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Linguagista

Léxico: «alvéola-branca»

Isto não devia acontecer

 

      Na rubrica «Os Nossos Animais Selvagens», do programa Portugal em Directo, esta quinta-feira, o jornalista Luís Henrique Pereira falou-nos da alvéola-branca (Motacilla alba), também conhecida como lavandeira e lavandisca. «É, provavelmente, a ave com a qual mais nos cruzamos no dia-a-dia», diz-nos, enquanto a observa no Parque da Cidade, no Porto. Também não a vemos num verbete autónomo no dicionário da Porto Editora, e, contudo, é usada no verbete de «lavandisca».

 

[Texto 14 432]

Léxico: «nucicultura | nucicultor»

Como pode isto ser?

 

      Quem leu a edição de ontem do Público (eu deixei de o ler, pelo menos temporariamente, depois de vários anos), talvez tenha reparado na necrologia. Um dos obituários era de um «engenheiro civil IST, nucicultor». Como é que estão ausentes dos dicionários palavras que vemos na necrologia dos jornais?

 

[Texto 14 431]

Léxico: «reguenguense»

Passaram muitos anos

 

      «Quanto à Fábrica Alentejana de Lanifícios, surgiu na década de 1930, tendo “continuado o prestígio e a qualidade dos tecidos reguenguenses e criado a imagem de marca Mantas de Reguengos”» («Mantas de Reguengos em exposição nas ruas de Monsaraz», Rosário Silva, Rádio Renascença, 3.12.2020, 6h46).

      Podia não estar registado no dicionário da Porto Editora, já aqui vimos vários casos. Há é um erro na definição: «relativo ou pertencente a Reguengos de Monsaraz, vila portuguesa do distrito de Évora». A localidade de Reguengos de Monsaraz foi elevada a cidade no dia 9 de Dezembro de 2004.

 

[Texto 14 430]

Léxico: «alfama»

Até tu?

 

      Ontem, a palavra do dia na Infopédia era alfama. Na primeira acepção, lê-se que é o «bairro habitado por Judeus». Só que isso é uma impossibilidade, nada mais. Mais modestamente, Porto Editora: «bairro habitado por judeus». Até nos dicionários este uso destrambelhado da maiúscula... Fico perplexo. A juntar ao único sacramento, em sete, com maiúscula, viático, é demasiado. Nem, repito, os homens da religião fazem isto.

 

[Texto 14 429]

Léxico: «muâni»

Com que então, só a língua...

 

      No última emissão dos Radicais Livres, na Antena 1, o tema era a tragédia de Cabo Delgado, no Norte de Moçambique. Às tantas, Jaime Nogueira Pinto falou dos Muânis. Sim senhor, está no dicionário da Porto Editora. Já muâni, contudo, está incompleto: «uma das línguas do complexo linguístico suaíli, falada pelos Muânis, no litoral norte de Moçambique, sobretudo na região de Cabo Delgado; quimuâni».

 

[Texto 14 428]

Léxico: «zooarqueologia | arqueobotânica | arqueometria»

Seis de uma vez

 

      «O projeto reúne uma equipa multidisciplinar, que envolve investigadores nas áreas da arqueologia, zooarqueologia, arqueobotânica, arqueometria, história, geografia, geologia e ainda conservação e restauro» («Monchique reforça aposta na arqueologia tendo Cerro do Castelo de Alferce como pretexto», Elisabete Rodrigues, Sul Informação, 11.11.2020, 9h30). Ah, sim, e zooarqueológico, arqueobotânico, arqueométrico.

 

[Texto 14 426]

Definição: «glifo»

Maias, no Antigo Egipto, etc.

 

      Não se usa também o termo glifo a propósito das inscrições do Antigo Egipto? Pois eu acho que sim, mas no dicionário da Porto Editora vejo esta definição de glifo: «designação atribuída aos caracteres da escrita dos Maias». No Cambridge Dictionary, diz-se que glyph é «a picture or symbol that represents a word, used in some writing systems, such as the one used in ancient Egypt».

 

[Texto 14 425]

Léxico: «glotofobia»

A mais recente

 

      «A câmara baixa do Parlamento francês aprovou esta sexta-feira uma lei que criminaliza a “glotofobia”, isto é, a discriminação com base no sotaque. [...] Esta não foi a primeira vez que França tentou proibir a discriminação de sotaque. Em 2018 um político do partido de extrema-esquerda, França Insubmissa, foi filmado a gozar com o sotaque de um jornalista» («Multas de 45 mil euros para quem goza com sotaques regionais em França», Filipe d’Avillez, Rádio Renascença, 27.11.2020, 20h10).

 

[Texto 14 424]