23
Out 20

Léxico: «geoambiental»

Para terminar

 

      «Acresce que foram ainda apresentados estudos geotécnico e geoambiental por empresa credenciada para o efeito e realizada uma análise quantitativa de risco» («Estudo diz que há mais resíduos perigosos no Parque das Nações», Sónia Trigueirão, Público, 10.08.2020, p. 17).

 

[Texto 14 211]

Helder Guégués às 09:45 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «caracol-do-mar»

A riqueza da ria

 

      «Mais uns passos e a técnica do ICNF aponta para as plantas do sapal. Tradicionalmente, não lhes era dado qualquer valor pelas gentes da ria, de tal modo que até as apelidam de morraça (Spartina maritima), termo que se refere a algo sem importância, mas a realidade é outra. “Estas plantas têm uma função de recrutamento de moluscos. Búzios, caracóis-do-mar, amêijoas são retidos ali. Se não fosse assim eram levados para sítio nenhum, pelo que estas plantas são extremamente importantes. Quando elas inundavam as zonas de viveiro, havia tendência para limpar tudo o que era morraça, mas houve uma formação sobre isto”, explica Ana Paula Martins» («Esteja atento ao areal, a riqueza da ria está debaixo dos seus pés», Patrícia Carvalho, Público, 10.08.2020, p. 15).

 

[Texto 14 210]

Helder Guégués às 09:30 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «paranhense»

Cá e no Brasil

 

      Tem razão o nosso leitor R. A.: «Dos campos paranhenses saía quanto era de comer, incluindo os tremoços conhecidos e procurados pelo sabor e tamanho em todas as feiras da região e nas ruas do Porto, vendidos pelas tremoceiras» (Povos e Culturas, edição 3. Centro de Estudos dos Povos e Culturas de Expressão Portuguesa, Universidade Católica Portuguesa, 1988, p. 134). Sim, também os Brasileiros têm o seu paranhense, o natural ou habitante de Paranhos, em Mato Grosso do Sul.

 

[Texto 14 209]

Helder Guégués às 09:15 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «pretório»

Um caso demasiado repetido

 

      «Os que conhecem o sistema administrativo dos romanos sabem que os legados pretórios se enviavam para as províncias inteiramente pacíficas, enquanto para as que não eram de todo sujeitas ou estavam na fronteira de povos inimigos se mandavam os consulares» (História de Portugal: desde o começo da monarquia até o fim do reinado de D. Afonso III, Alexandre Herculano. Amadora: Livraria Bertrand, 1950, p. 78).

      Pretório também é adjectivo — quem nunca leu a expressão «dignidade pretória»? —, mas que não está assim no dicionário da Porto Editora. Não escapou, porém, ao VOLP da Academia Brasileira de Letras — que também acolhe o termo pretoríolo, que, se fica bem num vocabulário, é de todo inútil num dicionário, dado que não se sabe exactamente o que designava.

 

[Texto 14 208]

Helder Guégués às 09:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «cista»

Isso é metade, e está errado

 

      «A autarquia avança que os construtores do sepulcro “começaram por regularizar a superfície do local com uma densa camada de pedras, sobre a qual construíram uma cista (uma caixa em pedra) com lajes de granito, onde se praticou o ritual funerário”» («Escavações revelam sepulcro do final da Idade do Bronze em Oliveira de Frades», TSF, 22.10.2020, 00h31).

      É, é mesmo, no caso, uma caixa de pedra para uso funerário na Antiguidade. Logo, onde a Porto Editora diz que é o «vaso funerário dos antigos» (o que já era passível de correcção), deve dizer-se o que se lê no Dicionário da Real Academia Espanhola: «1. f. Arqueol. Enterramiento que consiste en cuatro losas laterales y una quinta que hace de cubierta. 2. f. Arqueol. Recipiente metálico usado en la Antigüedad para guardar objetos preciosos.»

 

[Texto 14 207]

Helder Guégués às 08:45 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «ajustabilidade»

Não há palavras

 

      Ora bem, então esta máscara, que até parece boa — e, se for falsificada, só o saberemos dentro de dois ou três meses —, é 100 % de neoprene, e a camada interior é de TNT. O que é bom é ter como suporte auricular um «elástico de grande ajustabilidade». Pelo que vi, à Porto Editora faltariam palavras para a descrever.

 

[Texto 14 206]

Helder Guégués às 08:30 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Definição: «placebo»

Mas o conceito mudou?

 

      «O voluntário em questão faria parte do grupo de controlo comparativo, ao qual estaria a ser administrada um placebo, no caso uma vacina contra a meningite» («Voluntário que morreu durante testes da Oxford/AstraZeneca não terá tomado vacina», André Rodrigues, Rádio Renascença, 21.10.2020, 21h26). Não é erro de tradução, a farmacêutica veio mesmo anunciar que «the person was part of a control group that had been given the vaccine for meningites». Sendo assim, isto não obriga a alterar a definição de placebo dos nossos dicionários? O dicionário da Porto Editora, por exemplo, define-o assim: «MEDICINA medicamento inerte ministrado com fins sugestivos ou psicológicos, que pode aliviar padecimentos unicamente pela fé que o doente tem nos seus poderes».

 

[Texto 14 205]

Helder Guégués às 08:15 | comentar | ver comentários (2) | favorito
23
Out 20

Léxico: «papiroflexia»

Sim, mas no Brasil

 

      «Dita deixa-o absorto na papiroflexia, a tentar fazer o que parece ser uma foca de papel» (O Bibliotecário de Auschwitz, Antonio G. Iturbe. Tradução de Mário Dias Correia. Lisboa: Planeta Manuscrito, 2019, 7.ª ed., p. 89). Por acaso, está no VOLP da Academia Brasileira de Letras, mas não creio que seja minimamente conhecido por cá, e por bons motivos. O Dicionário da Real Academia Espanhola regista-o: «Arte de dar a un trozo de papel, doblándolo convenientemente, la forma de determinados seres u objetos.» Também este dicionário precisava dos meus préstimos, pois em origami remete para papiroflexia, mas deste não remete para aquele.

 

[Texto 14 204]

Helder Guégués às 08:00 | comentar | favorito
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