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Linguagista

Léxico: «Português-Azul»

Viu-as, vindimou-as

 

      «Mas era a vinha a sua pedra de armas. Recebeu-a bem tratada, e à primeira colheita achou-se rico. Cada cacho de “português azul” era um beijo de amante que retribuía com carícias no lombo pedregoso da terra» (As Relações Humanas, Vol. 2, Agustina Bessa-Luís. Lisboa: Guimarães Editores, 1964, p. 110).

      É Português-Azul que se deve escrever (a casta aparece descrita no sítio da Infovini – Vinhos de Portugal). Embora se diga que é uma casta que não chega à vindima com uvas porque as roubam, a verdade é que um leitor do Linguagista se lembra delas nas vindimas na comuna de Olonzac, no Sul de França, nas décadas de 80 e 90. Como já terão adivinhado, não encontramos o termo em nenhum dicionário. 

 

[Texto 14 523]

Mas isso não é castelhano?

É pois

 

      «O parque industrial da Pfizer na localidade belga de Puurs é um dos maiores do mundo na produção de medicamentos e vacinas. É uma gigantesca unidade fabril devidamente vigiada que não é possível visitar. Distingue-se ao longe, da estrada, já que da sua planta despontam duas enormes turbinas eólicas que geram a energia “verde” necessária à produção» («Vacina da Pfizer. A prenda de Puurs para o mundo», Vasco Gandra, Rádio Renascença, 21.12.2020, 10h27).

      Nós dizemos isto assim? Acho que não. Nunca antes vi tal. Em castelhano, sim: «Fábrica central de energía, instalación industrial» (lê-se no DRAE). Quando muito, podia ser uma extensão de sentido.

 

[Texto 14 522]