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Linguagista

Léxico: «gayzismo | gayzista»

Coisas do Brasil

 

      «Sabe quando teremos um lançamento comercial de tripulação no Brasil? Só depois que o George Soros concluir seus planos, feitos em parceria com a Ursal, para converter a Terra inteira (plana, claro) numa ditadura comunista globalista gayzista sob o comando da OMS e da China. É, você entendeu. Nunca» («O que esperar de Alcântara (spoiler: não são voos como o da SpaceX)», Salvador Nogueira, Folha de S. Paulo, 8.06.2020, p. B12).

 

[Texto 14 511]

Léxico: «meruje | merujem»

Ah, as variantes...

 

      «Outra das saladas da minha memória era a de merujes, colhidas no final do inverno e até meio da primavera, na margem das ribeiras e cursos de água de rega, de folhinha verde-clara, tenra, frágil, um sabor raríssimo, intenso e que não consigo esquecer» («Em louvor da salada — e das azedas», Francisco José Viegas, «Sexta»/Correio da Manhã, 19-25.06.2020, p. 37).

      Os dicionários nada dizem, mas está certo: meruje, merujem. Aliás, devíamos ter sempre um j ante de e e i, je, ji, não ge, gi, mas esta é questão que hoje fica por aqui. Meruje e merujem são, como sabem, formas nominais que derivam do verbo merujar.

 

[Texto 14 510]

Léxico: «pinheiro-orvalhado»

Melhor do que pinheiro-baboso

 

      «Doze de outubro de 1920. Erich Behnick, jardineiro-chefe do jardim botânico de Heidelberg, na Alemanha, pede “a amabilidade do Jardim Botânico da Universidade de Coimbra de enviar sementes de Drosophyllum lusitanicum”, numa carta dirigida à instituição. A planta carnívora, vulgarmente conhecida como pinheiro-baboso ou pinheiro-orvalhado, exclusiva da Península Ibérica e de Marrocos, desapareceu da coleção do jardim alemão, durante a primeira Grande Guerra. Sem sementes, o cultivo é tarefa impossível e a planta, de pétalas amarelas e caule revestido de pequenos grãos que se assemelham a gotas de orvalho, não voltará a crescer no jardim» («Cartas da Natureza. As respostas escondidas na correspondência do Jardim Botânico de Coimbra», Joana Gonçalves, Rádio Renascença, 1.12.2020, 10h22, itálico meu).

 

[Texto 14 509]

Como se escreve por aí

Só na escola primária

 

      Parece que não são apenas meios humanos que faltam na redacção do Diário de Notícias: «E numa vedação separada lá está ela. A Urtiga. “Já não vai para nova”, brinca a dona, antes de acrescentar, com uma gargalhada, “não vamos as duas”. Urtiga é branca como muitos lusitanos vão ficando à medida que envelhecem. “Nascem quase sempre castanhos-escuros e o pelo vai ficando mais claro, vão ficando russos”, explica Barbara» («Os suíços que vieram para o Alentejo criar cavalos lusitanos», Helena Tecedeiro, Diário de Notícias, 22.08.2020, 00h58).

 

[Texto 14 508]

Léxico: «pesca à varela»

Ainda no Tejo

 

      «Ao contrário da maioria, que se reparte em duas estruturas, esta forma um sete alongado, dando-lhe o nome. No remoinho do rio ainda conseguimos perceber como funcionava. O “dente” entrava pelo rio para formar uma contracorrente e o peixe entrava direito na rede. Era a pesca à varela, retrata João [de Matos] Filipe no livro Cultura e artes da pesca tradicional no rio Tejo [Mação: O Mirante Editora]» («Os filhos de Mação querem mostrar os encantos da terra a caminhar», Mara Gonçalves, «Fugas»/Público, 5.12.2020, p. 4).

 

[Texto 14 507]

Léxico: «picareto | cestulho»

Pesca no Tejo

 

      «Numa das velhas salas de aula [da antiga Escola Primária de Ortiga], encontram-se algumas peças e instrumentos utilizados pelo último mestre calafate da aldeia na construção dos picaretos, os barcos regionais, entre outros utensílios, como o cestulho, as redes ou armadilhas feitas em verga» («Os filhos de Mação querem mostrar os encantos da terra a caminhar», Mara Gonçalves, «Fugas»/Público, 5.12.2020, p. 4).

 

[Texto 14 506]

Definição: «burel»

Uns furos acima

 

      «Foi quando procuravam elementos locais para a decoração do primeiro hotel que encontraram o burel, esse tecido rude e resistente, feito com a lã das ovelhas da serra, das raças bordaleira e mondegueira» («Isabel Costa e João Tomás. Eles acreditaram no burel e na magia de um tecido de monges e pastores», Alexandra Prado Coelho, «Fugas»/Público, 5.12.2020, p. 9).

      Comparando com a pobreza do verbete burel nos nossos dicionários, está, convenhamos, uns furos acima.

 

[Texto 14 505]

Léxico: «carilada»

Como já vimos outras

 

      Já vimos como faltam nos dicionários outras semelhantes: «Pois então, Luisinha querida, deita-me aqui para o prato umas colheradas dessa carilada que me está a cheirar tão divinamente!» (Cidade de Altos e Baixos, José Lello. Lisboa: Sociedade de Expansão Cultural, 1958, p. 416).

 

[Texto 14 504]