28
Out 20

Léxico: «taipa militar | hisn»

Fortificação rural

 

      «De muito particular [o castelo de Paderne] tem o método de construção, já que, ao contrário da esmagadora maioria das fortificações existentes na Península Ibérica, esta não é feita em pedra, mas sim em taipa militar, daí o tom avermelhado. “Terra, pedrinhas, cal e água.” A mistura era amassada e colocada dentro de cofragens de madeira, directamente no local onde iria ficar o “tijolo”. Depois de secos, os blocos iam formando as paredes da fortificação. Era “uma construção muito rápida”, aponta o responsável [Paulo Pereira, técnico do serviço educativo do Museu Municipal de Arqueologia de Albufeira]» («Por terras de Albufeira, trocar a praia por um castelo», Mara Gonçalves, Público, 10.08.2020, p. 36).

      O técnico afirma que, na verdade, não é um castelo, mas um hisn, uma pequena fortificação rural. Este é mais um tipo de taipa. Quanto a hisn, vamos encontrá-lo num texto de apoio da Infopédia, onde se lê: «Estes “senhores muçulmanos” exerciam a função de alcaide (qaid) de um castelo (hisn) ou torre (borj) e dependiam da boa vontade do poder real na redistribuição dos tributos.»

 

[Texto 14 239]

Helder Guégués às 10:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «chico-espertice»

Encaixem aí este

 

      «A Festa do Avante! vai adiante. Os comunistas jogaram sabiamente a cartada da conciliação das normas legais todas das diversas atividades integrantes do evento, como a restauração, os concertos, os comícios e por aí fora. É uma chico-espertice que ninguém se atreve a contestar, nomeadamente o Governo e a Direção-Geral da Saúde que o serve, dando sempre um jeitinho» («O outono de todas as angústias», Eduardo Oliveira e Silva, i, 12.08.2020, p. 21).

 

[Texto 14 238]

Helder Guégués às 09:45 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «isauro, isáurico | Isauros, Isáuricos»

Perdeu-se a memória deles

 

      «Os Isáuricos, que foram gradualmente alargando o seu território até ao litoral,...» Alto! Assim, a Porto Editora não acompanha o relato, desconhece algumas palavras. Tenham paciência, esperem um pouco.

 

[Texto 14 237]

Helder Guégués às 09:30 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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«Corruto»?!

Foi anteontem

 

      E ainda não me recompus totalmente. Vi, por fim, com estes que a terra (ou o fogo ou a água, sei lá) há-de comer a palavra «corrupto» desvirtuada por um destes zelosos aplicadores do Acordo Ortográfico de 1990: «corruto». Antes, já me tinham chegado uns vagos zunzuns, mas considerei que era troça. Infelizmente, não era.

 

[Texto 14 236]

Helder Guégués às 09:15 | comentar | favorito
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Léxico: «equoterapia | equoterapeuta | equoterapêutico»

Neologismo para sempre?

 

      «No Centro Hípico do Porto e Matosinhos, Fábio empenha-se nas tarefas, sempre atento às instrutoras da Associação Equiterapêutica do Porto e Matosinhos (AEPM), que proporciona as sessões. É um dos utentes mais assíduos e sempre que alguém falta, aproveita para ter uma sessão extra» («“A terapia com os cavalos faz-me ficar mais feliz”», Ana Sofia Rocha, Jornal de Notícias, 26.10.2020, p. 18).

    Muito mais usadas e correctas são as grafias equoterapia, equoterapeuta e equoterapêutico e, contudo, ainda não estão dicionarizadas. Se daqui a trinta anos continuarem a afirmar que são neologismos, isso quer dizer que precisam de se tratar.

 

[Texto 14 235]

Helder Guégués às 09:00 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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Léxico: «folha-de-ostra»

E as aspas...

 

      «A visita inclui degustação da “folha de ostra”, vegetal, e do próprio bivalve» («Gastronomia de bordo para saborear em Ílhavo», António Catarino, TSF, 27.10.2020, 00h01).

      Outro triste caso: é folha-de-ostra (Mertensia maritima), uma planta comestível. Não precisa de aspas: precisa de hífenes!

 

[Texto 14 234]

Helder Guégués às 08:45 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Como se escreve por aí

Uma desgraça sem fim

 

      «Outra opção: um passeio de bicicleta às hortas do mar e da mar, localizadas na Colónia Agrícola da Gafanha. Na primeira; será possível observar a produção de plantas e de flores comestíveis; na segunda, conhecer o processo de «cultivo» de ostras, instalada nas águas da ria» («Gastronomia de bordo para saborear em Ílhavo», António Catarino, TSF, 27.10.2020, 00h01).

      O uso destrambelhado que boa parte dos jornalistas faz das aspas é caso para pasmar. Vamos lá usar a cabeça, se faz favor: se à criação de ostras se dá o nome de ostricultura, para quê usar aspas neste caso?

 

[Texto 14 233]

Helder Guégués às 08:30 | comentar | favorito
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Léxico: «cevadoto»

Vai-se vendo

 

      E já aportuguesado: «Nos pratos principais, que variam de restaurante para restaurante, destaca-se a feijoada de samos (ou de sames), chora de bacalhau, caldeirada de línguas, sames de bacalhau com grão, arroz de línguas com grelos, massada de línguas e cevadoto de sames; mas, também há bacalhau frito, assado, guisado e confitado com roupagens reinventadas por cada um dos chefs» («Gastronomia de bordo para saborear em Ílhavo», António Catarino, TSF, 27.10.2020, 00h01).

 

[Texto 14 232]

Helder Guégués às 08:15 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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28
Out 20

«Vila dos Gamas»

Não sabem o que dizem

           

      Para o almoço, já ali tenho um Vila dos Gamas tinto, da Adega Cooperativa de Vidigueira, Cuba e Alvito. Para alguns dos nossos linguistas de meia-tigela, seria «Vila dos Gama». E dizem isto com cara séria e mesmo antes de beberem. Apre.

 

[Texto 14 231]

Helder Guégués às 08:00 | comentar | favorito
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