10
Nov 20

Léxico: «olho mágico | visor»

Porventura o mais usado

 

      Sabiam que há olhos mágicos digitais que armazenam até cem fotografias das pessoas que nos batem à porta? Ah, pois há. Agora, quanto ao dicionário da Porto Editora. Não regista olho mágico. Não regista aquele que é o termo, porventura, mais usado, que é visor. Limita-se a registar óculo: «pequeno dispositivo de forma cilíndrica, dotado de lentes nas extremidades, que se embute numa porta para permitir que quem está no lado de dentro veja para o lado de fora sem ser notado».

 

[Texto 14 302]

Helder Guégués às 12:00 | ver comentários (2) | favorito
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Léxico: «matriculável»

Ficam a saber

 

      Sabiam que acabou de chegar à Castro Electrónica a moto eléctrica Cobra S3 de 4000 W, matriculável? Sabiam que nenhum dicionário regista o adjectivo matriculável?

 

[Texto 14 301]

Helder Guégués às 11:30 | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «teodosiano»

Fica a promessa

 

      Enquanto o adjectivo teodosiano não estiver registado em todos os dicionários, não vos vou dizer nada sobre o código deste nome nem do imperador Teodósio.

 

 

[Texto 14 300]

Helder Guégués às 11:00 | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «bem-passado | malpassado»

Qual a dificuldade?

 

      Estava a comer um rare T-bone steak. Pois, não era eu, era o mafioso cujo nome esqueci. No meu caso, a estar num extremo (o mais habitual), a opção iria mais para overcooked do que para extra-rare. Bem, mas isto foi o aperitivo: o prato principal é este — malpassado anda por aí mal grafado. Para não ir mais longe, em mais do que uma entrada do Dicionário de Inglês-Português da Porto Editora, não o vemos aglutinado. Não faltam por aí erros, mas dá-se o caso de nem sequer ter sido isto a obrigar-me a escrever este texto. Muito bem, aglutina com «mal» e hifeniza com «bem» — mas onde diabos está bem-passado nos nossos dicionários? Está nos dicionários editados no Brasil, não nos nossos. Também este aparece mal grafado em dicionários bilingues da Porto Editora. Será que ninguém se importa?

 

[Texto 14 299]

Helder Guégués às 10:30 | ver comentários (2) | favorito
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Léxico: «psicogeografia»

Uma espécie de fatalidade

 

      Seja como for, o leitor está à partida condenado a não perceber tudo. «A norte-americana New York Times Book Review considerou-o “formalmente ousado” e “emocionalmente devastador”, enquanto o britânico The Guardian lhe chamou “uma psicogeografia brilhante do luto” e um “texto misterioso”» («O novo livro de Han Kang é tudo e não é coisa nenhuma», Rita Cipriano, Observador, 3.07.2019, 12h08).

 

[Texto 14 298]

Helder Guégués às 10:00 | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «gelinhite»

O leitor fica desorientado

 

      Tinha aquela alcunha porque, num assalto, pusera demasiada gelinhite na porta do cofre e perdera totalmente a audição num dos ouvidos. Temos pena. Temos pena? Temos pena! «Queria pesquisar linhite, melinite?» Ou seja, não o registas, Porto Editora. Vamos por outro lado: como o original é inglês, o termo é gelignite. Procuremos no dicionário bilingue. Está: fazem-no corresponder a gelenhite. Estará este no dicionário geral? Não. No VOLP da Academia Brasileira de Letras e nos poucos em que está é só a grafia gelinhite que encontramos, e já se percebe porquê.

 

[Texto 14 297] 

Helder Guégués às 09:30 | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «fluviocársico»

Lá está

 

      «Durante o verão, quando o caudal [é] pequeno, é possível percorrer o local, observando as pequenas nascentes — os tais “Olhos de Água” — e outros fenómenos geológicos como o Poço Escuro (a nascente temporária do Alviela durante o inverno), a foz da ribeira dos Amiais (a qual se esconde no interior de uma gruta, com cerca de 250 metros de leito subterrâneo), a janela cársica ou canhão flúvio-cársico dos Amiais» («Nascente do Alviela», Miguel Judas, Visão, 2-8.07.2020, p. 74).

      Mas não é fluviocársico que se escreve? Lá está, não sabemos, os dicionários não acolhem o termo.

 

[Texto 14 296]

Helder Guégués às 09:00 | ver comentários (1) | favorito
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10
Nov 20

Léxico: «electrofiação»

À escala nanométrica

 

      «A produção das primeiras fibras de nylon piezoelétrico do mundo foi possível através da engenharia de “uma mistura de solventes e técnica de eletrofiação [técnica que permite a produção de nanofibras], que permitiu a fabricação de fibras com diâmetro bem controlado na fase cristalina piezoelétrica desejada”, descreve o investigador [Paulo Rocha] do Centro de Ecologia Funcional da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra» («Descoberta abre caminho para a utilização do nylon em e-têxteis», TSF, 9.11.2020, 11h29).

      Então temos (ou tínhamos, no período pré-pandémico) uma indústria têxtil poderosa e a palavra electrofiação ainda não chegou aos dicionários? Depois admiram-se que os falantes optem pelo inglês; por electrospinning, neste caso.

 

[Texto 14 295]

Helder Guégués às 08:30 | ver comentários (1) | favorito
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