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Out 20

Léxico: «epicúrio»

Porto Editora, esqueceste-te deste

 

      «“Têm a fé epicúria” — esclarece o florentino, querendo significar o predominio dos prazeres naturais sobre qualquer resquício de manifestação intelectual, “e sustentam-se ordinàriamente de carne humana, a qual secam ao fumeiro como nós a carne de porco» (Mundos Novos do Mundo, António Alberto Banha de Andrade. Lisboa: Junta de Investigações do Ultramar, 1972, p. 325).

 

[Texto 14 203]

Helder Guégués às 10:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «nganguela»

Ou todos ou nenhum

 

      «Em 1923, Menongue, [sic] foi designada a sede da circunscrição, por Decreto de 3 de Setembro do mesmo ano. Em 1927, foi extinto o Distrito do Kubango e Serpa Pinto. Na época já era capital, mas sem qualquer destaque administrativo, e estava a mercê da Administração colonial do Bié. Por alegada falta de uma administração eficiente no território, tão imenso, as autoridades coloniais passaram a designar a região como “Terras do fim do mundo”. [...] Até 1975 a capital do Cuando Cubango chamavase vila de Serpa Pinto e depois da Independência Nacional passou a ser designada de Menongue em homenagem ao rei Mwene Vunongue, sendo o soberano do povo nganguela que se destacou durante a luta contra o colonialismo e que faleceu após os confrontos com um comerciante português António de Almeida» («Antigo distrito do Kubango e Serpa Pinto», Jornal de Angola, 21.10.2020, p. 27).

      Podíamos pensar que nganguela não está nos nossos dicionários porque o português desconhece esta sequência inicial ng. Pois, mas então é coerência que falta, e não apenas a variante (registam ganguela). No dicionário da Porto Editora, vamos encontrar, por exemplo, o termo moçambicano nganga, «adivinhador por ossículos divinatórios; curandeiro».

 

[Texto 14 202]

Helder Guégués às 09:45 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «piso»

Outro piso

 

      «Governo Jair Bolsonaro quer vincular o reajuste do piso salarial de professores da educação básica à inflação, o que elimina ganho real previsto por lei. Para a Economia, a proposta é prudente; o MEC não respondeu. [...] Caso a regra já valesse, o reajuste em 2019 seria de 4,6%. O último aumento pela Lei foi de 12,84%, quando o piso chegou a R$ 2.886,24» («Governo quer acabar com aumento real de piso de professor», Paulo Saldaña, Folha de S. Paulo, 20.10.2020, p. B5).

      Mais uma acepção de piso, esta somente brasileira. A última vez que a Porto Editora mexeu no verbete foi por sugestão minha, já em 2013. Foi precisamente a sexta e última acepção: «CULINÁRIA pasta constituída por coentros ou poejos, alho e sal, que, depois de pisados ou triturados e misturados com azeite, servem de base à açorda alentejana».

 

[Texto 14 201]

Helder Guégués às 09:30 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «minque»

Nem chique nem mique

 

      «O vírus foi ainda detectado em minques em fazendas na Holanda, Dinamarca, Espanha e Estados Unidos, segundo o CDC» («Cientistas identificam 1º gato brasileiro com coronavírus», Folha de S. Paulo, 20.10.2020, p. B4). Nos dicionários, sobre isto, nem chique nem mique.

 

[Texto 14 200]

Helder Guégués às 09:15 | comentar | favorito
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Léxico: «showmício»

Um horror

 

      «O Ministério Público deu opinião favorável ao recurso da campanha de Manuela d’Ávila (PC do B), candidata à Prefeitura de Porto Alegre, e afirmou no domingo (18) que a live fechada do artista Caetano Veloso, oferecida para arrecadação de recursos à campanha de Manuela, não caracteriza showmício. O showmício, show artístico para a promoção de candidatos, foi proibido na minirreforma eleitoral de 2006. Uma das motivações na época foi que esses eventos davam vantagem às campanhas mais ricas, que contratavam artistas famosos e atraíam o público pelo entretenimento, não pelas propostas dos partidos» («Ministério Público não vê live de Caetano como showmício», Paula Soprana, Folha de S. Paulo, 20.10.2020, p. A10).

      É um horror, decerto, mas é um horror deles, dos Brasileiros — e está no VOLP da Academia Brasileira de Letras.

 

[Texto 14 199]

Helder Guégués às 09:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «mefedrona»

Que droga

 

      «Haxixe suficiente para a distribuição de 18.507 doses individuais e 505 gramas de uma substância psicoactiva designada por mefedrona, vulgarmente conhecida por ‘bloom’, foram apreendidos pela Polícia de Segurança Pública (PSP), no âmbito da actividade operacional regular desenvolvida pela Divisão Policial do Funchal que levou a efeito um conjunto de acções neste concelho, com particular incidência no combate ao consumo e tráfico de estupefacientes» («PSP apreende haxixe e ‘bloom’ no Funchal», A. F., Diário de Notícias da Madeira, 20.10.2020, p. 10).

 

[Texto 14 198]

Helder Guégués às 08:45 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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A língua e o futebol

Falta-lhes o melhor

 

      «O treinador do Benfica, Jorge Jesus, gerou algum sobressalto no tribunal quando, na qualidade de testemunha do processo Football Leaks, tratou a procuradora do Ministério Público por “você”. António Ventinhas, presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, diz que as formalidades em audiência servem para conferir “serenidade” aos julgamentos. [...] Ventinhas sublinha que as formas corretas como os procuradores do Ministério Público devem ser tratados são “senhor(a) doutor(a)” ou “senhor(a) procurador(a)”; no caso dos juízes, utiliza-se o “senhor(a) juiz(a)” ou “meritíssimo/a”» («Jesus tratou a procuradora por “você”. Porque é que não deve fazê-lo?», João Vasconcelos e Sousa, Jornal de Notícias, 20.10.2020, 17h27).

 

[Texto 14 197]

Helder Guégués às 08:30 | comentar | favorito
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Léxico: «sobretrabalho»

E fazem bem

 

      «Os professores vão retomar a greve ao sobretrabalho, a partir de 27 de outubro, até o Ministério da Educação aceitar reuniões sobre abusos nos horários de trabalho dos docentes, anunciou ontem a Federação Nacional do Professores (Fenprof)» («Professores em greve ao sobretrabalho para forçar diálogo», Jornal de Notícias, 20.10.2020, p. 10).

 

[Texto 14 196]

Helder Guégués às 08:15 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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22
Out 20

Léxico: «pseudovírus»

Também há disto

 

      Mas não nos dicionários. «Tanto as farmacêuticas Moderna como a Pfizer usaram no passado a HEK293 para desenvolver “pseudovirus” e assim testar os seus medicamentos. E as vacinas contra o ébola e a tuberculose também foram criadas com ajuda destas células» («Como células fetais dos anos 70 ajudam a medicina de hoje e qual a relação com a Covid-19», Carolina Rico, TSF, 20.10.2020, 13h31).

 

[Texto 14 195]

Helder Guégués às 08:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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