aponto, não me inclino para a opinião do distinto investigador moncarapachense» (Olhão: subsídios para o estudo das origens dos topónimos do concelho, António Henrique Cabrita. Olhão: Câmara Municipal de Olhão, 1978, p. 36).

      Porto Editora, então tu continuas a discriminar parte da população? Moncarapachenses, protestem!

 

[Texto 14 192]

Helder Guégués às 09:30 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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Léxico: «mamalhal»

Como diria um burgesso

 

      «Ana Garcia Martins, criadora do blogue “A Pipoca Mais Doce” e comentadora do “Big Brother – A Revolução”, admitiu que aumentou o peito, numa conversa com os seguidores. “Cirurgia, cirurgia, só mesmo aqui ao nível do mamalhal. Fiz uma mamoplastia de aumento há dez anos”, confessou a influenciadora digital de 39 anos» («“A Pipoca” aumentou o peito», Jornal de Notícias, 19.10.2020, p. 36).

      O quê, pensavam que só António Lobo Antunes é que podia usar o termo mamalhal, era? Só a pudibundaria ou a amnésia terá impedido a Porto Editora de o dicionarizar até hoje.

 

[Texto 14 191]

Helder Guégués às 09:15 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Barroco, neobarroco...

Em flagrante

 

      «A peça saiu da oficina do organeiro Georg Jann, um alemão sediado no Porto, cujo trabalho se tornou uma marca na história da música da cidade e de Portugal, no que aos órgãos de tubos diz respeito. Na altura, em 1985, o instrumento foi descrito como “um órgão neobarroco, inteiramente mecânico, com três teclados, pedaleira completa e com um toque ibérico”» («Grande órgão de tubos da Sé Catedral celebra 35 anos», Jornal de Notícias, 19.10.2020, p. 32).

      Se consultarmos o verbete de neobarroquismo no dicionário da Porto Editora, lemos isto: «estilo surgido na Europa, na segunda metade do século XIX, inspirado no Barroco; neobarroco». Sendo assim, só uma pergunta se impõe: porquê um termo em maiúscula inicial e outro com minúscula? Querem acaso tornar a ortografia ainda mais esotérica?

 

[Texto 14 190]

Helder Guégués às 09:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito

Várias pimentas

Nos dicionários, nada

 

      «Fala com entusiasmo das espécies que apurou e ajudou a vingar através de uma germinadora que ele próprio construiu. Rocoto, purple ufo, fatau brown, cambuci, também conhecida por chapéu-de-bispo ou sininho, corno-de-touro, jindungo, trinidad scorpion, caroline reaper, dente-de-coiote, peitos-de-moça... Como é possível distinguir umas das outras, se algumas são tão parecidas? “Pela flor, pelo porte e pela tipologia do fruto”, esclarece Francisco, que cultiva também as chamadas pimentas ornamentais, cujas flores são de rara beleza, ainda que de diminutas dimensões» («A inimaginável babilónia das pimentas», José Augusto, Jornal de Notícias, 19.10.2020, p. 26).

 

[Texto 14 189]

Helder Guégués às 08:45 | comentar | favorito
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Léxico: «cibermáfia»

Cada vez mais

 

      «Portugal foi o epicentro de uma “lavandaria” de dinheiro sujo gerida por uma organização criminosa internacional, ao longo de quatro anos. Durante este período, uma máfia com origem na Letónia criou 16 empresas de fachada para poder abrir 147 contas em cerca de uma dezena de bancos nacionais, pelas quais passaram mais de dez milhões de euros roubados em ataques informáticos a empresas, organismos oficiais, incluindo hospitais, sinagogas e particulares» («Rede montou base em Portugal para “lavar” milhões de cibermáfias», Roberto Bessa Moreira, Jornal de Notícias, 19.10.2020, p. 14).

 

[Texto 14 188]

Helder Guégués às 08:30 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «renderizar | renderização»

Não é por mim

 

      Eu também não o queria, mas se o usamos (ou pelo menos a Porto Editora): «Apesar de ainda não haver benchmarks oficiais sobre o desempenho das unidades de teste, na demonstração feita pela Apple foi possível ver o programa de edição de vídeo Final Cut Pro a executar a renderização de três vídeos 4K em simultâneo» («Apple faz ‘all in’ nos processadores ARM», R. R. F., Exame Informática, Agosto de 2020, p. 10, itálico meu).

 

[Texto 14 187]

Helder Guégués às 08:15 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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21
Out 20

Definição: «alquerque»

Isso é que era

 

      «O alquerque (ou alguergue) de doze (o jogo mais comum identificado em Portugal) joga-se num tabuleiro quadrado, dividido em dezasseis quadrados. As linhas paralelas e perpendiculares que os atravessam criam 25 intersecções onde se colocam as 24 peças (doze para cada jogador, em cada lado do tabuleiro). Fica, portanto, um lugar vazio no meio, e é precisamente aí que começa o jogo: quem joga primeiro ocupa essa casa, o segundo jogador põe a sua peça de onde saiu a primeira e retira aquela que foi movida anteriormente, passando sobre ela de uma casa para outra. E assim se joga sucessivamente até que um dos jogadores fique sem peças. Outra forma de jogar: um jogador tem 12 peças e o outro apenas uma, mas este é o com mais regalias (pode mover-se em todas as direções enquanto o adversário só pode avançar. Ganha o se eliminar todas as outras peças, ou o outro jogador se conseguir bloquear a peça única» («Como se jogava o alquerque?», Susete Francisco, Diário de Notícias, 17.10.2020, p. 33).

      Já estaríamos muito bem se uma fracção disto servisse para ir enriquecer a definição de alquerque no dicionário da Porto Editora: «antigo jogo de origem árabe, para dois jogadores, que se joga com pedrinhas ou pequenas peças sobre uma tábua ou superfície riscada e que conta com distintas variantes».

 

[Texto 14 186]

Helder Guégués às 08:00 | comentar | favorito