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Linguagista

Definição: «ombreira»

Dificuldades...

 

      A casa era de anões, e por isso a rapazito — decerto já mais alto do que os moradores — bateu com a cabeça na padieira («the low lintel of the door»). Padieira digo eu, que, para a tradutora, foi na ombreira. Mas isso foi há já muitos anos, agora será corrigido. Para o dicionário da Porto Editora, ombreira é o «elemento de cantaria, natural ou artificial, colocado lateralmente nas aberturas de janelas ou portas». Ora, a meu ver, falta aqui uma palavra para dar exactamente a ideia: vertical. As ombreiras são guarnições que se situam na vertical de portas e janelas e servem de apoio à verga ou padieira. Teria ajudado aquela tradutora e muitos outros com dificuldades.

 

[Texto 14 503]

Léxico: «peremptoriedade»

O habitual

 

      «Creio falar em nome de todas as portuguesas e portugueses ao afirmar a peremptoriedade do fim dos telejornais 20 minutos após o seu começo, quiçá meia hora, para dar lugar ao futebol, não só o nacional mas todo o futebol internacional, seguido de entrevistas a treinadores, jogadores de futebol e mil e um comentadores em estúdio ou em directo» («O fim do futebol, o princípio do desporto», João André Costa, Público, 28,07.2020, 12h02).

      Desconhecido para a Porto Editora. Já a forma «perentoriedade» vamos encontrá-la em três dicionários bilingues.

 

[Texto 14 502]

Léxico: «certidão de óbito | verificação do óbito»

Imagino

 

      Aposto que há por aí confusões à volta disto: «Miguel Guimarães acrescenta, contudo, que aquilo que viu não era — nem podia ser —, uma certidão de óbito, mas apenas um documento do médico do INEM a confirmar que o ucraniano morreu, a chamada verificação do óbito. “Quando o médico que chefia a equipa do INEM não consegue salvar a pessoa apenas faz uma verificação do óbito”, ou seja, escreve, numa folha própria da emergência médica, que a pessoa está morta» («Ordem dos Médicos desmente Eduardo Cabrita. Médico não escreveu “morte por causas naturais”», Nuno Guedes, TSF, 16.12.2020, 17h03).

 

[Texto 14 501]

Léxico: «eremícola»

Desaparecido

 

      «Um escritor como Renard, provinciano tímido e retrátil, neurastênico que se refugiara nas letras por imposição de sua natureza de eremícola, teria forçosamente de deixar um Diário interessantíssimo» (Encontro com Escritores, Eduardo Frieiro. Belo Horizonte: Editora Itatiaia, 1983, p. 53).

 

[Texto 14 500]

Léxico: «escamadiço»

Donos absentistas

 

      «Um dia, em homenagem ao 25 de Abril, publiquei um livrinho chamado Lembro-me Que. Agradeço que me poupem à discussão “quem se lembra não é que, é de que...”. Trago Celso Cunha e Lindley Cintra (Nova Gramática do Português Contemporâneo) como anjos protetores: “Quando o objeto indireto vem expresso por oração desenvolvida, a preposição de pode faltar.” E citam Rubem Braga: “Lembro-me que certa vez juntei uma porção de artigos médicos sobre o assunto.” Criticarem-me ainda vá, mas beliscarem-me o Braga, aí, fico escamadiço! Adiante...» («Crónica nostálgica de gestos quase em extinção», Ferreira Fernandes, Público, 29.08.2020, p. 55). 

      Houve uma altura em que ouvia muito esta palavra. Para meu máximo espanto, encontro-a no VOLP da Academia Brasileira de Letras, mas não no dicionário da Porto Editora. Se fôssemos, como alguns (ignorantes) defendem, donos da língua, teríamos de reconhecer que somos donos absentistas.

 

[Texto 14 499]

Definição: «co-infecção»

Dois ou mais

 

      «Os ganhos [pelo uso da máscara] são múltiplos. A começar pela diminuição da transmissão do vírus na comunidade. Havendo menos influenza a circular, a pressão sobre os hospitais será menor. Com um ganho absoluto no ataque às coinfeções. E um impacto positivo na pneumonia» («Incidência de gripe em Portugal continua praticamente zero», Jornal de Notícias, 15.12.2020, 10h28).

      Para a Porto Editora, co-infecção é a «infecção por dois tipos de vírus em simultâneo». Ah, sim? E se forem três? Não, a definição só pode ser «infecção por dois ou mais tipos de vírus em simultâneo».

 

[Texto 14 498]

Léxico: «axumita»

É da História

 

      «No século VII, apesar de os axumitas acolherem companheiros perseguidos de Maomé...» Pára, pára! A Porto Editora e os nossos queridos leitores assim não conseguem acompanhar-nos. Muitos não querem, mas temos mesmo de pôr as palavras onde os restantes as procuramos, não é assim? Vá, continuemos. (Hoje com um novo cabeçalho: uma fotografia da toalha de mesa da minha cozinha.)

 

[Texto 14 496]